Casamento coletivo fortalece laços familiares e cristãos em presídio

Casamento coletivo fortalece laços familiares e cristãos em presídio

Atualizado: Sexta-feira, 26 Novembro de 2010 as 8:40

O Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC), em Campo Grande (MS), foi palco de uma cerimônia de casamento coletivo de detentos na manhã desta quinta-feira (25). A iniciativa foi solicitada pela Igreja Batista e organizada pela equipe psicossocial do presídio, objetivando o fortalecimento dos laços familiares.

Ao som da marcha nupcial, quatro reeducandos e suas companheiras pisaram no tapete vermelho rumo ao altar, improvisado no auditório da unidade penal, para a oficialização de seus relacionamentos iniciados fora dos muros do presídio.

Apesar do cenário nada convencional, os casamentos foram celebrados tanto no civil quanto no religioso. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo pastor Marcos Ricci, da Igreja Batista. Para o casamento civil, todos procedimentos legais foram encaminhados anteriormente, e a união foi oficializada com a assinatura dos noivos.

Ao serem questionados sobre o significado do casamento, a resposta foi praticamente unânime entre os quatros casais: “é o começo de uma nova vida”. Para E.M.F, 35 anos, o casamento “é uma grande satisfação, porque fortalece a união”. Segundo ela, apesar dos oito anos de relacionamento e uma filha dessa relação, agora se sente mais segura. “Penso que agora nossa vida juntos vai ser melhor”, comentou.

Com uma união de quatro anos com o reeducando P.O.A , do qual nasceu uma menina hoje com três anos, E.P.P, 28 anos, acredita que a oficialização da família trará mais dignidade à relação: “É diferente quando você é casada, até para os filhos melhora, quando podem falar que o pai e a mãe são casados”. Já seu esposo afirmou que com o casamento as responsabilidades são maiores e que é necessário um nova postura. “Agora muda tudo, quero sair daqui e assumir minha família, não posso mais errar”, garantiu.

Nova Criatura Durante a cerimônia de casamento coletivo, que foi acompanhada por internos das “celas evangélicas”, o pastor Marcos Ricci falou do trabalho da religião na unidade penal e do projeto “Casa de Apoio Nova Criatura”, que dá abrigo a egressos do sistema prisional e encaminha para o mecardo de trabalho. Como o próprio nome já diz, para participar da iniciativa é preciso “se transformar”, pois não é permitido o uso de drogas e é necessário que os egressos abandonem totalmente o mundo do crime.

Na opinião do diretor do EPJFC, João Bosco Correa, a religião tem exercido uma importante ajuda na recuperação dos internos. Segundo ele, reeducandos que passam a participar de denominações religiosas, apresentam bom comportamento. “Tenho casos até de internos que eram problemáticos, envolvidos em tentativas de fuga, e que depois que conheceram a religião se transformam e têm um ótimo comportamento”, garantiu. “Nas ‘celas evangélicas’, por exemplo, dificilmente registramos casos de indisciplina”, garantiu.

Para o diretor de Assistência Penitenciária da Agepen, Leonardo Arévalo Dias, que participou da cerimônia de casamento realizada no presídio, para o processo de ressocialização de detentos, o sistema prisional precisa ter enfoque em um tripé de ações: trabalho, educação e religião. “E o fortalecimento dos laços afetivos e a valorização familiar contribuem para que esse processo de reinserção social seja completo”, enfatizou.

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