"Balada nº 1" trata escolhas e consequências da juventude

"Balada nº 1" trata escolhas e consequências da juventude

Atualizado: Quinta-feira, 25 Agosto de 2011 as 1:38

"Escrever um texto que falasse o mais íntimo possível com esta geração" é o objetivo de Edmilson Mendes com o livro "Balada nº1".

O autor, que acredita que jovens e adolescentes têm perdido personalidade e se tornado mais influenciáveis, conta a história de Fabrício, um jovem universitário que nunca havia ido a uma balada.

Diante de um convite para a festa de formatura, da presença dos amigos e da uma bela garota, Fabrício pode, em uma noite, virar sua vida de cabeça para baixo.

Em entrevista ao GUIA-ME, Edmilson Mendes, que também é pastor, fala sobre a abordagem do assunto no cenário da geração atual. Confira.

GUIA-ME: Quais assuntos, especificamente, o livro Balada Nº 1 aborda?

Edmilson Mendes: Fala sobre a tensão entre amizades, amores e traições entre jovens adolescentes. Sentimentos que sempre podem minar os mais belos relacionamentos. O detalhe é que fala de forma surpreendente, virando de ponta cabeça a vida de cada personagem do livro, fazendo cada um rever valores e conceitos.

GUIA-ME: Como percebeu a necessidade de abordar tais assuntos?

E.M.: Queria muito escrever um texto que falasse o mais íntimo possível com esta geração. E quando digo esta geração, me refiro a toda ela, não apenas o segmento gospel, pois o texto quer dialogar com todos, sem nenhum traço ou marca que remeta ao "evangeliquês" tão presente em parte dos chamados livros evangélicos.

GUIA-ME: Balada Nº1 trata-se de uma ficção, mas retrata comportamentos comuns de jovens. Encontrou muita dificuldade ao construir os personagens?

E.M.: Um pouco. Pelo menos para mim, a dificuldade sempre está presente em cada texto. Gosto de testar palavras. Às vezes fico um tempão até encontrar a palavra mais pertinente a ideia que quero passar, é um trabalho artesanal, penso. Por outro lado, tem toda a psique de cada personagem, os jeitos, estilos, preferências. Fazer tudo ter coerência e lógica dá um certo trabalho, mas foi um desafio estimulante, acho que ficou bem interessante o produto final. Acho, quem vai dizer são os leitores.

GUIA-ME: Para alguns pais, líderes e pastores, não há problema em frequentar determinadas festas, pois o problema está na postura do rapaz/moça e não na balada em si. Concorda com esse pensamento e por quê?

E.M.: De fato, a postura de cada um diz muito sobre as preferências pessoais. Nenhum lugar ou pessoa influenciou o caráter de Jesus, antes Ele é quem influenciava os lugares por onde passava e as pessoas com as quais se relacionava. Mas quantos "Cristos" temos hoje em dia? Quantos jovens podemos apontar com uma personalidade inabalável? São perguntas para pensarmos honestamente nas possíveis respostas. E quanto às chamadas "baladas"? A proporção de jovens que se deixam levar por tudo que se oferecee se pratica nestas festas, e depois delas, é muito maior do que daqueles que não se deixam levar. Como você mesma afirma no início da pergunta: Para ALGUNS pais, líderes e pastores... ou seja, alguns pensam assim, outros não. Entendo que esta é uma questão entre cada jovem e seu responsável, pois no fim, havendo conseqüências danosas, são eles mesmos que vão se arder com os prejuízos materiais, sociais e espirituais. Ou seja, se a pessoa tem a cabeça boa e prioriza escolhas que edifiquem a sua vida e seus relacionamentos, por que haveria de escolher lugares sabidamente carregados de péssimas práticas?

GUIA-ME: Acredita que jovens e adolescentes têm perdido personalidade e se tornado mais influenciáveis? Isso dificulta as relações de amizade?

E.M.: Acredito. O ataque junto a esse público é cada vez mais intenso e eficiente. Seduzir um adolescente em transformação, numa fase cheia de contestação e dúvida, acho uma covardia, mas enfim, é assim que é, não temos como negar. As relações de amizade sofrem dificuldades por conta de hábitos tão inconstantes, exacerbando os picos de altos e baixos em grande parte da moçada.

GUIA-ME: Se tratando das baladas que o mundo oferece, é possível ser jovem, viver neste mundo, mas não pertencer a ele? Se sim, acredita que conseguir viver assim não seja um 'bicho de sete cabeças'?

E.M.: Dialogar com nosso tempo e cultura sempre será um desafio e uma tarefa diária. Não chega a ser um bicho de sete cabeças, mas é um labirinto complicado diante da multidão de propostas que são oferecidas diariamente pra moçada. É possível ser jovem sim, antenado, conectado, atualizado, freqüentar lugares bacanas, desenvolver amizades interessantes, relacionar-se com gente inteligente, participar de lazeres saudáveis e empolgantes. Enfim, é possível ser contra-cultura e conquistar o respeito. Dá trabalho? Sim.Às vezes poderá ser humilhante? Sim. Terá pressão? Sim. Mas conheço muitos jovens que escolheram o caminho mais difícil, suportaram e venceram. Hoje, eles testemunham que o que era difícil ficou fácil, difícil seria voltar para os caminhos do mundão. Mas eles pagaram o preço da fidelidade e, é claro, o Deus Fiel, não os abandonou.

Balada nº1 será lançado oficialmente na Bienal do Rio.

Serviço

Endereço oficial da bienal:

XV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro

Data: 1º a 11 de setembro de 2011

Horário: 10 às 22h

Riocentro

Av. Salvador Allende, 6555 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro/RJ

Estande: Pavilhão Verde, M11 - L12

Por Juliana Simioni

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