Colunista da Veja rebate artigo de Dimenstein sobre gays e evangélicos

Colunista da Veja rebate artigo de Dimenstein sobre gays e evangélicos

Atualizado: Segunda-feira, 27 Junho de 2011 as 11:12

São Paulo é mais gay ou evangélica? A infame e desprezível comparação feita pelo jornalista e colunista Gilberto Dimenstein, em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, na sexta-feira, resultou em duras críticas até mesmo de colegas de profissão.

No texto, ele afirmou que a Marcha para Jesus e os evangélicos têm um ranço um tanto raivoso e não respeita os direitos dos gays, enquanto que os gays usam a alegria para falar e se manifestar.

Para Reinaldo Azevedo (foto ao lado), analista político da revista Veja, o texto de Dimenstein é tolo, preconceituoso e estúpido. “Chego a duvidar que Gilberto Dimenstein estivesse sóbrio quando escreveu essa coluna”, insinuou Azevedo.

Segundo ele, o colunista da Folha resolveu dar mais uma contribuição notável ao equívoco ao comparar os dois eventos. “Sem qualquer investimento voluntário na polissemia, é um texto tolo de cabo a rabo; do título à última linha. São Paulo nem é “mais gay” nem é “mais evangélica”. Dados recentes do IBGE e Datafolha mostram que os cristãos, no Brasil, ultrapassam os 90%, lembrou Azevedo.

Em seu infeliz e boçal artigo, Dimenstein disse ainda que “os gays não querem tirar o direito dos evangélicos de serem respeitados. Já a marcha evangélica não respeita os direitos dos gays, ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade”.

Azevedo foi taxativo: “nenhum evangélico reivindica o “direito” de “desrespeitar direitos” alheios. A frase é marota porque embute uma acusação, como se evangélicos reivindicassem o “direito” de desrespeitar os outros”. Para ele, são os homossexuais que querem tirar o direito dos evangélicos. “Há uma diferença que a estupidez do texto de Dimenstein não considera: são os militantes gays que querem mandar os evangélicos para a cadeia, não o contrário. São os movimentos gays que querem rasgar o artigo 5º da constituição, não os evangélicos”, escreveu.

Para Azevedo o texto foi “falacioso” e intencionou dizer que “os militantes gays são bonzinhos” e “os evangélicos são maus e pretendem tolher a livre manifestação do outro”.

“O tal PLC 122, por exemplo, pretende retirar dos evangélicos — ou, mais amplamente, dos cristãos — o direito de expressar o que suas respectivas denominações religiosas pensam sobre a prática homossexual. Vale dizer: são os militantes gays (e não todos os gays), no que concerne aos cristãos, que reivindicam uma sociedade com menos direitos e menos diversidade”, disse o colunista da Veja.

“Milhões de evangélicos se reuniram ontem nas ruas e praças, e não se viu um só incidente. A manifestação me pareceu bastante alegre, porém decorosa. Para Dimenstein, no entanto, a alegria, nessa falsa polarização que ele criou entre gays e evangélicos, é monopólio dos primeiros. Os segundos seriam os monopolistas do ranço um tanto raivoso”. No fim das contas, ironizou Azevedo, para o articulista, os gays são naturalmente progressistas, e tudo o que fizerem resulta em avanço. Enquanto isso, ele aponta, os evangélicos são naturalmente reacionários, e tudo o que fizerem, resulta em atraso.

Dimenstein escreveu ainda que na Marcha para Jesus há uma relação que mistura religião com eleição, e que por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários.

“Em qualquer país do mundo democrático, questões religiosas e morais se misturam ao debate eleitoral, e isso é parte do processo. Políticos também desfilam nas paradas gays, como todo mundo sabe”, esclareceu o colunista da Veja.  

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