Bill Hybels no Summit 2009: "Deus intervém quando o líder faz escolhas ousadas"

Bill Hybels no Summit 2009: "Deus intervém quando o líder faz escolhas ousadas"

Atualizado: Segunda-feira, 16 Novembro de 2009 as 12

Por Adriana Amorim - www.guiame.com.br

Desde 2005, quando iniciou em apenas uma cidade brasileira - São Paulo - o Summit tem trazido a líderes evangélicos, profissionais e organizações, ferramentas para administração de recursos financeiros e humanos e oportunidade para refletir sobre a Igreja e ministérios.

Idealizado pela organização americana filantrópica Willow Creek, acontece atualmente em 53 países, atingindo 150 mil líderes. Até o fim deste ano, o evento será realizado em 18 locais diferentes no Brasil.

Nos dias 13 e 14 de novembro foi a vez da Igreja Batista do Povo, na Vila Mariana, capital paulista, sediar o encontro. Em sessões de vídeos, preletores internacionais falaram sobre temas como: "Administre de forma diferente agora"; "Potencialize o seu passado"; "Bono e o progresso da Igreja"; "Levando as pessoas ao Deus pródigo"; "Assistencialismo vs Empreendedorismo"; entre outros.

Entre os palestrantes estavam Bill Hybels, Jessica Jackley, David Gergen, Gary Hamel, Wess Stafford, Bono Vox, Tim Keller, Andrew Rugasira, Harvey Carey e Tony Blair.

Liderando em uma nova realidade

Com uma palavra ministrada após a crise econômica americana, o pastor fundador da Igreja Willow Creek em South Barrington, EUA, e presidente do conselho da Associação Willow Creek, Bill Hybels, falou na primeira sessão exibida na Igreja Batista do Povo, às 9h da manhã de sexta-feira, sobre como agir quando o passado não é mais referência para a tomada de decisões.

Para ilustrar a crise econômica que afetou o mundo, especialmente os Estados Unidos, ele comparou líderes a capitães de barcos. Um capitão, segundo Hybels, sempre avalia o tempo e a altura das ondas antes de navegar. No entanto, a uma elevação do mar tão inesperada como a crise econômica, comparada a uma onda 80 pés (24 metros), "nenhum barco resiste".

Hybels contou que foi questionado por um membro de sua igreja, que já estava cansado de trabalhar sem cessar para manter sua organização em pé após a crise financeira: 'Bill, quando essa crise vai acabar e vamos viver a mesma situação normal?". Sem responder, o pastor pensou: "Não temos certeza se viveremos a mesma situação normal. "O normal que nós todos conhecemos, acabou".

Mas, em situações difíceis, um líder se destaca pelo entusiasmo, afirmou Hybels. Segundo o pastor, esse sentimento que envolve a verdadeira liderança, em tempos de crise, nem sempre é compreendido. "Os não-líderes suspeitam de crack e maconha", brincou. Na opinião do fundador da Willow Creek, líderes ungidos "ouvem sussurros do Espírito Santo" que dizem: "Foi por isso que lhe dei o dom de liderança".

Em outubro de 2008, o pastor conta que sentiu como a crise econômica afetaria a igreja Willow Creek em um período no qual crescem os donativos da igreja: o Natal. Naquele outubro, Hybels recebeu a ligação de um membro da igreja que ofertava anualmente uma quantia entre 200 e 300 mil dólares, mas que em 2008 não seria doada. O homem havia perdido o emprego, a bonificação, investimentos, e estava prestes a perder a casa.

Hybels adotou então com sua "equipe", modo como chama a liderança de sua igreja, estratégias de cunho filosófico, financeiro, relacional e pessoal.

"A igreja do primeiro século no século 21"

Baseado em um plano que não foi financeiro ou pragmático, a equipe da Willow Creek, liderada por Hybels, estava decidida a estimular a igreja a viver a passagem bíblica de Atos 2, quando os discípulos de Jesus partilhavam seus bens e orações. Uma decisão filosófica.

O pastor disponibilizou a igreja para atender quaisquer necessidades financeiras e espirituais dos membros, fazendo um chamado à generosidade. Essa convocação ultrapassava o ato de orar pelo irmão, como também auxiliá-lo nas despesas, se possível. "Quero que confie na generosidade dos irmãos a sua volta. Precisamos ser a igreja que avança na palavra, na oração, na generosidade", disse a Willow.

Hybels narra que ao final do primeiro culto, preparado para encorajar os membros à unidade, ouviu de um casal que poderia ser considerado louco pela proposta de oferecer a igreja como auxiliadora financeira. Na semana seguinte, o mesmo casal presenteava a Willow Creek com um cheque em valor tão alto que Hybels precisou contar calmamente os zeros.

Os cultos de fim de semana também foram influenciados. Palavra, música e oração foram pensados para atender às necessidades dos membros da Willow, que além das econômicas, estendiam-se às espirituais e emocionais. "As pessoas estão sedentas pelo tratamento completo.Você pode levar todos mais perto de Cristo", disse Hybels".

O grupo de louvor, por exemplo, passou a continuar tocando, mesmo após o culto. As pessoas eram convidadas a estarem ali, se quisessem, ou irem a uma sala de oração. Em ambos os locais estavam pessoas dispostas a orarem por e com elas.

