Conselho Batista se reúne para sonhar a denominação

Conselho Batista se reúne para sonhar a denominação

Atualizado: Quarta-feira, 30 Março de 2011 as 11:38

Nos dias 23 e 24 de março aconteceu a primeira reunião do Conselho Geral da Convenção Batista Brasileira (CBB), agora sobre a presidência do pastor Paschoal Piragine Júnior, que nesta oportunidade apresentou os princípios que vão nortear a caminhada da CBB nos próximo 2 anos.

O pastor Paschoal Piragine, eleito no dia 24 de janeiro durante a 91ª Assembleia da CBB, realizada na cidade Niterói (RJ), afirmou que seu propósito é o de se “unir a um povo que Deus escolheu para este tempo para sonhar a denominação”. “Não estou preocupado com o passado, não estou preocupado em aprovar relatório, mas estou preocupado em saber para onde vamos, em saber onde, como povo de Deus, vamos estar como seu líderes nos próximos anos. Eu quero sonhar o futuro”, declarou.

Além disso, ele aproveitou a oportunidade para deixar claro que chega ao comando da denominação sem qualquer interesse político: “Não tenho nenhum interesse político. Nunca tive e jamais terei. Eu não tenho o menor interesse de ser reeleito para nada”.

Assim, durante estes 2 dias o novo presidente da CBB convidou os conselheiros presentes a sonharem com ele: “Gostaria que saíssemos daqui sonhando, pensando que Deus vai nos dar algo da sua graça”.

Contudo, ele também destacou a responsabilidade de cada um para que os objetivos traçados nesta oportunidade fossem alcançados: “O líder não resmunga, reclama, ou chora. Mas o líder faz mudanças”.

Para alcançar este objetivo uma pergunta norteou todos os trabalhos realizados: “Qual a denominação que devemos ser. Para onde queremos ir?”.

Azeite na botija As novidades não ficaram apenas na proposta da reunião, mas a dinâmica da mesma também foi diferente em relação a encontros de anos anteriores. Uma das inovações foi o uso de vídeos. Como forma de motivar os presentes a se comprometerem verdadeiramente com a promoção de um futuro melhor para a denominação, o presidente da CBB usou pequenos vídeos com reflexões baseadas na Palavra de Deus.

Entre todos estes vídeos o que marcou de forma mais profunda os presentes foi, sem dúvida alguma, o segundo, o baseado no capítulo 4 do livro de 2 Reis.

A partir desta reflexão, baseada na passagem na qual Deus, pela instrumentalidade de Eliseu, realiza um milagre na vida de uma viúva que apenas tinha uma botija de azeite, ele destacou a importância da vida de cada pessoa que faz parte do Conselho Geral da CBB.

“Se vamos construir o futuro, que azeite temos? Descobri que o azeite que temos são pessoas. Gente boa, gente santa, gente convocada pelo Espírito Santo para este tempo e lugar”, afirmou o pastor Paschoal Piragine.

Tendo como mote a ideia de que cada membro do Conselho é um instrumento por meio do qual Deus vai agir, a nova diretoria da CBB preparou uma recepção calorosa para todos. Assim, antes da apresentação de qualquer relatório, havia um momento especial de oração pela pessoa que iria falar.

O resultado desta iniciativa, capitaneada pelo 3º secretário da diretoria da CBB, pastor Edgard Barreto Antunes, foi imediato, com o grupo de conselheiros sentindo-se verdadeiramente motivado e desafiado a se envolver de forma efetiva na missão de transformar em realidade os sonhos de uma denominação melhor.

Nas palavras do diretor executivo da Junta de Missões Nacionais, pastor Fernando Brandão: “Não temos palavras para agradecer o que recebemos: Encorajamento espiritual, encorajamento de que temos amigos. Diria que estou 10 vezes mais motivado agora do que quando entrei por esta porta hoje de manhã”.

Estabelecendo metas Além deste aspecto motivacional a reunião teve um viés estratégico, pois após serem apresentadas macrotendências sobre as diversas áreas de atuação da denominação, os conselheiros foram divididos em pequenos grupos de debate nos quais a intenção era definir as metas mínimas a serem perseguidas nos diversos âmbitos da CBB.

Aos presentes ficou evidente que estes são apenas os passos iniciais para uma caminhada mais longa, e que a realização destas metas, consideradas mínimas, permitirá que se alcem voos mais altos.

