Bispa Sonia Hernandes fala dos 25 anos da Renascer

Bispa Sonia Hernandes fala dos 25 anos da Renascer

Atualizado: Terça-feira, 29 Março de 2011 as 11:01

Ser pioneira não é novidade para a bispa Sonia Hernandes, a primeira bispa do Brasil. Entre outras coisas, foi uma das primeiras mulheres a pregar a Palavra no país, seja no altar, na TV, no rádio... Por intermédio dela, milhões de vidas conheceram a Jesus Cristo. “Quando comecei a pregar, não havia mulheres no altar...”, afirma. Neste mês, em que a Igreja Renascer em Cristo completa 25 anos, ela inova mais uma vez e lança a Bíblia da Mulher de Bem com a Vida, a primeira com comentários de uma mulher não só no país, mas na América Latina.

Editada em parceria com a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), a versão é revista e atualizada (RA) das escrituras sagradas e contém 52 pensamentos da bispa, um para cada semana do ano, além de textos correlacionados para a meditação diária, uma oração e dicas para manter sua “boa forma espiritual” e “não se deixar contaminar”. Segundo explica a bispa, esta bíblia reúne “experiências, histórias e aprendizado com a prática da Palavra, em vitória de mais de 20 anos buscando como ser uma mulher segundo o coração de Deus; o que trouxe resgate da visão do Senhor à mulher não só em nosso país como em muitos outros.” Veja a seguir a entrevista que a bispa concedeu ao iGospel, onde fala da Bíblia e dos momentos mais marcantes nestes 25 anos de Renascer em Cristo.

Qual o objetivo da senhora com o lançamento desta Bíblia? Eu quero que as mulheres enxerguem esta Bíblia como a sua melhor amiga. Esta Bíblia é fruto de uma mulher transformada que Deus tem usado por muitos anos para abençoar milhares, quem sabe milhões de mulheres ao redor do mundo. A proposta é que ela seja sua melhor amiga. Jesus veio para restaurar nossa comunicação com Deus e vai fazer você se comunicar com a Palavra de Deus e a Palavra se Deus se comunicar com você. Assim, em tudo o que fizer, a mulher vai ser bem sucedida, em nome de Jesus. Eu quero que as mulheres aprendam a estar de bem com a vida em qualquer situação.

Em sua opinião, qual é o verdadeiro papel da mulher diante da igreja? Deus está procurando adoradores. Esse é o papel do homem e da mulher. Alguns são adoradores sendo membros, participantes da Igreja, ou então servindo, ajudando outras pessoas, no batismo, no ensino, no louvor, na pregação da Palavra... Há uma diversidade de dons e serviços; não há um papel. Deus espera que você entenda o seu chamado e seja um verdadeiro adorador naquilo que o Senhor te colocar.

Neste mês, a Igreja Renascer em Cristo completa 25 anos. O que aconteceu em 12 de março de 1986? Por que esta data ficou marcada como o início da Igreja? Foi o dia que fizemos o primeiro culto, aconteceu na casa da mãe de uma moça que nos procurou para ser ministrada juntamente com o marido. Era um salão onde cabiam umas 20 pessoas, devia ter mais ou menos esse número de pessoas lá. Naquele dia, pedimos um sinal de Deus: se houvesse pelo menos uma salvação, seguiríamos em frente. Naquela época, as igrejas não faziam chamamento sempre, isso acontecia muitas vezes uma vez por ano apenas... Havia um preconceito muito grande contra crente, era uma verdadeira barbaridade carregar uma Bíblia... Naquela reunião, um casal levou a mãe, que não era crente, e ela se converteu.

O que aconteceu a partir daí? Passamos a nos reunir na sala do nosso apartamento em São Paulo, mas isso começou a criar problema com os vizinhos... Então decidimos alugar um dos salões de festa da pizzaria Livorno. Naquela época, o apóstolo já era pastor, mas decidimos convidar um pastor de um grande ministério para ministrar a Santa Ceia, para termos uma cobertura. Nós dois trabalhávamos muito e não conseguíamos ter uma dedicação completa. Nós estávamos a todo vapor em nossas vidas profissionais e tínhamos filhos pequenos. Mas aquele pastor ficou por um tempo e depois acabou deixando a Igreja, afirmando que realmente aquele ministério era nosso. Foi nesta mesma época que o apóstolo teve um sonho com o nome “Renascer em Cristo” e registramos este nome.

Vocês saíram de outra Igreja para começar este trabalho? Não somos fruto de divisão. Fazíamos parte de uma igreja e, quando nosso pastor faleceu, o pastor que assumiu a igreja nos chamou e disse que achava que devíamos procurar outra igreja, pois ele não estava de acordo com o trabalho que fazíamos com os jovens... Sempre fizemos trabalhos com os jovens. Ficamos cerca de um ano sem igreja até decidirmos fazer uma primeira reunião. Nunca convidamos ninguém da outra igreja também, algumas pessoas espontaneamente vieram nos procurar, como o bispo Gê. Também nunca falamos mal de uma autoridade espiritual, nem deixamos de entregar o dízimo. No período em que ficamos sem igreja, depositávamos o dízimo em uma poupança, para entregar quando estivéssemos em uma igreja.

Depois da mudança para o Livorno as reuniões ficaram ainda mais frequentes? Sim, passamos a nos reunir todos os domingos e mais uma vez por semana para fazer uma reunião de oração. Uma vez por mês, nós nos reuníamos em uma chácara em Atibaia. Íamos para lá em jejum, orávamos o dia todo... Também passei a realizar cultos de ensino bíblico com as mulheres, comecei com o grupo de clientes que eu tinha na boutique em que eu trabalhava. A cada semana nos reuníamos na casa de alguém e havia o culto. A partir daí o trabalho com as mulheres foi crescendo cada vez mais.

