Connecticut: a crônica de uma tragédia anunciada

Connecticut: a crônica de uma tragédia anunciada

Atualizado: Sexta-feira, 14 Dezembro de 2012 as 9:44

 

Embora sob o impacto chocante da notícia, já não é com tanta surpresa que assistimos, mais uma vez, outra escola ser "metralhada" por um suposto psicopata nos Estados Unidos. É que o "modus operandi" se tornou previsível por seguir o mesmo padrão de outros ataques semelhantes, como o de Virginia Tech, que deixou 33 mortos, e o de Columbine, onde morreram 13 pessoas.
 
O massacre ocorreu na Sandy Hook Elementary School, em Newtown, Connecticut, e, segundo as últimas notícias, o número de mortos já chega a 27, entre os quais cerca de 20 alunos entre cinco e 10 anos, além do diretor e do psicólogo da escola. A própria mãe do atirador seria professora na instituição. Ao mesmo tempo em que somos tomados de profundo pesar pela tamanha barbárie, pelo sofrimento que atinge os familiares e a todos que prezamos os valores da vida em comum, perguntamo-nos também sobre as causas que levam esses indivíduos a cometer tais desatinos. Certamente os especialistas, mais uma vez, se debruçarão sobre o tema e darão distintas respostas... até que um novo ataque se desfeche e de novo se busquem explicações.
 
Sem entrar em muitos detalhes, e não deixando de respeitar o luto dessa fatídica hora, creio que por trás de tragédias como a de Connecticut e de outras ações com potencial de destruição maior o menor, sem entrar no mérito da valoração, pode estar a visão de mundo que essas pessoas desenvolveram ao longo do tempo. Infelizmente, predomina no meio acadêmico, de forma verticalizada, desde o ambiente da ciência, passando pelas universidades e as escolas de Segundo e Primeiro Graus, o ensino do naturalismo científico, onde tudo é produto de leis e acaso, numa cadeia evolutiva que começou lá atrás, numa sopa de física e química, até resultar, aos saltos, no tipo de vida como hoje conhecemos. 
 
Em outras palavras, por essa teoria, fomos gerados pela matéria, sem a interferência de qualquer projeto inteligente, embora a quantidade de informação genética que apenas uma célula dispõe, de maneira programada e organizada, seja maior do que todas as informações da Enciclopédia Britânica. Ainda assim, quando se levanta essa tese para provar a fragilidade do naturalismo científico, somos empurrados para o mundo religioso, como se a ideia do projeto inteligente fosse mera questão subjetiva, restrita à fé.
 
No entanto, se o naturalismo científico, embora sem nenhuma evidência que o comprove, é a forma pela qual se vê o mundo, onde a causa é a matéria e o efeito a própria matéria, que diferença há entre "animais" humanos e outros animais, visto que todos se igualam na origem e na substância? Por outro lado, que moralidade se pode estabelecer, se viemos do nada e ao nada voltaremos? Tal tese se reforça com a teoria da seleção natural, onde se descartam os menos qualificados como uma forma de aperfeiçoar o processo e, aos saltos, se chegar à utopia da raça perfeita.
 
Aonde quero chegar?
 
Com o predomínio do naturalismo científico, tanto faz matar uma pessoa, um gato ou mesmo uma barata. É tudo matéria. Não há diferença alguma. Assim, qualquer ética há de ser desprezada, visto que, se não somos fruto de nenhum projeto inteligente, são os nossos genes que determinam o nosso comportamento e não há, portanto, nenhum senso de valoração moral. É desta forma que se justifica, por exemplo, a defesa do aborto. Há até quem abertamente, em nome dessa falsa ciência, admita o infanticídio.
 
Não se surpreendam. Tragédias como a de Connecticut podem ter como pano de fundo a visão de mundo naturalista, que começa a se fortalecer no Brasil, com a decisão unilateral de não se aceitar a discussão do projeto inteligente.
 
Fica a advertência.
 
Por: Pr. Geremias do Couto
http://geremiasdocouto.blogspot.com.br/2012/12/connectcut-cronica-de-uma-tragedia.html 
Foto:Newtown Bee/AP

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