Conflitos entre casais preocupam as igrejas da Angola

Conflitos entre casais preocupam as igrejas da Angola

Atualizado: Quarta-feira, 26 Outubro de 2011 as 11:28

Responsáveis de instituições religiosas, na província do Cunene, manifestaram-se recentemente preocupados com os casos de conflitos conjugais, que estão a originar a destruição de vários lares. A inquietação foi expressa durante um encontro que reuniu mais de 100 entidades de várias denominações religiosas, inscritas no Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA) e da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), para reflectir sobre os conflitos conjugais, causas, consequências, prevenção e forma de resolvê-los. O reverendo Nsumbo Manuel, da Igreja Evangélica Baptista em Angola (IEBA), instituição que promoveu a palestra, disse que a reunião, em que participaram ainda membros do governo, de formações políticas, autoridades tradicionais, entre outros, surge como resposta aos apelos feitos para se combater o fenómeno.

O religioso referiu que é papel da igreja intervir para apaziguar os conflitos a nível das famílias e outras divergências do quotidiano. “Nos últimos tempos têm acontecido vários casos de violência doméstica, causando perdas de vidas humanas, separando parceiros, o que condenamos”, disse, para salientar que a igreja, diante de tais situações, não pode estar alheia. O líder religioso afirmou que muitos lares não conseguem manter-se por muito tempo, por falta de diálogo e de entendimento entre os parceiros e estes com os filhos, as principais vítimas das separações ou destruições de famílias.

Em relação a outras causas dos conflitos conjugais, o reverendo Nsumbo Manuel admitiu que estas podem ser originadas por factores sócio-culturais. Mas, de um modo geral, são apontadas a falta de comunicação, insatisfação sexual, gestão do dinheiro, o desrespeito e alguns vícios, como o consumo excessivo de álcool e de outras drogas. O reverendo Diogo, da Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA), disse que os conflitos conjugais podem ter várias consequências, com destaque para a separação, cadeia e, até, a morte. O líder religioso referiu que quando, no lar, acontece um conflito, a primeira coisa a quebrar é a comunicação e surge depois o abandono do lar e dos filhos. Por isso, os responsáveis das igrejas concluíram que a melhor forma de prevenir os conflitos entre os casais é evitar as influências externas, devendo cada um cumprir as suas obrigações dentro do lar e compreender sempre o parceiro e não esperar só ser compreendido.

A direcção provincial da Família e Promoção da Mulher aplaudiu a iniciativa, considerando que a abordagem dos conflitos conjugais deve constituir uma reflexão profunda da vida nacional e do cidadão, nos seus múltiplos aspectos. Para a instituição, é muito importante pensar no que se espera quando se constitui família, sendo necessário evitar a formação de casais sem a prévia maturidade. Cada um deve ser responsáve l, disse o reverendo Diogo, da Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA) .

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