Casa do Oleiro atende homens dependentes químicos maiores de 18 anos

Casa do Oleiro atende homens dependentes químicos maiores de 18 anos

Atualizado: Segunda-feira, 3 Maio de 2010 as 2:17

As drogas vêm consumindo a cada dia mais e mais pessoas de diferentes faixas etárias. De acordo com dados da Polícia Militar, a cidade possui 110 pontos de vendas de entorpecentes, que diariamente faturam em média R$ 20 mil. Entrar no mundo das drogas é fácil, normalmente são os amigos quem mostram o caminho. Infelizmente sair deste mundo nem sempre é fácil, requer muita perseverança, vontade e amor própria, aliados a ajuda especializada. Barretos conta com um local para recuperação, a Casa do Oleiro, na rodovia Assis Chateaubriand, Km 84,5, que assiste a homens, maiores de 18 anos.

O local que começou por meio do Conselho de Pastores de Barretos para ser um centro de triagem que verificaria a necessidade da cidade possuir um trabalho com dependentes químicos, tornou-se há três anos e meio local para recuperação, hoje presidido pelo pastor André Soares Saba, da Igreja Batista Ministério Nova Dimensão, que dá apoio às atividades.

Espaço e recursos

O espaço, bastante amplo, tem capacidade para 50 internos, no entanto, por necessitar de reformas e adequações (o que vem ocorrendo por meio dos recursos da Nota Fiscal Paulista), a direção da Casa prefere trabalhar com até 30 pessoas, oferecendo 20 vagas gratuitas e 10 particulares. Para se manter, a Casa tem desde julho de 2007 convênio com a Prefeitura de Barretos, que repasse parte do custeio de 20 internos.

Doações espontâneas, mantenedores mensais que contribuem com o valor desejado, eventos promovidos pela Casa, serviço de telemarketing são outras fontes de recursos. Cada interno custa para a Casa entre R$ 800 a R$ 1mil. "Os encaminhados pela Prefeitura não pagam nada, se for particular pedimos a ajuda de um salário mínimo", comenta Isabel.

Atualmente 20 homens estão na Casa, dois particulares, o restante encaminhado pela Secretaria de Saúde, após passarem por triagem. O tratamento do dependente dura 12 meses, nos primeiros sete ele não pode sair da casa, o que só é liberado aos nove meses. "Se aos sete meses, ele encontrar um trabalho pode sair, o mesmo acontece se deixar ficar com a família", explica a psicóloga Isabel Cristina Santos Martins Luciano.

"Só trabalhamos com dependente químico, se a pessoa tiver outra enfermidade que exija cuidados especiais de um médico ou enfermeiro, por exemplo, não internamos", detalha o também psicólogo, Vitor Santos Luciano Filho. "Temos várias atividades, laborterapia (horta), oficina sócio-educativas, atividades físicas, dança, teatro, programa para a melhora da qualidade de vida - para que quando saiam saibam como se portar com a família, no trabalho - oficina de espiritualidade", completa.

A Casa possui um psiquiatra, dois psicólogos, monitores, cozinheira, seguranças, técnicos de enfermagem, todos pagos pela instituição. Os psicólogos também ajudam as famílias dos dependentes, orientando-a e explicando sobre o problema e como pode ajudar ao interno. As visitas são quinzenais, aos domingos à tarde.

Internos:

(os nomes são fictícios)

José, 26 anos, é natural da capital paulista. Está na Casa há seis meses. Falador diz que primeiro conheceu a bebida, indo posteriormente buscar coisas maiores. O crack chegou após o rompimento com uma namorada. "As drogas mudaram meu comportamento, fiquei estúpido, agressivo, não queria trabalhar. Ficava fora de casa me drogando, quando estava debilitado voltada para casa", conta o rapaz, que há seis anos não mantém contato com os familiares.

A Festa do Peão, trouxe José chegou para Barretos. Aqui as coisas não foram como imaginou. O fim do túnel veio quando procurou ajuda no serviço de assistência social da Prefeitura que o encaminhou a Casa. "Veio a vontade de mudar e aqui aprendi a lidar com meus sentimento, a os controlar", fala o rapaz que afirmar ter sonhos a realizar.

João, 33 anos, de Barretos, está na Casa há sete meses, e pretende ficar até o final do ano, mesmo após a liberação do tratamento, trabalhando como voluntário. "Quero ajudar, aqueles que me ajudaram", diz.

O homem que ajudava o pai no comércio da família, padaria, se envolveu com drogas por meio de amigos usuários. Aos poucos foi se desfazendo dos equipamentos de trabalho, até que este teve um fim. Em oito anos de uso de entorpecentes, esta é a quarta internação de João, que diz ser a última. Em uma das saídas anteriores, se casou. "Levei minha ex-mulher ao vício, para que não brigássemos, dizia a ela como era bom", recorda. A ex-mulher se libertou do vício e hoje está casada com outro. O apoio da família não deixa João desistir.

Com 21 anos, o barretense Zeca começou a usar drogas aos 18 anos, o tal "mesclado" - uma mistura de crack com maconha, que conheceu por meio de amigos. O uso era esporádico, com a morte do pai passou a ser constante, até que um dia procurou a delegacia de polícia e foi encaminhado a Secretaria de Saúde e depois a Casa do Oleiro, onde está há dois meses. "Estão me ajudando, sou ensinado sobre coisas importantes, vendo que droga é um inimigo verdadeiro. Aprendendo a fazer a escolha certa", finaliza.

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