Como o culpado pode ser declarado inocente?

Como o culpado pode ser declarado inocente?

Atualizado: Quinta-feira, 6 Janeiro de 2011 as 2:35

Romanos 1.17 Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

O Evangelho revela a justiça de Deus a todos os que, pela fé, foram considerados justos. Posição que, segundo o mesmo Evangelho, é transmitida por decreto e não pelos nossos méritos.

É pela graça que somos salvos, mediante a fé, e isto não vem de nós, vem de Deus (Efésios 2.8). Nem a fé, que temos é mérito nosso, pois é gerada pelo Espírito Santo. Fé, uma vez implantada, produz energia suficiente para nos transformar em árvores frutíferas.

A fé não é um motor híbrido, impulsionado por vários combustíveis e ligada a diversas fontes de energia.

Paulo sabia que fé sem obras é morta, isto é, não existe. Trata-se de uma árvore sem essência, sem conteúdo: mera casca! Falta para esta fé litúrgica a sua fonte geradora e mantenedora: Jesus! Por isto ela é incapaz de salvar.

Se eu pudesse produzir fé e obras capazes de me salvar, eu seria o meu próprio salvador e a morte de Jesus teria sido o grande erro. Se a variedade, a intensidade e a insistente prática de rituais pudesse me salvar, a morte de Jesus em meu lugar seria totalmente desnecessária. Bastaria praticar e crer na força geradora que existe nos rituais e pronto.

A salvação é iniciativa de Deus e não nossa. Parte dele e não de nós. É uma medalha de hora, mas não ao mérito, mas ao amor gratuito de Deus.

Romanos 1.18 Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça.

A justiça de Deus é imputada e não conquistada, quando admitimos a culpa. Em acirrada oposição contra este plano de salvação, estão os que tentam justificar as suas injustiças com atenuantes do tipo: – Eu estava muito nervoso naquela hora. – Fui pressionado pelas circunstâncias. – Fui provocado até o meu limite. – A minha mentira evitou que grandes problemas ocorressem. – Não sou de ferro.

É aquela velha história: – Explica, mas não justifica! O crime foi cometido, seja qual for a situação que me pressionava naquele momento. A prova está ali: O cadáver, a intriga, a vingança, a incompetência moral, a inveja, o ressentimento, a gravidez, a ambição...

Lembre-se de que não existe um meio de ocultar provas, quando o juiz é o próprio Deus. Nada está encoberto para Ele, sejam estas evidências de caráter objetivo ou subjetivo, visível ou invisível, material ou imaterial.

Minhas explicações só servem para atenuar o meu sentimento de culpa e me justificar perante mim e meus iguais, mas não diante de um Deus que vive no Reino dos absolutos e não dos relativos. A justiça de Deus se manifesta contra todo e qualquer ato de injustiça.

O mais incrível em tudo isto é que o mesmo juiz que, baseado na lei, tem o direito e a autoridade para condenar, oferece libertação àqueles que, ao invés de alegar atenuantes, confessam. Bem diferente de um tribunal humano, onde a confissão simplifica o trabalho de um juiz, oferecendo-lhe argumento suficiente para condenar.

A sua sentença foi proferida no momento em que, admitindo o seu pecado, você recorreu a Jesus, o seu advogado de justiça, que intercedesse junto ao supremo juiz.

No tribunal celestial ocorre mais ou menos este tipo de conversa:

– Pai! Ele admitiu a culpa, mas eu me ofereci para ser condenado em seu lugar. Segundo nós combinamos, a sua confissão o habilita a absolvição total.

Diante disto o Supremo juiz responde: – O que está combinado está combinado. Pode bater o martelo e declará-lo inocente. Neste momento o inferno estremece mais uma vez, como acontece sempre que este veredito é proferido.

Ubirajara Crespo

Ubirajara Crespo   é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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