Cada vez mais jovens integram comunidades cristãs

Cada vez mais jovens integram comunidades cristãs

Atualizado: Segunda-feira, 23 Agosto de 2010 as 3:14

Thiago Rossi, 25, professor com grupo de jovens e crianças da Igreja  Batista e contra baixista do Ministério do Louvor. Mensagem que deixa para os jovens é que a vida não é só diversão. Não tem que alimentar só a carne e sim o espírito. "Existe algo muito além do que podemos imaginar".    

Dentre uma multidão de jovens dispersos pela cidade, uma pequena parcela deles está organizada nas igrejas, procurando assimilar e divulgar o evangelho. Em Marília, pelo menos 5 mil adolescentes, integram comunidades cristãs, entre as igrejas católica, evangélica e espírita.

Só na igreja católica estão reunidos cerca de 1.300 jovens em 45 grupos distribuídos nas 22 paróquias da cidade. Eles estão sempre envolvidos em eventos e ações no sentido de evangelizar o próximo.

Já a evangélica abraça pelo menos 4 mil jovens em mais de 200 igrejas espalhadas pela cidade, revelando em algumas doutrinas uma nova geração de evangélicos, que buscam adorar a Deus em qualquer lugar e em todo momento.

Os novos jovens evangélicos buscam um estilo de vida revolucionário. Para isso, estão integrados em tribos (ou ministérios por afinidade) e organizam novas estratégias para transformar vidas.

No caso de algumas comunidades com a Tribo de Judá e Bola de Neve, o estilo despojado da igreja reflete o pensamento de uma nova geração, pouco preocupada com a aparência e mais focada nos valores cristãos. Eles saem às ruas com o mesmo objetivo, evangelizar.

Uma igreja para todas as tribos

A Bíblia colocada sobre a prancha de surfe indica que a reunião está prestes a começar na célula insulana da Igreja Bola de Neve que foi fundada há 10 anos e há 3 está em Marília. Embalados por um reggae gospel, sucedem-se orações, louvores, estudos e bate-papos.

O líder, Jair Ávila Junior, 35, diz que a maioria dos frequentadores da igreja são jovens que se sentem a vontade pela maneira de se comunicar e a liberdade de se vestir.

"Nós mostramos Jesus de uma forma diferente, livre, mas sem ser liberal demais e sem criticar outras doutrinas", destaca.

Em Marília cerca de 250 participam das atividades realizadas quase todos os dias da semana. Para Raquel Santos Claudino, 20, de Oscar Bressane, o dia 7 de dezembro de 2008 ficará marcado em sua vida. Essa foi a data em que ela foi abordada por missionários da igreja.

Raquel conta que revoltada por ter sido abandonada pela mãe, desde os 13 anos, fazia uso de bebidas alcoólica e drogas. "Eu pensava que se Deus realmente existisse, uma mãe não abandonaria seu filho", conta.

Raquel que hoje trabalha e faz planos para o futuro, se transformou. Diz que se tornou mais forte, adquiriu responsabilidade, e passou a respeitar mais o próximo. "Quem seguir meu exemplo, vai encontrar um caminho, a verdade e a vida. Ele nunca falhou e nunca falhará", conclui.

Tribo de Judá trabalha pela evangelização

A Comunidade Tribo de Judá, nascida em Garça há 10 anos, vem conquistando cada dia mais adeptos. Frequentada 90% por jovens, tem como filosofia, a evangelização e salvação através da palavra. Para tanto, desenvolve através de seus missionários trabalho com a comunidade, como visitas semanais em orfanatos, asilos e até mesmo dentro dos ônibus e pelas ruas da cidade.

No caso de Adilson Pedro da Silva, 31, esse tipo de trabalho foi fundamental para sua vida. No ano de 2000, ele foi abordado por um missionário da Tribo de Judá. Ele estava armado e prestes a cometer um assalto.

"Inicialmente achei que era um interessado em vender ou comprar droga e passei a prestar atenção", esclarece. Ocorre que ele foi convidado para participar de um acampamento que oferecia cinco refeições por dia e não pensou duas vezes para aceitar. "Eu fui pela comida, mas a convivência e a palavra mudaram meu caminho", destaca.

Hoje Adilson é pastor e desenvolve um trabalho direcionado para drogados. É casado, tem um lar e é bem sucedido dentro daquilo que escolheu.

Na igreja de Marília, são cerca de 400 seguidores que integram a comunidade, maioria de 15 a 30 anos, já nas outras quatro unidades, Garça, Pirajuí e duas em São Paulo, dividem outros 500. Ao todo, sete pastores comandam os trabalhos.

Católicos querem atrair os que estão "fora" da igreja

Jovens católicos de todas as igrejas que compõem a Diocese de Marília estão cada vez mais atuantes e envolvidos em ações para a comunidade. Juntos, lutam para atrair mais representantes para dentro das igrejas, criando opções de lazer e mobilizações.

Fabiano Correia Rodrigues, 26, começou a frequentar a igreja aos 23 anos e se tornou coordenador dos grupos de jovens da paróquia Santa Antonieta.

Com o objetivo de atrair o maior número de adolescentes que estão "fora" da Igreja para a evangelização, ele passou a envolver-se cada vez mais em missões através de estudos, ofertas e participação em atividades.

No caso de Juan Paulo Santana de Souza, 15, uma dessas ações, um retiro realizado na escola que estuda, foi determinante para que passasse a integrar o Grupo Filhos do Céu da Paróquia Santa Antonieta que integra a Comunidade Santa Edwiges.

Há três meses do início de sua evangelização, Juan reconhece as mudanças em sua vida. "Antes eu bebia, chegava tarde em casa e dava muita preocupação para minha mãe, hoje eu não faço mais nada disso", esclarece.

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