Receita caindo e necessidades subindo

"Quando você vê este gráfico convergindo é angustiante", declarou Hybels a respeito da dificuldade financeira da igreja. "Tem sido angustiante para mim", desabafou com o público do Summit nos Estados Unidos.

O líder evidenciou que alguns pastores alegam ter mais facilidade com almas do que com planilhas, mas advertiu citando Lucas 14:28-29: "Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele". "Reservas saudáveis dão aos líderes o que eles mais precisam em tempo de crise: tempo", completou.

Reunido com sua equipe, o pastor fez o exercício dos "baldes", onde cada objeto representava uma situação econômica diferente para a igreja. Na situação do balde C, a igreja teria uma queda de receita de 50%. Ali, seriam despejadas todas as atividades que não pudessem deixar de ser realizadas. No balde B, uma igreja com 75% a menos de renda, e o que seria feito na Willow nesse caso. No balde A, aquilo que jamais pode ser excluído daquela comunidade.

Desenvolvendo a equipe

Outra ação tomada foi relacional. Hybels relembrou a passagem de Habacuque 3:2 - "Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia".

Com esse trecho bíblico em mente, reuniu sua equipe por um dia para discutir quatro questões: "- Quantos cargos-chave temos na igreja? - Quantos estão preenchidos com pessoas certas?- Estamos desenvolvendo o potencial dessas pessoas? - Existem pessoas que as podem substituir?".

De balde cheio

"Como está seu balde?", questionou Bill Hybels no vídeo exibido na Igreja Batista do Povo.

O pastor contou que há 20 anos passou por uma crise em seu ministério, a ponto de pensar em deixá-lo: "Minha vida estava insustentável". Mesmo em 2007, o líder escreveu uma frase em seu diário que fez questão de citar: "O passo que eu estou fazendo a obra de Deus está destruindo a obra de Deus em mim".

Hybels explicou que assim como o que era depositado no balde das receitas da igreja, o líder deve abastecer seu "próprio balde" com conteúdo de energia para as situações do dia-a-dia. No caso dele, um passeio diário com seu neto é capaz de enchê-lo de saúde emocional. "O balde da renovação", evidenciou.

Ele estimulou pastores a fazerem a "autoliderança" e reinventar estratégias de renovação como, por exemplo, uma dieta ou dedicar atenção às folgas e férias. "Com o balde cheio e o coração correto diante de Deus, todos são impactados na organização", declarou. Com cansaço e temor, Hybels entende que o líder vê um Deus que só pôde realizar grandes coisas no passado.

A Igreja do mundo de Bono Vox e Tony Blair

Ao final da exposição do vídeo, o pastor líder da igreja Batista do Povo, Jonas Neves, convidou o público a refletir sobre algumas lições que a ministração havia trazido. Pediu às pessoas presentes que anotassem. "Para voltar aí quando as forças das ondas os tiverem impactado", expôs Neves. O líder incentivou o público a pensar acerca do "balde pessoal de renovação".

Neves orou com a igreja, deixando à vontade visitantes, como empresários que estavam reunidos ali para o evento de liderança. "Você pode pensar: 'Deus cuida das coisas Dele e eu das minhas' . Mas não há detalhe da nossa vida que ele não se preocupe e não se interesse [...] Hoje pode ser além de um tempo de aprendizado, um tempo de milagre. Deus não quer que você desista, aproxime-se dele", disse Jonas Neves.

Em entrevista ao Guia-me, o pastor contou que assistiu em Chicago (EUA) ao evento que originou o DVD de sessões exibido na igreja Batista do Povo. Questionado sobre a atitude ousada de expor vídeos de muitos preletores, entre eles não-evangélicos, para falar de temas que ultrapassam os relacionados à Igreja, o pastor afirmou: "Procuro trazer o que acontece no mundo. Esta igreja aqui é aquela que está de segunda à sexta-feira no mundo de Tony Blair, de Bono".

A igreja local e o líder

Gerente de eventos da Willow Creek no Brasil, César Ranieri falou ao Guia-me que a igreja não deixa de ser uma organização, todavia, com um grande diferencial: "Alcançar vidas. A igreja não foi feita só para se encontra paz, ela é muito mais do que isso".

Ranieri apontou que na visão do presidente da Willow Creek, Bill Hybels, a igreja local é a "esperança do mundo". É por ela que comunidades podem ser transformadas, e subsequentemente cidades, estados e países.

Segundo o gerente, o propósito do Summit é desenvolver líderes, sendo uma ferramenta para membros de igrejas, assim como instrumento para empresários que, por estarem em ministrações em igrejas, acabam tendo interesse em conhecer mais da Palavra de Deus.

"A Igreja precisa ser ativa. Igreja local não faz nada sem um líder forte", disse Ranieri. Questionado sobre o que seria um bom líder segundo a associação Willow Creek,afirmou: "Um cara que tem suas atitudes segundo o coração de Deus [...] Que nunca se satisfaz com o que tem. Não pensa que já sabe tudo, quer melhorar sua capacidade de liderar. Porque quando um líder negligencia isso, a igreja cai ou se espalha".

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