Conheça mais sobre Chad Daniel: O Evangelismo radical

Conheça mais sobre Chad Daniel: O Evangelismo radical

Atualizado: Quinta-feira, 28 Julho de 2011 as 3:47

Ele não é comediante, domador de animais nem mesmo garoto propaganda de nenhum produto, mas tem atributos que matariam de inveja os profissionais mais talentosos dessas áreas. Afinal, o evangelista americano Chad Daniel, de 43 anos, abusa do bom-humor, do carisma e de um raro talento para lidar com animais exóticos com o único objetivo de transmitir o Evangelho a jovens e adolescentes. Para tanto, ele já visitou dezenas de países nos últimos 20 anos. Para falar de pecado, oração ou relacionamento com Deus, por exemplo, o pregador usa recursos inusitados em cena e mesmo ao vivo em escolas e igrejas por onde anda. Não raro, ele é visto agarrado a uma cobra ou iguana, o que desperta o fascínio dos adolescentes.

Atualmente, a série de crescimento espiritual desenvolvida por Chad Daniel, a Jovem Bytes, é assistida em mais de mil estações de TV ao redor do mundo e sua transmissão está disponível em 14 idiomas. Segundo o pregador, cerca de seis mil downloads mensais de seus vídeos mais famosos são feitos somente no Oriente Médio. As imagens o mostram saltando em queda livre, empunhando arco e flechas e até espingardas. Para ele é tudo natural: "É uma forma de atrair a atenção dos jovens, para eu poder ensiná-los em bytes (pedaços), aos poucos, e com todos os recursos de mídia, sobre a Palavra", resume. Quando está em casa, Chad, que é casado e pai de três filhos, frequenta com a família a Igreja da Rocha, na cidade de San Bernadino, na Califórnia. A comunidade tem cerca de 20 mil membros. Líder do ministério Jovem Bytes, filiado à missão canadense International School of Ministry (ISOM), Chad veio ao Brasil pela quinta vez em maio deste ano para divulgar o lançamento dos DVDs da série Jovem Bytes e de um manual de estudo, distribuídos no Brasil pela Graça Filmes. O material é destinado a pastores, professores, pais e líderes de ministério que pretendem atrair e ensinar a adolescentes e jovens brasileiros os caminhos de Deus. Com simplicidade, ele conversou com Comunhão sobre abordagem ministerial e uso da mídia na pregação do Evangelho, entre outros temas.

Como e quando surgiu seu ministério? O que o motivou a criá-lo?

A ideia do Ministério Jovem Bytes surgiu há 20 anos. Eu sempre tive uma câmera filmadora e sempre amei animais. E, quando viajava ao redor do mundo, fazia coisas loucas e registrava as imagens para mostrar aos meus amigos. Tem muitas coisas engraçadas, e as pessoas sempre me pediam "mostre mais, mostre mais". Então, comecei a criar, produzir vídeos. Até que, em 1999 eu estava no Cairo, no Egito, e conheci Barrin Guyson, presidente do ministério International School of Ministry (ISOM) [que produz, entre outras coisas, vídeos destinados a alunos de escola bíblica que são distribuídos em 142 países]. Ele sugeriu que eu criasse vídeos para adolescentes e jovens, mas levei cerca de seis anos para conseguir fazer. Na época, eu trabalhava no ministério internacional da pastora americana Joyce Meyer, como fotógrafo e cinegrafista.

Muita gente trabalha com jovens, mas qual é a sua marca, o diferencial do seu ministério? Seria o bom humor?

É a unção. Não foi uma decisão minha. Deus falou para eu fazer esse trabalho. Nós gastamos mais de US$ 1 milhão para compilar todo esse material, e sabe quem apoiou? Ninguém. Meus amigos falaram para mim: "não faça, não gaste seu dinheiro, muitos já tentaram e não deu certo". A razão pela qual nós conseguimos ter sucesso é porque sei que Deus falou para fazer. É só uma fé louca. Por que Deus quer alcançar uma geração? Não partiu do coração de um homem. Tem muitas pessoas boas fazendo coisas fantásticas direcionadas aos jovens por aí afora. E todos eles são meus heróis, porque um homem não é a resposta. É preciso uma comunidade, uma igreja, uma escola para levantar uma adolescente e levá-lo a Deus

. O que é a série Jovem Bytes?

Bom, bytes tem a ver com megabyte, que é uma unidade de medida da informação. Ou seja, os jovens processam informações em pedaços, em bytes. Com isso, você tem que dar um pouquinho, e depois mais um pouco, e depois deixar. Eu brinco com eles: "como é possível comer uma iguana? A resposta é: em pequenos pedaços não é? (risos)". Então, com os jovens e adolescentes é a mesma coisa. Você tem que passar a informação em pequenas partes, mas são pequenas partes da Palavra de Deus. Essa é a estratégia que usamos. Os animais que uso durante meus vídeos, palestras e pregações (cobras, iguanas e aranhas) são divertidos, mas o que realmente importa é a Palavra de Deus que é transmitida.

Você lida com linguagem e tecnologia de ponta. Quais estratégias usadas no passado para comunicar o Evangelho aos jovens você considera ultrapassadas?

