Canções de alegria e canções de tristeza

Não quero cantar canções de alegria quando é tempo de cantar canções de tristeza

Atualizado: Sexta-feira, 23 Agosto de 2013 as 12:36

alegria x tristezaChega de gritos retumbantes, chega de danças, chega de algazarra, chega de foguetadas, chega de balões coloridos, chega de música estridente, chega de vinho! De hoje em diante, vou misturar o barulho com o silêncio, a alegria com o choro, as miragens mirabolantes com a contemplação, a súplica com a adoração, as ações de graças com as lamentações, as canções alegres com as canções tristes. Pois a Bíblia diz que há tempo para tudo. Por exemplo, “tempo de ficar triste e tempo de se alegrar” (Ec 3.4). A cultura no meio da qual vivo me ensina a abominar a tristeza e a idolatrar a alegria, embora certa tristeza seja mais nobre que certa alegria.
 
Estou aprendendo a reservar o momento certo das canções alegres e o momento certo das canções tristes com o profeta Ezequiel. É ele mesmo que conta a sua experiência: “O Senhor Deus me mandou cantar uma canção de tristeza a respeito de dois reis de Israel” (Ez 19.1).
 
O Senhor o mandou cantar uma canção de tristeza e não de alegria por causa do momento histórico pelo qual passava o povo eleito. A tomada de Jerusalém estava próxima. Faltava pouco tempo para o templo do Senhor ser queimado e profanado. Muito breve as crianças morreriam de fome nas esquinas das ruas ou seriam comidas pelas próprias mães, que perderiam o juízo por causa da fome, e a morte subiria pelas janelas e invadiria os palácios e acabaria com a vida de muita gente (Lm 2.19-20; Jr 9.21).
 
A canção de tristeza que o profeta cantou dizia respeito a uma leoa que criou dois leõezinhos e os ensinou a caçar. Depois de muitas façanhas, os dois filhotes caíram numa armadilha, foram colocados numa gaiola e conduzidos para o rei da Babilônia. Era uma alegoria que fazia referência aos reis Jeoacaz e Joaquim, que foram levados como prisioneiros respectivamente para o Egito e para a Babilônia.
 
Ezequias viveria o suficiente para assistir à desgraça dos dois leõezinhos, ao cerco e à destruição de Jerusalém no ano 586 antes de Cristo. Não era possível cantar a canção da alegria! Ele e mais algumas pessoas cantariam então a canção da tristeza. O livro de Ezequiel registra: “Esta é uma canção de tristeza que tem sido cantada muitas vezes” (Ez 19.14).
 
Anos depois da tomada de Jerusalém, aqueles que levaram os judeus como cativos para a Babilônia pediam que eles cantassem as suas canções. Mas eles se negaram e disseram: “Mas, em terra estrangeira, como podemos cantar um hino a Deus, o Senhor?” (Sl 137.4). Ainda não tinha chegado para eles o tal tempo de se alegrar e de dançar. O tempo era de ficar tristes e de chorar.
 
Com a ajuda de Deus, vou parar de dançar quando a minha situação, a de minha família, a de minha igreja e a de minha nação for de ficar triste e chorar. Preciso me exercitar na arte de derramar lágrimas quando as coisas vão de mal a pior e quando o abismo está bem à minha frente!
 
Como seria possível dançar as valsas de Strauss tanto no “bunker” de Adolf Hitler como no campo de concentração de Auschwitz? 
 
 
- Elben M. Lenz César

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