É carnaval, beija ou não beija?

É carnaval, beija ou não beija?

Atualizado: Quinta-feira, 3 Março de 2011 as 1:12

Placa na entrada de um salão de carnaval: Aqui pode beber, pode fumar, pode pular, só não pode beijar escandalosamente. O resultado foi um salão praticamente vazio e os foliões indo procurar outro lugar para pular o carnaval. Essa história é real, surpreendente e ensinadora.

Esperar por moralidade numa festa que propaga o contrário é, no mínimo, esquisito. Por outro lado, esperar o quê de quem já bebeu e fumou à vontade? E quanto ao beijo, o que é um beijo escandaloso? Cada um tem uma particular  resposta. Mesmo com estes questionamentos, a placa continua parecendo uma relíquia do passado. Explico. Beijar tornou-se prêmio e conquista banal. A atual geração não precisa esperar o carnaval para caçar bocas. Toda festa, balada, rave e agito, tem. O carnaval é só o clímax da libertinagem praticada o ano todo.

É época de ouvirmos repetidas frases: Quero me acabar na avenida!, Vou soltar todos os meus demônios!, É hora de liberar geral!, Vou cair na folia!, É carnaval e ninguém me segura! Esse é o clima. O clima do pode tudo, nada é proibido, liberou geral. Aí, de repente, surge uma placa querendo evitar beijos escandalosos. Os foliões leram, releram, não acreditaram e foram procurar outros bailes. Mas a pergunta os perseguiu: Como assim? Não posso beijar escandalosamente, mas posso beber quanto quiser? Não entendi...

Até foliões têm suas regras, eles sabem o que podem e o que não podem. E beijo, certamente, não está na lista das coisas que não podem. As causas são bem mais antigas. A liberação atual começou há décadas. A cada ano o escracho com a ética e a estética vem sendo maior. Muitos adolescentes que respeitavam pais e professores, hoje xingam os primeiros e chutam os últimos. Alguns psicólogos, às vezes chamados de vanguarda, talvez formados em algum campus pós-moderno com vodka rolando, com selinhos lésbicos, homos e héteros sobrando, com maconhazinhas se multiplicando, disseram que a juventude não pode ser contrariada para não se correr o risco de gerar traumas. Ah, tá. Assim foi, assim está e agora agüenta.

Choro por ver uma geração tão linda e repleta de oportunidades, facilidades e tecnologias, se atolando em processos, pressões e esquemas tão poluídos. Chegou o carnaval. Falta pouco, mas a quarta de cinzas também chegará. Este é o lado irônico desses dias. Tem a festa que vale tudo, e na sequência também tem as cinzas para enterrar as ressacas, os arrependimentos, os abusos, as loucuras. A vida é assim, faço o que quero com ela, até que ela faz o que quer comigo. Abuso das regras e termino nas cinzas.

Pregar o que é correto não torna uma pessoa moralista, afirmou Juca Kfouri em resposta a Victor Birner no Cartão Verde da TV Cultura desta semana. Birner quis ser simpático e acabou sendo deselegante. Logo no Boa Noite inicial soltou a pérola: É um prazer estar ao lado de Juca Kfouri, o moralista. Concordo com a resposta do Juca, principalmente por ser ele o jornalista que é, defensor da transparência e do bem para o futebol, sempre com grandes porcentagens de coerência.

Que nos acusem, tudo bem. Mas não somos moralistas. Apenas pregamos o caminho, Jesus Cristo. Só para se ter uma ideia, caso a cidade que moro seguisse este caminho, a prefeitura não precisaria distribuir nos pontos de carnaval, gratuitamente, 400 mil preservativos. Projetando para o Brasil, o governo também não precisaria gastar os milhões que gasta com as DSTs, enfim, muita coisa seria diferente.

Ainda estamos sem respostas, beijar ou não beijar? Vou recorrer à placa. Álcool não faz bem para ninguém, fumo também não, ir além dos limites físicos é perigoso, escândalos são sempre vexatórios e destruidores. Eu tentaria fugir de tudo isso. Minha esposa já foi uma garota que eu olhei e me interessei sem nem saber seu nome. Depois foi minha namorada, e noiva, e esposa, e mulher, e mãe, e companheira, e amante, e... Da mesma forma evoluiu nosso beijo, sem escândalo, mas com paixão, amor, vida, prazer, desejo, intensidade e privacidade. Tudo tem seu tempo. E beijo faz parte deste tudo. O tempo para cada tipo de beijo chega. Entendeu?

Paz!

Pr. Edmilson Mendes

Edmilson Ferreira Mendes   é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: "Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

Contatos com o pastor Edmilson Mendes:

www.mostreatitude.com.br  

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