As áreas debatidas foram as de Missões, Educação Ministerial, Educação Cristã, Comunicação, Organizações Auxiliares e Juventude.

Segundo o novo presidente da CBB, é necessário que cada uma das áreas e organizações da denominação atue de forma sinérgica com as outras de forma que muitos problemas possam ser resolvidos e o Reino e Deus possa crescer através da atuação dos batistas brasileiros.

“Cada um deve entender o seu papel. Não somos concorrentes, mas parceiros e cooperadores. Se a convenção de um determinado estado for bem, devemos celebrar porque o Reino de Deus está crescendo. Se ela for mal, devemos chorar juntos e trabalhar juntos”, concluiu.

Objetivos estratégicos O grupo de reflexão da área de missões definiu que o objetivo estratégico neste âmbito é “evangelizar cada pessoa no Brasil e levar a Salvação a todas as nações”. Para alcançar esta meta, algumas iniciativas foram definidas, como: Alinhar o planejamento missionário entre Juntas Missionárias, convenções e organizações; Investir na formação de evangelistas e capacitar os crentes para a tarefa de evangelização como estilo de vida; Mobilizar os pastores e igrejas para a tarefa de evangelização.

Segundo o diretor executivo de Missões Nacionais, pastor Fernando Brandão, estas metas foram estabelecidas considerando o fato de que “não há dúvida de que Deus está levantando o Brasil para a evangelização mundial. Alguns indicadores dão esta convicção”.

Já o diretor executivo de Missões Mundiais, pastor João Marcos Barreto Soares, afirmou que o desejo é de “ver cada igreja e cada batista envolvido na obra missionaria por meio da mobilização missionária”.

Além disso, a área de missões está sensível a questões que afligem a sociedade como um todo, como a questão das drogas: “O problema das drogas é um problema da igreja. Temos que dar a solução para esta situação, pois temos a graça. A Palavra de Deus é que transforma”, afirmou o pastor Fernando Brandão.

Já o grupo de reflexão de educação ministerial apontou como seus objetivos estratégicos nesta área: Servir às igrejas no preparo de pessoas para cumprir a Grande Comissão; Desenvolver o Pensamento Teológico Batista Brasileiro fundamentado na Palavra de Deus e nos princípios batistas; Buscar o alinhamento estratégico com as Juntas Missionárias da CBB; Contribuir com os Seminários regionais na disponibilização de uma educação de qualidade e descentralizada; Desenvolver uma campanha de despertamento/mobilização de vocacionados das igrejas batistas do Brasil; Formar professores para os seminários (mestrado e doutorado) sem abandonar a matriz de confessionalidade; Criar um padrão de ensino de qualidade para ser implantado nos seminários estaduais; Identificar as necessidades/expectativas da igreja local; Criar um curso para evangelistas; Oferecer cursos de extensão universitária não somente na área bíblica, mas social e outras; Direcionar os cursos de música sacra para a formação musical de excelência que crie uma identidade litúrgica batista.

Segundo o diretor geral do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB), pastor Davidson Pereira de Freitas, o entendimento do grupo é o de que “o papel das casas teológicas é servir as igrejas batistas para a formação de pastores, missionários e ministros de música. Enfim, de obreiros para cumprir a Grande Comissão”.

“Por esta razão o nosso alinhamento está muito próximo do das juntas missionárias. Sabemos que temos problemas e desafios, mas estamos sonhando com um futuro de interação profunda com juntas missionárias e igrejas”, concluiu. O grupo de reflexão de educação cristã também definiu os seus objetivos estratégicos, que são: Estimular o estudo sistemático da Bíblia oferecendo às igrejas, gratuitamente e através da mídia digital, o material básico, e que as Convenções Estaduais façam a distribuição para alcançar as igrejas que não estão equipadas para usufruir desta tecnologia; Conscientizar as igrejas sobre o valor da Educação Religiosa e trabalhar a valorização do Educador Religioso; Enfatizar a formação continuada de liderança para nossas igrejas e para a denominação.

