Chuva obriga gaúcha a passar a noite em igreja no RJ

Chuva obriga gaúcha a passar a noite em igreja no RJ

Atualizado: Terça-feira, 6 Abril de 2010 as 12

No fim da tarde passada, quando a chuva que matou dezenas de pessoas no Rio de Janeiro começou, a gaúcha Miila Derzett brincou com uma amiga:

''Vou acabar passando a noite em uma destas igrejas por aí'', afirmou por celular, presa aos congestionamentos e alagamentos na Avenida Brasil, centro da cidade.

A professora de yoga voltava do subúrbio carioca para Copacabana, onde mora, quando as ruas foram inundadas. O que ela havia previsto em tom bem humorado, de fato, aconteceu.

Depois de enfrentar avenidas às escuras, cobertas de água e lama, Miila encontrou abrigo em um posto de combustíveis no bairro São Cristóvão.

'''Havia mais de 50 pessoas no local. Aproveitei para comer sanduíches e beber capuccino. Por volta das 22h, a gerente expulsou todos que estavam lá'', conta.

Na loja de conveniências, Miila conheceu duas jovens que tinham saído de um curso horas antes. Sob uma sombrinha, foi convidada por elas a esperar a chuva passar em um templo evangélico.

''Uma das meninas vestia uma camiseta onde estava escrito: 'Jesus é o único que salva'', descreve.

Acomodada no altar da igreja, a professora passou a noite conversando com as jovens. Horas depois, ainda sob chuva, deixou o templo e voltou para casa em meio ao cenário de caos.

''Dava medo. Chorei e tudo mais, porque parecia que tinha acontecida uma guerra no Rio. Muita sujeira na rua, carros abandonados, sem iluminação e sem segurança'', lamentou.

Por Juliano Rodrigues

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