Conspiração da manjedoura

Conspiração da manjedoura

Atualizado: Quarta-feira, 4 Dezembro de 2013 as 6

nascimento de JesusHá uns dois anos, meu amigo Shane Claiborne (aquele irmão que trabalha com a população de rua de sua cidade , com “dreads” nos cabelos e jeito de hippie, que estagiou com a Madre Teresa em Calcutá e que esteve falando no Usina 21 em 2011), escreveu sobre uma experiência inusitada que ele e sua comunidade haviam vivido no Natal, lá na Filadélfia, nos Estados Unidos.
 
Cansados da loucura e do frenesi consumista que toma conta da festa do Natal, buscavam uma outra forma de celebrar o nascimento de Jesus, que ironicamente, segundo as palavras de Shane, parecia ser comemorado com uma competição para ver quem gastava mais e quem comprava mais coisas desnecessárias para pessoas que já tinham o que precisavam.
 
Muitos estavam se esquecendo que o motivo da festa é o nascimento de Jesus, e a chegada do seu Reino. E, como a lógica do Reino é sempre a de subverter os valores desse mundo, aqueles irmãos na Filadélfia oraram pedindo criatividade ao Pai para colocarem em prática uma “santa conspiração”, uma “conspiração do Reino”. Era tempo de comemorar o Natal de outro jeito, e reforçar o que há de mais precioso nessa data, que é o espírito de doacão, de entrega, de generosidade, de amor.
 
Tinha que haver um outro jeito de celebrar o Natal, diferente desse das empresas que doam cestas básicas em massa ou desses atos de puro voluntarismo.
 
Shane e seus amigos se reuniram e foram fazendo cada um uma lista de vizinhos, de conhecidos, de conhecidos dos conhecidos que haviam passado por uma dificuldade específica ao longo daquele ano, como perda da casa num incêndio, morte prematura de um filho, perda de emprego. etc. Eles compartilharam as listas entre si. Envolveram gente de outras comunidades, e avisaram a cada uma das famílias listadas que elas receberiam uma visita especial na noite de Natal.
 
Chegada a noite de Natal, se espalharam pela vizinhança, visitando cada casa da lista, entregando um assado especial, uma comida caprichada, feita por eles, e cantando uma música natalina. Junto com a comida um pequeno envelope que deveria ser aberto depois que eles saíssem. Dentro do envelope, uma boa quantia em dinheiro e um bilhete que dizia: “saibam que vocês são amados.” Juntos, os “conspiradores do Reino” arrecadaram e doaram mais de US$ 10 mil (mais de R$ 20 mil) àquelas famílias ao redor da cidade naquela noite.
 
Enquanto redijo esse artigo, penso: “ainda há tempo, falta um mês. Vamos fazer com que a conspiração do Natal se espalhe pelos quatro cantos das nossas cidades!”. Imagine se cada igreja da cidade fosse uma “célula revolucionária do amor”, fomentadora dessas conspirações, inspirando gente a espalhar amor pela cidade. Proporcionando abraços aos mais pobres e aos que estão vivendo momentos de dor, solidão, tristeza e privações.
 
Por tudo isso, pare, pense, reflita. Faça uma ação anônima de generosidade. Peça a Deus criatividade. Estimule outros irmãos a fazerem o mesmo.
 
Natal é tempo de conspiração, de subversão, de anúncio da chegada do Reino. É tempo de dizer que o mundo será governado por uma criança. É tempo de dizer que é possível ser gente de um jeito diferente, porque Ele nasceu e viveu entre nós pra nos mostrar como é que é ser gente do jeito que Ele planejou. É tempo de dizer que outro mundo é possível. Que o Espírito Santo nos livre do Natal do papai noel e nos mova à conspiração da manjedoura!
 
Feliz Natal.
 
 
- Carlos Bezerra Jr.
via blog pessoal
 

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