Capitão Lúcio mantém a fé apesar de piadas

Capitão Lúcio mantém a fé apesar de piadas

Atualizado: Terça-feira, 11 Maio de 2010 as 3:35

Em campo, ele é chamado de xerife e tem um ar de guerreiro e durão. Em casa, é o marido dedicado da Dione e o paizão da Vitória, do João Vitor e da Valentina. Nascido Lucimar Ferreira da Silva, em Planaltina (DF), em 8 de maio de 1978, o zagueiro e capitão da seleção brasileira de futebol, Lúcio, teve o primeiro contato com a bola aos sete anos de idade. O exemplo de raça e determinação vem da mãe, dona Olindina.

Está indo para a terceira Copa do Mundo. Pela seleção brasileira, foi pentacampeão em 2002 e campeão da Copa das Confederações em 2005. Fez história na Alemanha quando atuava pelo Bayern de Munique e, ainda hoje, faz parte das lembranças dos torcedores que aprenderam a admirar o futebol da garra e da determinação. Atualmente, está no Inter de Milão, na Itália, e disputa a o título da Liga dos Campeões da Europa contra o Bayern de Munique, seu antigo clube, no próximo dia 22, em Madri. Hoje, mais uma vez, ele foi convocado pelo técnico Dunga para disputar a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul, que começa em 11 de junho. Nesta entrevista ao CPAD News , ele fala da comunhão com Deus, da relação com a família e da expectativa para a Copa 2010.

- Como foi sua infância em Planaltina/DF?

Lúcio: Foi uma infância normal, como a maioria dos brasileiros. Venho de uma família humilde, mas fui feliz aí também (sempre nos campos e quadras de futebol !). - Qual a participação da dona Olindina?

Lúcio: Minha mãe é uma guerreira, nunca fugiu da responsabilidade e sempre lutou muito para nos dar o melhor e nos educou muito bem. Tenho muito orgulho dela. - Em que momento percebeu que o futebol fazia parte da sua vida?

Lúcio: Desde criança sonhava ,mas não tinha ideia que iria chegar assim tão longe! Quando fui chamado para jogar no time da cidade, o Planaltina, esse sonho ficou mais forte e foi crescendo. - Como é a sua relação pessoal com Deus? O que Ele representa para você?

Lúcio: Procuro ter uma relação diária com Deus porque sei que Ele sabe o que é melhor pra mim em todas as situações. Ele representa vida, amor e paz, nossa salvação, que nos ama incondicionalmente e nos faz felizes. Quando adolescente fui com minha mãe à igreja e comecei minha caminhada com Cristo, mas só fui batizado em 1998, no mesmo ano que casei. - Depois do seu encontro com Jesus, qual foi o momento mais marcante na sua vida?

Lúcio: A melhor coisa que te aconteceu na minha vida, foi meu casamento. Dione é uma grande companheira. Ela foi fundamental para minhas conquistas profissionais e pessoais, ou seja, sem ela, não chegaria onde estou. Foi com certeza a melhor coisa que me aconteceu, além dos meus filhos Vitória, João Vítor e Valentina. Ela me ajuda muito no dia-a-dia e também no meu trabalho, me motiva e procura estar sempre do meu lado. Não sei se estaria aqui mesmo sem ela, mas sou mais feliz com ela do meu lado. - Profissionalmente, qual foi o momento mais marcante?

Lúcio: A conquista da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira em 2002 realmente impactou minha vida e carreira, pois representou transformação e superação para o grupo. - Como você lida com a fama?

Lúcio: Eu tento manter meus pés no chão o máximo possível, pois é passageiro, mas o reconhecimento do nosso trabalho, sem dúvida me deixa feliz. - Você já ganhou alguém para Jesus no meio em que trabalha?

Lúcio: Já sim, mas para mim, o importante é lançar a semente e deixar o Espírito Santo convencer as pessoas do caminho a seguir. Tudo que faço é pra Deus e acredito que as pessoas percebem e podem assim serem conduzidos a Cristo. - Já sofreu alguma discriminação ou perseguição por ser evangélico?

Lúcio: Isso é normal. Se Jesus, que era santo foi perseguido, imagine nós. Sempre acontece de algumas pessoas contarem piadas ou zombar, mas sei que Deus é superior a tudo isso e isso não vai mudar a minha fé. - Como os seus amigos de trabalho veem você como cristão? Eles pedem que você ore em alguma situação?

Lúcio: Tenho um relacionamento normal com meus colegas e sei que me veem com bons olhos e em algumas situações é fundamental Deus entrar no meio. - Você se tornou um ídolo da torcida alemã por conta dos vários títulos. Qual é a receita de se manter humilde em meio ao sucesso?

Lúcio: Para mim a receita é aprender com Deus: Ele nos diz que tudo é passageiro. - Em ano de Copa do Mundo, eleições, e num momento em que o Brasil foi escolhido para sediar uma Olimpíada e uma Copa, o que ainda falta para sermos o país que sonhamos?

Lúcio: Sempre temos que melhorar e em nosso país não é diferente. São eventos que estarão sendo vistos em todo o mundo e sem dúvida a infra-estrutura precisa estar melhor que hoje. - Sabemos que na seleção há muitos jogadores cristãos. É comum vocês terem momentos de culto juntos?

Lúcio: Graças a Deus temos muitos jogadores evangélicos na Seleção; respeitando os horários e programação, há sempre um dia na semana em que estamos juntos lendo a Bíblia e orando. - Quais os desafios e dificuldades que o cristão enfrenta no mundo do futebol?

Lúcio: Penso que isso é muito particular. Para mim é manter o equilíbrio em meio a tantas coisas... assédio, fama, dinheiro... Creio que a sabedoria que vem de Deus é fundamental para se alcançar esse equilíbrio. - Em campo, você é o capitão, o xerife... Mas, no dia a dia, você é bem tranquilo. Costuma dar conselhos aos outros jogadores?

Lúcio: O melhor exemplo é no dia-dia, o que se vê. Então, procuro dar um bom exemplo, ser amigo e claro, se puder ajudar de alguma forma, o farei. - Como é ser o capitão da Seleção em ano de Copa?

Lúcio: Ano de Copa sempre traz uma ansiedade boa e como capitão isso fica mais forte. Peço a Deus sabedoria e inteligência, pois é a competição mais importante do futebol. - Qual a expectativa desse grupo para a Copa da África do Sul?

Lúcio: Esta está sendo uma caminhada excelente na Seleção e estou feliz com isso. Sempre muda alguma coisa, só o que não muda é a expectativa sobre o desempenho da Seleção. O estilo do Dunga é sério, de muito trabalho e que procura formar um grupo forte de jogadores. A Seleção hoje tem muita experiência, com vários jogadores que já jogaram uma Copa do Mundo, o que ajuda bastante. - Está preparado para levantar a taça da Copa?

Lúcio: Acho que o fundamental é nossa Seleção entrar na Copa concentrada e com muita vontade de ganhar. Não penso muito em como vai ser levantar a taça e, se isso acontecer, vai ser espontâneo. - Você considera o Brasil favorito?

Lúcio: O Brasil tem uma grande tradição, porém com Espanha, Inglaterra, Argentina e França em Copas, sempre surgem surpresas. - O que o Brasil deve fazer para ganhar esta Copa?

Lúcio: Em primeiro lugar pensar em subir um degrau de cada vez, partida por partida, pois possui um grupo forte e de qualidade.

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