Cinco prioridades na ação pastoral

Cinco prioridades na ação pastoral

Atualizado: Terça-feira, 10 Dezembro de 2013 as 11:44

pastorNa ação e no trabalho pastoral, temos muitas urgências e enfrentamos situações diversas e complexas. Elas se misturam com os desafios e anseios pessoais de cada líder, com as tantas solicitações familiares e as demandas de seus próprios corações. Diante de realidade tão abrangente e desafiadora em tantos contextos diferentes, que nos chama para uma vida e um ministério relevantes, é muito difícil estabelecer prioridades que nos ajudem a desenvolver uma espiritualidade frutífera onde estamos plantados.
 
Apesar da complexidade e da diversidade de tais relações, podemos sugerir e mapear algumas prioridades. Através delas, sentimo-nos mais estruturados, aptos e disponíveis para sermos usados pelo Senhor, com maior dedicação, na implantação de seu Reino. Um equilíbrio entre as prioridades e uma pertinente flexibilidade naquilo que se apresenta diante de nós pode ser um caminho saudável e propício. Meus mentores me ajudaram muito nesse processo, acompanhando muitas situações que vivi – e ainda vivo.
 
Conhecer ao Senhor e ter intimidade com ele, uma intimidade cultivada pela meditação e oração, é a primeira dessas prioridades. Sem conhecermos seus pensamentos e sua vontade, não teremos condições de conhecer mais de nós mesmos, das pessoas e da sociedade onde estamos inseridos. Um conhecimento não apenas de ouvir falar, mas de vivenciar esta comunhão e amizade no dia a dia. Um conhecimento que traz transformação e cria um terreno fértil e um alicerce forte para o que estamos construindo em nossa vida pessoal e ministerial.
 
A segunda prioridade é conhecer mais de você mesmo. Aprender a lidar com as descobertas, com as virtudes e limitações que temos, pode nutrir esta jornada que certamente nos levará a uma maturidade maior e a um crescimento espiritual qualitativo, trazendo transformações para nosso caráter e personalidade. Conhecer o próprio coração, que é enganoso na avaliação do que é realmente importante, é de fundamental importância – e ajuda-nos a perceber que precisamos do Espírito Santo dentro de nós, trazendo discernimento, sabedoria e coragem para sermos o que precisamos ser como cristãos.
 
A terceira prioridade é buscarmos construir um ambiente saudável e amoroso na família onde estamos inseridos. O cuidado do cônjuge e dos filhos trará para nós não somente cansaço e desgastes pelos desafios no cotidiano, mas água fresca, aroma, sabor, amizade, acolhimento, brilho nos olhos, alegria e, principalmente, amor. Onde existe relacionamentos de verdade, compromisso, transparência e perdão, vamos percebendo crescimento, fortalecimento e beleza. Com isso, ganhamos forças para sermos cristãos mais integrados com a vida e obra de Deus. No lar, temos um ambiente onde não precisamos representar; ali, estamos desnudados, e encontramos uma reserva de paz e espiritualidade na qual recobramos os focos e alvos de nossa jornada.
 
A conexão com a realidade deve ser nossa quarta prioridade. E ela é vital para a ação pastoral. Essa conexão nos torna conscientes do mundo onde estamos inseridos, com todos os seus desafios: uma sociedade complexa em seus problemas, violenta, marcada pela desigualdade social, sucateada de serviços básicos e corrupta em todos os níveis. São muitos os gritos de socorro, grande é o sofrimento e numerosos os sinais de morte presentes nela. Eles ecoam da periferia, do campo, do mundo estudantil e acadêmico, da realidade corporativa, onde precisamos de testemunhas e referenciais do Evangelho de serviço, justiça e amor. Homens e mulheres estão perecendo sem Jesus e sentido na vida.
 
Uma quinta prioridade deve ser o crescimento pessoal do líder e pastor. Tempo, disciplina, agenda e sustento são necessários. Buscarmos aprofundamento, formação em outras áreas, aconselhamento e acompanhamento, dividindo as cargas e desafios emocionais, psicológicos, espirituais e ministeriais, também. Pastores e líderes também precisam ser pastoreados e cuidados. Isso é vital para uma vida no pastorado e na ação ministerial. Não estamos sozinhos no Reino, nem na Igreja. Tampouco devemos caminhar solitários na jornada de serviço e missão. Cabe-nos ter atenção, sabedoria e sensibilidade, e Deus nos capacitará e fortalecerá.
 
 
- Nelson Bomilcar
 

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