Carlos Bezerra Jr. pede engajamento cristão contra exploração

Carlos Bezerra Jr. pede engajamento cristão contra exploração

Atualizado: Terça-feira, 29 Novembro de 2011 as 8:51

Após a seqüência de denúncias que revelou a utilização de trabalhadores como escravos na capital e no interior paulistas, o deputado estadual Carlos Bezerra Jr. chamou as maiores marcas citadas nas investigações para depor na Assembleia Legislativa. Vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, o parlamentar liderou os trabalhos da Casa no combate a esse crime e chamou a presidência da grife espanhola Zara e a direção da rede de lanchonetes McDonald’s para dar explicações sobre exploração de mão de obra.

Por mais de três horas, o deputado questionou os representantes das multinacionais em duas sessões. “Não lhe causou espanto ter constatado que, ao mesmo tempo em que o lucro aumentava, a folha de pagamento diminuía?”, insistiu, perguntando ao presidente da Zara, Enrique Huerta Gonzaléz.  Na linha de produção da empresa, uma só máquina de costura produzia 15 mil peças de roupa por mês.

 “Estamos diante de grave desrespeito aos direitos humanos. Temos jornadas de trabalho ilegais, vencimentos abaixo do permitido e tudo isso está sendo tratado com naturalidade, como se nada fosse”, condenou Bezerra Jr., falando à direção do McDonald’s. No braço brasileiro da rede alimentícia, 88% dos empregados tem menos de 18 anos. Ex-funcionários também foram à reunião da comissão, prestaram depoimento e apresentaram seus holerites – que, em alguns casos indicavam valores de R$ 90.

Uma sucessão de reportagens acompanhou as ações de Carlos Bezerra Jr. As principais redes de televisão, jornais, emissoras de rádio e sites do país abriram espaço para noticiar a iniciativa. TV Globo, TV Bandeirantes, Rádio CBN, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Veja, Época, além dos portais R7, da Record; G1, da Globo; e UOL. Todos deram destaque ao empenho do deputado no enfrentamento do trabalho escravo em SP.

No entanto, segundo Bezerra, a repercussão na imprensa precisa sensibilizar os evangélicos para o problema. “Esse crime é também uma afronta ao nosso Criador. Nós, evangélicos, cremos numa fé que liberta o espírito, sim, mas que liberta também das injustiças e opressões. Se essa fé não nos levar a ação pelos mais frágeis, ou seja, se não vier acompanhada de obras, de nada valerá, será morta”, afirmou.

Abaixo-assinado da Fale pede CPI

A ong cristã Fale, de mobilização e engajamento social, divulgou abaixo-assinado com manifesto pela instauração imediata da CPI do Trabalho Escravo, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O pedido para abertura de investigações, de autoria de Carlos Bezerra Jr., está em condições de ser aprovado. “Cremos que quando um homem ou mulher é aviltado em sua dignidade, é o próprio Deus que é desonrado. Lembramos que o trabalho dos senhores é ‘... defender os indefesos, para assegurar que os prejudicados tenham uma oportunidade de justiça. O trabalho de vocês é proteger os fracos, perseguir os que os exploram (Salmos 82.3-4)’”, define o documento, cobrando os parlamentares.

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