Conselho Mundial das Igrejas denuncia execuções extrajudiciais de ministros

Conselho Mundial das Igrejas denuncia execuções extrajudiciais de ministros

Atualizado: Sexta-feira, 2 Julho de 2010 as 3:08

O líder de um dos maiores corpos da Igreja no mundo, recentemente, denunciou execuções extrajudiciais de dois ministros leigos da Igreja, na Filipina.

Em solidariedade com o Conselho Nacional de Igrejas na Filipina e a Iglesia Filipina Independiente, o Conselho Mundial das Igrejas (World Council of Churches - WCC) enviou uma carta ao Presidente eleito Benigno Aquino III, na terça-feira, condenando a execução de Benjamin Bayles e Jovelito Agustin.

Ambas vítimas foram ministros leigos em suas Igrejas e conhecidos por serem abertamente defensores dos direitos humanos. Bayles foi um defensor de direitos humanos envolvido com organizações de camponeses e de trabalhadores. E Augustin foi um transmissor que ajudou vítimas de recrutamento ilegal e defendeu os direitos dos trabalhadores. Eles foram mortos por grupos paramilitares suspeitos, em 14 e 15 de junho, respectivamente.

"Nós estamos profundamente preocupados com o processo das execuções extrajudiciais, desaparecimenots forçados e impunidade na Filipina que têm implicado em vidas de muitos civis que levantaram suas vozes denunciando as violações dos direitos humanos e pediram por justiça e paz duradoura," escreveu o Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, secretário geral do WCC, na carta.

"As pessoas leigas e o clero não foram poupados dessa violência," acrescentou.

O Reverendíssimo Godofredo David, primaz da Iglesia Filipina Independiente, apelou ao Presidente eleito Aquino para manter o governo de seu predecessor Gloria Macapagal-Arroyo responsável pela repressão e mortes na Fillipina.

Aquino, na terça-feira, o mesmo dia que ele foi inaugurado, anunciou que ele estava formando uma "comissão de verdade" para investigar as alegações de abusos aos direitos humanos e corrupção sob Macapagal Arroyo. Aquino tem feito campanha prometendo acabar com a corrupção.

O presidente eleito disse que a comissão deveria investigar as mortes extrajudiciais e "ter certeza de que aqueles que cometeram os crimes" fossem punidos.

O grupo de direitos humanos Karaptan (Alliance for the Advancement of People’s Rights) relata que 1.118 mortes extrajudiciais foram documentadas na Filipina entre 2001 e outubro de 2009. O grupo também registrou 204 vítimas de desaparecimentos forçados e 1.026 vítimas de tortura.

No mês de junho somente, houve seis mortes extrajudiciais, incluindo aqueles de Bayles e Agustin.

"Nossa oração é que o Estado de Direito prevaleça na Filipina e que seu governo torne-se conhecido por construir paz e estabalecimento de justiça," escreveu Tveit.

veja também