Campanha com viés voltado à religião tem sido um dos trunfos dos candidatos

Políticos usam religião para alavancar nome no ABC

Atualizado: Segunda-feira, 23 Janeiro de 2012 as 10:28

A campanha com viés voltado à religião tem sido um dos trunfos dos candidatos para arrebanhar não fiéis, mas votos durante a época de eleição. Tendência forte nas últimas disputas municipais, a promessa é que no pleito de outubro a importância seja a mesma.
Especialistas ouvidos pelo Diário garantem que os setores religiosos podem influenciar um processo eleitoral. "Sempre procura ter influência no andamento do pleito. Mas varia de acordo com o município. Nas regiões metropolitanas é mais comum", analisou o cientista político Rui Tavares Maluf.
No Grande ABC, diversos prefeitos eleitos conseguiram deixar seus adversários no retrovisor com apoio da religião. No páreo de 2004, Clóvis Volpi (PV) aparecia em terceiro lugar nas pesquisas. Começou, então, sua peregrinação por igrejas evangélicas da cidade. Sua sorte virou e foi eleito. A classe também foi essencial para a reeleição em 2008.
Durante evento de prestação de contas do seu governo, no ano passado, o verde chegou a cantar uma famosa música entre os evangélicos. Ao justificar a razão da sua escolha, Volpi disse que a canção sempre o emocionou e marcou as visitas que realizou nos templos protestantes durante a campanha.
O seu indicado para concorrer à sucessão, o vice-prefeito, Edinaldo de Menezes, o Dedé (PPS), deve manter a mesma postura de boa vizinhança, principalmente, porque o pré-candidato ao Paço pelo PMDB Saulo Benevides é filho de pastores.
No segundo turno da eleição de 2008, em Santo André, Aidan Ravin (PTB) contou com apoio de diversas paróquias para conquistar sua primeira vitória numa disputa majoritária. Posteriormente, ele alçou um padre em seu primeiro escalão. Antonio Francisco Silva, até então sacerdote da Paróquia Nossa Senhora da Salete, foi nomeado secretário de Inclusão Social em 2010. Ele permanece no cargo até hoje.
PARLAMENTO
O professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Rodrigo Estramanho de Almeida amenizou as influências da religião no pleito. "São diversos fatores que contribuem para eleição de um candidato. A religião não é decisiva."
O docente ressaltou que a religião tem peso maior na concorrência por uma cadeira na Câmara. "Nos cargos proporcionais ele podem ser eleitos por um grupo, para representar determinada parcela", salientou.
A cada eleição cresce o número de candidatos ligados a alguma instituição religiosa. Em 2010, a bancada evangélica cresceu 47% no Congresso Nacional e conta atualmente com 63 deputados federais e três senadores.
Ao mesmo tempo em que a religião pode ser uma aposta de um candidato, também tende a ser uma pedra no caminho caso o discurso fique polarizado. "É saudável se aproximar dos setores ao longo da campanha. Aparecer e defender a postura da liberdade religiosa", aconselhou Rodrigo.
Tavares ressaltou que o tema debatido na ocasião da campanha é o que vai desequilibrar um candidato com os religiosos. "Vai depender do que está na mesa naquele momento."
Na campanha presidencial de 2010, a descriminalização do aborto foi um dos temas centrais do primeiro turno. A campanha de José Serra (PSDB) explorou a ideia de que Dilma Rousseff (PT) era favorável à interrupção da gravidez. Segundo levantamentos, a petista perdeu 25% de votos religiosos em 3 de outubro, data da primeira etapa da eleição.
 Por candidatura, vereador estuda tirar ‘Irmão' do nome
 O vereador de Mauá Ozelito José Benedito, o Irmão Ozelito (PTB), afirmou que são grandes as chances de mudar seu nome político. Pré-candidato ao Paço nesse ano, o parlamentar pretende utilizar somente Ozelito na campanha.
A ideia é desvincular sua imagem como representante de uma só classe religiosa, no caso, a evangélica. O petebista é frequentador da Assembleia de Deus e foi eleito com apoio e voto dos fieis.
 "Quem se dispõe a pleitear uma vaga majoritária não pode se restringir dessa maneira, pois o estado é laico", justificou o vereador. "Sou evangélico e não escondo isso de ninguém."
A possibilidade de tirar o "Irmão" do nome político, segundo ele, vem desde o ano passado, quando ele saiu candidato a deputado estadual. Na ocasião, teve 24.021 votos. "A probabilidade nesse ano é clara."
A decisão, contudo, deve sair somente meses antes do início da campanha, em julho. "Vai depender de muita conversa com a base e pretendo fazer uma pesquisa", afirmou.
 A base evangélica de Ozelito já despertou atenção dos seus adversários. A deputada estadual Vanessa Damo (PMDB), que também é pré-candidata ao Executivo, deu pontapé em diálogo com o parlamentar sobre a possibilidade de ele ser vice na chapa peemedebista.
A análise é que Ozelito tira votos de Vanessa no reduto evangélico. Porém, o vereador está disposto, à princípio, a alcançar sucesso em voo solo.

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