Com certeza hoje já não podemos usar mais uma atitude repressiva com esses jovens e adolescentes. Ou seja, no passado, havia uma percepção de que eles eram maus, que eles tinham que ser corrigidos. Acho ainda que essa geração não suporta a religião, a tradição. Isso já não funciona mais. Na verdade, acho que isso nunca funcionou. Digo isso por que, muitas vezes, forçamos os jovens a fazer algo que nós queremos. Hoje, eles dizem "não!". Eles querem ser amados, respeitados, e têm que saber que são valiosos. A estratégia com Jovem Bytes e que nós temos uma sociedade midiática. Para você ter uma ideia, em uma plateia de 800 jovens e adolescentes, perguntei quem tinha Facebook, Twiter e Iphone e todos levantaram a mão. A mídia, a tecnologia, a televisão são a chave. É dessa forma que podemos alcançar milhões desses jovens para Jesus.

Como o Jovem Bytes se encaixa nesse cenário?

O Jovem Bytes é uma ferramenta de discipulado. Não é só um programa de TV. É um material criado para ser utilizado durante um ano, formando adolescentes e jovens. Eu criei para os pastores, professores, pais e avós usarem com eles. Para que eles possam usar essa estratégia midiática, a fim de colocar a Palavra de Deus nos corações dos jovens. Mas aqui tem um segredo: o que faz a diferença no nosso vídeo é que eu uso de tudo para manter a mensagem atrativa para eles, em pedaços. Por isso, as cobras, sapos, armas e aviões. Como usar a velocidade da informação possibilitada por toda essa tecnologia sem perder em profundidade, conteúdo?

É muito fácil. Eu só falo com adolescentes e jovens. Não falo para adultos. Os jovens podem sentar-se na frente da TV, zapear, falar ao telefone e mandar mensagens de texto sem perder a agilidade. Eles podem fazer múltiplas coisas ao mesmo tempo e absorver a informação. Mas você tem que lembrar ainda que a mensagem que eu passo para eles não é minha, é de Deus, é espiritual. Eu falo ao espírito deles e a unção desse programa vai direto ao coração deles. Além disso, eles veem e escutam. É como num filme, quando você consegue ouvir algo e ver as imagens, o impacto é duplo.

Em comparação com os jovens do passado, quais as principais virtudes e defeitos das gerações mais recentes?

Tem muito a ver com a velocidade com a qual eles conseguem captar a informação. Eles nasceram usando a mídia. Não acredito que os jovens de hoje sejam mais rebeldes em relação aos do passado. Eles não têm problemas com autoridade. Eles querem que alguém exerça essa autoridade com eles. O problema maior agora é que eles não têm exemplos para seguir. Muitas vezes os pais são bêbados, divorciados, adúlteros, não se importam com eles. É uma geração sem pais. Creio que, na autoridade da igreja, as crianças têm que obedecer seus pais, mas isso pode ser um problema, especialmente se os pais abusam de seus filhos. Meu trabalho é dar esperanças a eles, é dizer que tudo pode ficar melhor em o nome de Jesus.

Como a igreja pode utilizar o material produzido pelo seu ministério e assim ter sucesso com os jovens?

O que essa ferramenta faz para um pastor, um líder de ministério, um professor ou pais é ajudar a estabelecer verdades fundamentais nos corações dos jovens. A partir daí, eles sabem pessoalmente quem é Jesus e começam a ter experiências com Ele. Tudo o que Deus está procurando é alguém, um pastor, um voluntário, alguém que possa levar essa mensagem do DVD, ler o manual, enfim. Todos os que se dispuserem a fazer isso estarão discipulando esses jovens. Muitos deles vão às igrejas, mas não conhecem a Palavra, não oram, não dão importância às coisas de Deus.

A igreja brasileira sofre com o esvaziamento das Escolas Bíblicas. Os jovens, por dependerem ainda mais do ensino para sua formação espiritual, sofrem os efeitos dessa crise. Uma juventude pode ser sadia espiritualmente sem essa experiência?

Olhe, eu tenho uma opinião sobre isso. Nos Estados Unidos, enfrentamos o mesmo esvaziamento das EBDs, e há uma enorme descrença. Lá, como aqui, no Brasil, as igrejas são fortes. Há milhares de igrejas, uma em cada esquina. Mas isso não quer dizer que todos conhecem Jesus. Se eu for a uma garagem, eu não me torno um carro. A única coisa que muda um adolescente é o poder de Deus, a unção. Quando Jesus entra em um lugar, tudo muda. Foi o que Paulo falou em I Tessalonicenses: "Eu não venho até vocês com palavras eu venho com poder para mudar sua vida". Você não pode dar o que não tem. Você pode ter boa música, linda iluminação, edifícios enormes e super bem construídos para receber todos os membros da igreja, mas se a presença de Deus não está lá, nada vai acontecer. É preciso conhecer esse Pai, conhecer sua Palavra. Por isso, o estudo da Palavra é importante.

Qual a diferença entre o jovem brasileiro e o americano no que diz respeito à fé?

Eu trabalho ao redor do mundo, em lugares onde há diferentes idiomas e culturas. Só trabalho com jovens e posso dizer que, em todos os lugares que vou vejo que os adolescentes são iguais. Eles têm os mesmos problemas, os mesmos pensamentos, mas o Espírito de Deus, todas as vezes, faz a mesma coisa. Mas os jovens do Brasil têm algo em particular. Eles têm temor a Deus, mesmo aqueles que não servem a Deus. Eles são muito espirituais. Nos Estados Unidos, os jovens não têm esse temor a Deus. Esta é a quinta vez que venho a este país e já falei para milhares de jovens e adolescentes daqui. E percebo que toda vez que o Espírito Santo está presente nas reuniões todos eles respondem. O brasileiro é muito sensível à presença do Senhor.

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