São muitos fatos marcantes nestes 25 anos. Que momentos a senhora considera verdadeiros divisores de águas na história da Igreja? São realmente muitos momentos... Quando fomos para a Igreja Árabe, quando reunimos aqueles jovens drogados na nossa casa... Quando começamos o Ministério das mulheres, com as mulheres pregando, no altar. A Lins foi muito especial. O apóstolo sonhou com a pessoa que ia comprar o prédio e entregar para a Igreja... Foi muito forte. Também quando começamos as reuniões de segunda-feira (evangelismo), a primeira programação em rádio FM evangélica do país; a Marcha para Jesus, hoje o maior movimento popular da Terra, documentado inclusive pelo Discovery Channel, o Renascer Praise, o maior grupo de louvor que se tem notícia, os SOS da Vida, encontros de mulheres, encontros de homens, as Conferências Apostólicas, o Culto do Leão, as Santa Ceias de Oficiais, os acampamentos, as Campanhas de jejum, o Centro de Recuperação, as obras sociais, o trabalho com crianças e adolescentes, o ministério de saúde social, a Torre na avenida Paulista, no metro quadrado mais caro do país, o Copam, a igreja na Faria Lima, igrejas no Brasil todo e fora dele também. Fomos pioneiros nas transmissões por telão, via satélite. Hoje a Igreja é globalizada. Outros momentos muito marcantes foram as viagens para Israel, para a África, a marca de ser uma Igreja vencedora, provada e aprovada em toda e qualquer situação!

O movimento gospel na música também começou com a Renascer, certo? O Katsbarnea e o Renascer Praise fizeram uma revolução na música gospel. Não existia ministração em louvor, não existia o louvor espontâneo, evangelístico... Mas o louvor de adoração começou e cresceu por todo o país. Hoje o Renascer Praise é o maior grupo de louvor que se tem notícia, que consegue reunir, por exemplo, um coral de 12 mil vozes, mais de 500 vozes num palco e 3000 bailarinos em um estádio, como aconteceu no Pacaembu em 2005 na gravação do 12º trabalho do grupo. O mover gospel cresceu, surgiram as primeiras bandas, como o Katsbarnea. A partir daí o movimento cresceu e ganhou força, vieram os shows gospel, SOS da Vida, shows internacionais, gravações no exterior. Pela primeira vez, os levitas foram chamados de levitas, eles eram apenas conhecidos como músicos. Depois veio a dança no altar e muito mais...

O que mais a senhora destaca? Como se abriram as portas da igreja Árabe para estarmos lá por um tempo, a palavra Profética que nos levou até a Lins e como tudo como se desenrolou, a Gospel FM, a 1ª Marcha para Jesus, os programas de TV, o início da Escola de Profetas, dos trabalhos com as crianças, jovens, mulheres, o evangelismo de rua, o primeiro jejum, que foi um jejum de Daniel, de 21 dias, as primeiras conferências apostólicas e proféticas, o início do R12, dos GCDs, das missões. A Igreja surgiu com uma visão totalmente diferenciada... Sim, é uma visão que resgata os perdidos e os machucados pela religiosidade e pelo mundo. É essa a Visão de Neemias: não basta restaurar o templo interior, é preciso restaurar as portas e os muros também. É uma visão com uma palavra profética poderosa, realmente vivemos aquilo que pregamos. É um mover de cura e libertação, de oração, intercessão, de buscar o Deus da família, de orar pela família. É uma visão de guerra espiritual, fundamentada na Palavra... É o mover apostólico que começou, cresceu e se espalhou, atingiu outras igrejas e até outros países.

Que características deste mover a senhora considera fundamentais? O mover apostólico é a capacidade de passar pelas lutas, pela fornalha, e sair sem ter nem ter cheiro de fumaça, é poder de resistência, poder da Palavra Profética, da cobertura espiritual, poder do envio, do exercício da fé. É o evangelho para todos, sem preconceitos. É ter alegria de estar na casa de Deus, de aprender o segredo de andar pelo Espírito, de viver em renovação constante. É um novo conceito de Igreja: um lugar bom de estar, de alegria, de bênção, onde desejamos estar... Ser Renascer é ter alegria de viver, de ser quem você é, de se separar e se santificar para Deus sem limites, vivendo a verdade da Palavra de Deus hoje, no dia a dia, de ter um Deus da família. É a liberdade de passar por tudo, por qualquer tipo de problema e sair vencedor. É uma visão que nos dá liberdade para viver todo e qualquer tipo de sonho, ter a liberdade de ter sonhos para Deus!

O que vem a sua mente quando pensa no futuro? Tenho muitas promessas para viver ainda na minha vida. Quando eu tinha 13 anos o apóstolo me pediu em namoro e me disse: vamos ganhar o Brasil para Jesus! Ainda falta muito para ganharmos o Brasil inteiro para Jesus... Graças a Deus hoje o exército de mensageiros das Boas Novas aumentou demais por meio de muitas outras Igrejas e denominações..... Mas ainda temos muito que fazer e muitas vidas para alcançar!

Qual o maior desafio da Igreja para o futuro? O grande desafio é continuar a levar o Evangelho às pessoas em um mundo em que a degradação humana e a perda de valores estão destruindo e matando aos montes, numa geração de filhos na sua maioria sem pais, roubados, em sua primeira infância, de referenciais e valores tão fundamentais, numa geração de imediatistas, nada disposta a investir ou doar-se cada vez mais. Uma geração egoísta, temerosa, insegura... Acredito que este é um desafio da Igreja em geral no Brasil e não apenas da Renascer em Cristo. É o desafio de levar pessoas a um novo patamar de vida e verdadeiramente Renascer em Cristo.    

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