Cerimônia de casamento muda hora de implosão de presídio

Cerimônia de casamento muda hora de implosão de presídio

Atualizado: Sexta-feira, 12 Março de 2010 as 12

A igreja estava agendada há um ano e meio. Passagens e hotel para a lua de mel estavam reservados. Os cerca de 500 amigos e familiares, devidamente convidados e todos os preparativos acertados. Mas, por muito pouco, o casamento de Clara de Miranda Borborema, estagiária de Direito, de 26 anos, com Carlos Roberto Strauss Vieira Júnior, de 29 anos, que trabalha com comércio exterior, não foi ''implodido''.

''Eu fiquei sabendo da implosão pela minha empregada, que tinha escutado no rádio. Mas não dei muita bola'', contou Clara.

A implosão a que a noiva se refere é a de oito prédios do Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no Centro do Rio, que, a princípio, estava marcada para as 11h deste sábado (13). O horário era quase o mesmo do casamento de Clara e Carlos Roberto, que precisaria ser cancelado, já que o local do casório, a 1ª Igreja Batista do Rio de Janeiro, na Rua Frei Caneca, é próximo ao local da implosão, conforme informou o colunista Ancelmo Gois, no jornal "O Globo".

Engenheiro se comoveu com a história

O pai da jovem, José Roberto Borborema, decidiu ir até o presídio. O engenheiro Fábio Bruno Pinto, responsável pela operação, comoveu-se com a história e convidou pai e filha para a reunião com as autoridades sobre os preparativos para a implosão. “Casei há um ano e meio e entendi a situação deles”, disse o engenheiro.

''A última coisa que uma noiva quer é uma implosão ao lado do local do casamento'', disse Clara.

''Eu não aguentava mais ver a minha filha chorando'', recordou o pai da noiva. ''Eu sou cristão e diácono na Igreja Batista. Passei quase a noite inteira de joelhos pedindo a Deus para resolver essa questão'', contou.

As orações dele foram atendidas. Na manhã de ontem (9), pai e filha foram à reunião, na sede da Defesa Civil Municipal. Por alguns momentos, eles achavam que não ia ter jeito. Clara começou a chorar, temendo o pior. Mas o governador Sérgio Cabral, por telefone, deu a autorização para que o horário da implosão fosse atrasado. A operação foi adiada das 11h para 12h15.

Na parte operacional, não vai haver grandes modificações. ''A questão é apertar o botão antes ou depois. Quanto a isso, o atraso não causa problemas. Só tivemos que redistribuir os panfletos aos moradores das áreas próximas com o novo horário'', explicou Fábio Bruno.

''Noiva não vai se atrasar nem um minuto'', diz pai

Um técnico da Defesa Civil Municipal vai ficar na entrada da igreja para garantir que ninguém saia do local no momento da implosão. ''A igreja está longe da área de risco. É impossível algum fragmento atingi-la, mas precisamos isolar a área em um raio de 200 metros'', ressaltou o engenheiro. ''Os convidados só não podem atrasar, pois a Rua Frei Caneca será interditada às 10h15 do sábado'', alertou.

''Esse é um casamento em que a noiva não vai atrasar nem um minuto'', brincou Borborema, pai da noiva, satisfeito com o desfecho do episódio.

''Não vou chegar nem um minuto atrasada. Tenho que chegar na hora. Se bobear, nem eu entro mais'', emendou Clara. ''Só falta isso: eu chegar atrasada e não conseguir casar'', concluiu a noiva, rindo, feliz com seu casamento que, agora, será ainda mais inesquecível.

Por Bernardo Tabak

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