Centro Universitário Adventista realiza inclusão digital na prática

Centro Universitário Adventista realiza inclusão digital na prática

Atualizado: Quinta-feira, 28 Outubro de 2010 as 8:28

A tecnologia se aprimora a cada instante e hoje se tornou uma grande ferramenta de comunicação, rápida e eficaz no mundo inteiro. A inclusão digital é um dos ramos desse avanço, e o objetivo é possibilitar meios para que todos possam adquirir e espalhar o conhecimento através da informação.

Entre as estratégias inclusivas estão projetos e ações que facilitam o acesso de pessoas de baixa renda e portadores de deficiências especiais. Partindo do princípio de que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e as dificuldades para este grupo de pessoas são visíveis, principalmente fator do preconceito, foi criado na região Sul de São Paulo, o projeto de alfabetização digital A Informática na Capacitação Profissional do Deficiente Visual.

Projeto

A iniciativa surgiu do Roberto Sussumu Wataya, professor do departamento de informática de Pós- Graduação do Centro Universitário de São Paulo, visando a atender especialmente à minoria específica de deficientes, subdivididos em cegos totais e parciais ou subnormais. "Na era da informação, as pessoas precisam estar cada vez mais preparadas e o portador de necessidades visuais não é diferente, ele também precisa mostrar suas habilidades e talentos no meio social em que vive. Por isso, a necessidade de investir nesta área", explica Sussumu.

O plano de Capacitação de Deficientes Visuais foi desenvolvido em um dos dez laboratórios do departamento de informática da Instituição e reúne os seguintes tópicos: Tecnologia da Informática Básica; Aspectos do sistema operacional de microcomputador – Windows; Aplicativos do Desktop – editores de texto, planilhas e gráficos e softwares básicos e específicos voltados aos deficientes.

Ferramentas

Para realizar a inclusão digital são necessários três instrumentos básicos: o computador, acesso à rede e o domínio dessas ferramentas. "Não basta apenas o cidadão possuir um simples computador conectado à internet que iremos considerar um incluído digitalmente. Ele precisa saber o que fazer com essas ferramentas", explica o professor.

Com o uso do programa de áudio diferenciado Virtual Vision, que pronuncia cada formação de palavra na tela e o apoio de estudantes dos cursos Ciências da Computação, e ainda do professor Sussumu, a interação das pessoas e dos deficientes visuais é bem mais fácil. O curso, que tem a duração de nove meses, é gratuito e subdividido em sete módulos, estando disponível a toda comunidade, sobretudo a deficientes visuais alfabetizados, maiores de 14 anos.

Desde sua fundação, em 2001, já passaram pelo curso mais de 300 estudantes. As aulas acontecem com turmas separadas de segunda e quarta-feira, terça e quinta- feira, das 13h às 18h e domingo das 7 às 12h, nos laboratórios de informática no próprio Unasp. Durante esses anos, outras iniciativas vinculadas à inclusão digital e reciclagem de computadores, como "finanças pessoais", "tecnologias e produção de livros falados para deficientes visuais" e "inclusão digital para idosos" estão sendo disponibilizados.

Beneficiados

Quem participa dos cursos, seja portador de deficiência ou não, sabe a importância e os benefícios que esse projeto traz à comunidade. Para a massagista, Maria do Carmo, o fato de aprender no escuro é uma forma de ir além das suas limitações. "Eu não sei nada de computação e sou deficiente visual. Mas, estou tão animada para aprender a utilizar a internet, e colocar tudo em prática com meus clientes, parentes e amigos, que não vejo a hora disso acontecer", diz animada.

Por Danúbia França

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