Colunista da Veja volta a escrever sobre linchamento a Marco Feliciano

Colunista da Veja volta a escrever sobre linchamento a Feliciano

Atualizado: Sexta-feira, 22 Março de 2013 as 7:30

 

Reinaldo Azevedo, colunista da Veja online, voltou a escrever sobre o linchamento que o deputado e pastor Marco Feliciano vem sofrendo.
 
No artigo, ele deixa claro que não é a favor de algumas ideias de Feliciano, mas reconhece o preconceito que ele sofre pelo fato de ser evangélico.
 
Confira alguns trechos do artigo de Reinaldo Azevedo:
 
 
felicianoA rigor, isso aconteceu, e se gritou: “Escândalo!”. Um vídeo produzido por aliados de Feliciano acusa seus desafetos, seleciona pronunciamentos polêmicos de deputados que pedem a sua cabeça, aponta uma espécie de marcha contra os valores da família etc. e tal. Algumas falas de parlamentares, selecionadas e descoladas do contexto, podem parecer mais graves do que são. Mas pergunto: fez-se coisa muito diferente com o pastor? Aquele tuíte em que ele teria praticado racismo, por exemplo, foi devidamente contextualizado? Não se tentou atribuir ali a um textinho infeliz um peso que obviamente não tem? Da mesma sorte, indago: ser contrário ao casamento gay é necessariamente expressão de “homofobia”? Em que mundo?
 
 
Eu insisto num aspecto, que fazem questão de ignorar em nome da defesa da “justiça”: há uma grande, uma gigantesca! diferença entre combater o que pensa Feliciano e submetê-lo a verdadeiras milícias. O assédio não se limita ao Congresso. Estão fazendo manifestações em frente aos templos de sua denominação religiosa. Impedem ou perturbam o culto, mas asseguram: “Não é preconceito!”. Não é? Em um dos vídeos, um grupo grita “saravá, saravá…” Pergunta óbvia: se um grupo de evangélicos interromper um culto num  terreiro de umbanda ou candomblé, será ou não acusado de intolerância religiosa?
 
A liberdade existe também para os que pensam de modo diferente; a liberdade existe também para os que achamos poucos inteligentes; a liberdade existe também para aqueles que não julgamos à altura de determinados desafios. E existe a liberdade para que nos manifestemos contra eles, mas dentro do escopo democrático, e o que está em curso há muito rompeu a linha do razoável (ou “rasoavel”, segundo a língua mercadante).
 
 
Se a lógica da reparação de injustiças históricas e do direito das ditas minorais não consegue conviver com a diferença e com a liberdade de expressão, então estamos diante de uma forma particularmente perversa de ditadura. E não! Eu não concordo com o que pensa Feliciano, como todo mundo sabe. Mas eu concordo com o seu direito de dizer o que pensa: na sua Igreja, no Parlamento, na comissão, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé.
 
Observo como arremate que o fato de alguém, exercendo a democracia, dizer coisas que deploro não me faz aderir a suas tolices porque, afinal de contas, nascidas da democracia. Da mesma sorte, o fato de autoritários dizerem coisas com as quais concorde não me faz aderir ao autoritarismo virtuoso.
 
É precioso tomar cuidado com o entusiasmo dos bons linchadores.
 

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