Augusto Cury: "Jesus elogiava em público e corrigia em particular"

Augusto Cury: "Jesus elogiava em público e corrigia em particular"

Atualizado: Terça-feira, 14 Julho de 2009 as 12

Por João Neto - www.guiame.com.br

Integrando a programação da Semana da Convenção Batista do estado de São Paulo, o conhecido psicoterapeuta e autor de coleções como ''Análise da Inteligência de Cristo'' e ''O Vendedor de Sonhos'', Dr. Agusto Cury ministrou uma palestra para educadores na tarde da última segunda-feira, 13 de julho. Com o tema semelhante a uma de suas obras, ''Pais Brilhantes, Professores Fascinantes'', o palestrante falou sobre os cuidados necessários à mente humana, os quais devem ser abordados na educação desde a mais tenra idade, e a relação desta área com fatores físicos humanos.

Equívocos existentes no sistema de educação utilizado atualmente foram apontados pelo psicoterapeuta como causadores de males diversos em alunos, pais e professores de todo o mundo. Segundo Cury, fatores como a exacerbada exigência de esforço mental têm prejudicado os seres humanos de forma geral, não somente na área da educação, mas na vida profissional de forma mais ampla. Para fazer um teste e estabelecer uma interatividade ainda maior com sua platéia, Dr. Augusto fez simples perguntas e obteve um retorno que comprovou a sua linha de raciocínio. Ao questionar quantos dos espectadores ali presentes sentiam-se cansados logo ao acordar, pôde-se ver um grande número de mãos levantadas. 

Em entrevista exclusiva ao Guia-me , o pesquisador lembrou que os efeitos físicos dos seres humanos estão diretamente ligados a fatores psicológicos e esclaresceu com mais detalhes a relação entre o excessivo esforço mental e o conseqüente cansaço físico. '"Uma pessoa cronicamente tensa carrega o corpo, como apresentei hoje na palestra cuja platéia de notáveis educadores confessou que está acordando cansada. Por quê? O excesso de pensamento rouba a energia do córtex cerebral e o sono é reparador e dá essa fadiga excessiva. Carrega-se o corpo. Há milhões de pessoas carregando o corpo, literalmente, sem fazer grande esforço físico. É possível ter dores de cabeça, dores musculares, quedas de cabelo, taquicardia e hoje nós sabemos que pode até desencadear o enfarto e desenvolver o câncer em pessoas propensas", explicou.

Investimento emocional

''É possível haver ricos morando em favelas e miseráveis morando em palácios''. Foi assim que Augusto Cury lembrou o fato da riqueza financeira não ser primordial para a felicidade do ser humano. Segundo o autor, quando os pais investem emocionalmente em seus filhos, criando uma ''conta bancária emocional'', solidificando valores e ensinando-os a reconhecer a riqueza nas pequenas coisas, estas crianças têm grandes chances de se tornarem pessoas maduras psicologicamente e felizes, mesmo sem posses de grande valor financeiro. ''O território emocional pode ser irrigado por alguns princípios psicológicos, entre eles, o treinamento da sensibilidade, da capacidae de fazer das pequenas coisas um espetáculo aos olhos. Se as crianças aprendem este fenômeno, esta ferramenta, aos poucos, quando crescerem, vão fazer muito do pouco. Caso contrário, ainda que sejam filhos de pais abastados, se elas se submetem ao regime de ter cada vez mais, (...)  farão pouco do muito e serão escravas do único lugar que deveriam ser livres e emprobrecerão o único lugar no qual deveriam ser ricas: o território da emoção. Então, o território da emoção é o ambiente psíquico que pauta a sua agenda por fenômenos que ultrapassam o limite da lógica, da matemática numérica'', afirmou.

A correção pública e o elogio em secreto também foi um importante ponto levantado por Dr. Augusto em sua palestra. Segundo o palestrante, a exposição do erro de um aluno por seu professor ou de um filho por seus pais, pode dar aberturas para a evolução de traumas que, se não forem tratados, perduram pelo resto da vida do ser humano, impedindo o desenvolvimento de sua personalidade. Essas ''brechas emocionais'' são chamadas pelo profissionais de ''janelas killer''. Citando a solução para corrigir tal erro, o psicoterapeuta lembrou do Mestre dos Mestres: Jesus Cristo. ''Quando o mestre dos mestres, Jesus, anunciou que ia ser traído, ele não expôs publicamente Judas Iscariotes. Ele deu um pedaço de pão ao discípulo e disse-lhe: 'o que você tem de fazer, faze-o depressa', ou seja, ele protegeu a emoção e mostrou a Judas que não tinha medo de ser traído. Sabe qual era o medo dEle? 'Eu tenho medo de perder um amigo'. Por isso que no jardim do Getsemâni ele disse: 'Amigo, para que vieste?'. Jesus elogiava em público e corrigia em particular'', salientou.

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