Além disso foram feitas algumas sinalizações neste âmbito, como a necessidade de repensar o trabalho com os adolescentes em nível da CBB e a de atentar para o preparo bíblico e espiritual dos adolescentes que estão ingressando nas universidades. Já o grupo de reflexão da área de comunicação assumiu como seu objetivo estratégico o imperativo de se “comunicar com cada batista e com a sociedade como um todo”. Para isto ser possível, algumas ações foram definidas, como: Disponibilizar, através do Portal Batista, para consultas, o endereço de igrejas e desenvolver parcerias de comunicação com todas as convenções estaduais; Disponibilizar no Portal Batista uma base de conteúdos como estudos bíblicos, sermões, estudos para grupos familiares, documentos doutrinários e etc; Promover campanhas sistemáticas de ações comunitárias globais: Doação de sangue e medula óssea e coletas seletivas; Desenvolver e implementar as mídias webradio (já existente) e webtv (já registrada); Produzir e desenvolver e divulgar textos sobre temas de relevância nacional, declarando o posicionamento batista. Segundo o diretor executivo da Convenção Batista Brasileira, pastor Sócrates Oliveira de Souza, uma das áreas com mais carências entre os batistas brasileira é a da comunicação. Ele destacou que é comum se ouvir da necessidade de os batistas entrarem com mais força nesta área com participação através de veículos como a TV e rádios. Contudo, antes de ações desta natureza é necessário melhorar a comunicação no âmbito interno, com a melhoria de veículos já existentes, trabalho que deve ser feito sempre com a percepção de que o “desafio dos batistas brasileiros é se comunicar com o público interno de forma que o público externo também seja impactado”.

“O Brasil e o mundo estão ansiosos por uma palavra de credibilidade do povo de Deus. E nós temos esta credibilidade”, declarou.

Já o grupo de reflexão sobre as organizações auxiliares afirmou que entre seus  objetivos estratégicos estão: As parcerias e interação são grandemente valorizadas, em substituição à visão hierárquica ou  comercial nas relações intradenominacionais (revendo a própria nomenclatura “auxiliares”, ajustando os documentos constitutivos, estimulando a criação e a inclusão de novas organizações parceiras, valorizando e aproveitando seus recursos e potenciais); A capacitação continuada dos pastores-pastores, missionários e músicos é compreendida como uma responsabilidade denominacional (resolvendo também o problema do distanciamento que tantos pastores têm da denominação), sendo formação teológica apenas o primeiro passo desse projeto maior; A interação é uma realidade entre as organizações “auxiliares”, bem como entre essas e as demais organizações da CBB; Os conceitos neotestamentários de unidade são estudados com profundidade em todas as igrejas, um clamor é elevado a Deus pelo avivamento de todo o seu povo, e não somente dos batistas, e reina uma mentalidade e uma prática de cooperação como base para o agir de Deus em nosso meio, única forma de fazermos diferença vital nos destinos do perdidos; Todos, igrejas, líderes, organizações, colégios batistas, profissionais liberais, empresários, artistas batistas e parceiros estão envolvidos num grande propósito evangelístico, diminuindo naturalmente o status do contábil ou jurídico; Acontece uma grande produção de conceitos, através de fóruns moderados em um ambiente relacional saudável, devocional e objetivo, com vista ao aperfeiçoamento das igrejas, de seus líderes e das organizações que servem a esses, com menor status para a moderação com foco no aspecto regimental.

Por fim o grupo de reflexão da área da juventude definiu como seus objetivos estratégicos: Chegar por meio de todos os meios de comunicação possíveis (on-line e off-line) às diferentes juventudes da igreja local; Ser um movimento global, formado por pessoas que amam a Deus e vivam como Jesus, fazendo o que está a seu alcance para responder às necessidades das juventudes locais; Refletir sobre as múltiplas realidades e diversas demandas sociais que envolvem a juventude brasileira dialogando com as juventudes; Ser entendida pela liderança batista como capaz de exercer um papel relevante para os batistas sem “clichês”, antes que seja tarde; Ser capaz de responder aos desafios desta geração com fé, inteligência e responsabilidade. Neste momento o pastor Paschoal Piragine compartilhou o seu sonho em relação à juventude batista: “Nossa juventude é pujante e está fazendo uma obra linda no Brasil.

Contudo, esse fogo e essa paixão de nossa juventude não encontra respaldo em nossa liderança. Queria sonhar com um novo tempo, de forma que não percamos a nossa próxima geração. A juventude deve ser meta estratégica, senão não teremos um futuro como denominação”.

A partir de agora começa a fase de implementação destes objetivos, e a expectativa é que na próxima reunião, em agosto, muitas destas iniciativas já tenham se tornado realidade.  

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