Autora e consultor da série da Record contam curiosidades sobre dieta da época

Descubra o que se comia nos tempos de Rei Davi

Atualizado: Sexta-feira, 10 Fevereiro de 2012 as 8:53

Pão integral, uvas-passas, mel e azeite. Calma, não se trata de uma nova dieta. Essa era a base alimentar da grande maioria dos povos retratados pela minissérie Rei Davi (no ar na Record), que habitavam as terras de Canaã, onde hoje fica o Estado de Israel, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e partes da Jordânia, do Líbano e da Síria. 

Para mostrar na telinha os costumes alimentares dos hebreus e seus vizinhos – personagens da saga do herói bíblico –, a autora da trama da Record, Vivian de Oliveira, foi atrás de informações em diversas fontes, inclusive a própria Bíblia, e contou com a ajuda do professor de história Maurício Ferreira. 

Durante a pesquisa, eles descobriram detalhes para lá de interessantes sobre a forma como os habitantes de Canaã se alimentavam e tratavam a comida, vista muitas vezes de modo sagrado, como explica Vivian. 

- O alimento tanto servia para a sobrevivência quanto para moeda de troca. Mas também era usado em oferendas ao Deus de Israel e de outros deuses [dependendo do povo] além de ser fator que indicava riqueza, para quem o possuía. 

Segundo o historiador, as terras de Canaã – onde se passa a minissérie – não eram tão férteis quanto as do vale do Nilo (no Egito). Por isso, alimentos eram muito escassos e valiosos por lá. 

- Os hebreus não utilizavam adequadamente a irrigação, muito menos instrumentos agrícolas de ferro, o que fazia com que a produção de alimentos fosse difícil e insuficiente. 

Comer carne, por exemplo, era raridade. Quando isso acontecia, o preparo era bem especial, explica o professor. 

- O cuidado com a pureza dos alimentos é um ponto muito importante. O corpo humano é visto como a morada de Deus, ou dos deuses, se estivermos falando dos vizinhos não-hebreus. Desta forma, não pode ser contaminado por intermédio dos corpos. O sangue, por exemplo, tem uma forte relação com o espírito, desta forma, os alimentos não devem ser consumidos com sangue. O boi, depois de abatido, deve ter seu sangue todo retirado e sua carne, lavada diversas vezes, salgada e novamente lavada. 

Por serem símbolo de riqueza, os alimentos – principalmente as carnes de animais ruminantes, como carneiro, cabrito e boi – também podiam ser ofertados em sacrifícios, conta Ferreira. 

- Comida era responsável pela manutenção da vida e, por muitas ocasiões, utilizada como símbolo da fidelidade do homem à divindade. O sacrifício significava abrir mão de um recurso necessário para a sobrevivência familiar ao Deus. Um exemplo claro é o do cordeiro jovem, a melhor oferta porque se abria mão não somente da carne do animal, mas também de toda uma vida de produção de recursos. Um cordeiro ou ovelha, ao longo de sua vida, oferecia ao seu dono leite, lã e, no fim, sua carne. 

A autora de Rei Davi explica que, com tanta dificuldade, as pessoas, em geral, eram magras e saudáveis. 

- O pão, por exemplo, era feito com uma farinha quase pura, sem nenhum refinamento, e sustentava um guerreiro por muito tempo. Eles comiam também muitas frutas, uvas-passas, azeite e mel. 

Até hoje, alguns desses hábitos são comuns na cultura judaica, afirma o professor de história. 

- Vários elementos foram preservados ou adaptados ao mundo atual. A regra de pureza, que diz que ‘não se deve deitar o leite da mãe com a carne do novilho’ é, por muitos povos judaicos, respeitada a ponto de influenciar a arquitetura [com criação de cozinhas com duas pias e panelas distintas para que alimentos à base de leite não tenham contato com carnes.

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