Construtoras investem em projetos para religiosos

Construtoras investem em projetos para religiosos

Atualizado: Sexta-feira, 3 Setembro de 2010 as 1:53

Públicos diferentes necessitam de alternativas diferenciadas. Mas em se tratando de imóveis esqueça o velho “dois quartos feito para jovens casais”, ou “quarto e sala perfeito para solteiros”. A segmentação imobiliária evoluiu e avança a passos tão largos que já contempla necessidades que vão muito além do estado civil do comprador. Já existem no mercado edifícios feitos sob medida para evangélicos, idosos e judeus.

Os mais novos atendidos pelo mercado imobiliário é a turma da terceira idade, que ganhou em agosto um projeto imobiliário em Santos, litoral Sul de São Paulo, que busca atender melhor suas necessidades. Entre os itens que distinguem o edifício Bossa Nova de outros prédios estão sinalização nos vidros, pisos opacos no lugar de reflexivos, iluminação especial, piscinas com escadas e corrimãos submersos, interruptores grandes e um centro de convivência que tem até um xadrez gigante, além de portas maiores e rampas antiderrapantes ao invés de degraus.

A construtora Tecnisa, responsável pelo projeto, aposta na viabilidade de se construir para públicos específicos. O edifício tem 200 unidades e valor geral de venda de R$ 119 milhões. Os apartamentos começaram a ser comercializados há duas semanas, e mais dois empreendimentos baseados no mesmo conceito estão sendo construídos. Um em Barueri, com 900 unidades, e outro na zona Leste de São Paulo, com 211.

O Brasil conta com 19 milhões de pessoas acima de 60 anos, o que significa 10% da população. Em quinze anos, a população idosa brasileira vai somar mais de 32 milhões de pessoas. “Fizemos mudanças que não mudam o aspecto geral do prédio. Porém, são alterações que vão fazer toda a diferença para pessoas da terceira idade”, explica Patricia Valadares, gerente de projetos da Tecnisa.

No Rio de Janeiro, a construtora Tenda, que foi incorporada a Gafisa no ano passado, focou no público evangélico com o lançamento do Comandante Life 1, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Houve culto de lançamento da pedra fundamental e, em 11 dias, metade dos 224 apartamentos já estava vendida. Cada unidade tem entre 56 e 78 metros quadrados e custa a partir de R$ 79 mil.

O conjunto possui itens comuns como piscinas, churrasqueira, salão de festas, espaço gourmet e parque infantil, mas o que o torna um edifício cristão é o fato de não ser permitido falar palavrão, consumir bebidas alcoólicas nem fumar dentro do condomínio. Uma Bíblia de bronze instalada na entrada do residencial serve como símbolo referente à crença dos moradores.

Segundo a construtora afirmou na época do lançamento, a idéia do residencial não é ser discriminatório ou seletivo, mas oferecer qualidade de vida preservando valores comuns a membros das crenças evangélicas. “Quem não é evangélico pode adquirir uma unidade no local, mas tem que estar ciente que as decisões internas terão como maioria votante o público evangélico”, diz o secretário da União Nacional Evangélica (UNE), Alcindo Plácido, que mora lá.

Mesmo grupos menores já conquistam espaço. Embora formem apenas 15% da comunidade judaica da cidade, estimada em 60 mil, os judeus ortodoxos também chamam a atenção das imobiliárias. Como não podem usar nenhum tipo de aparelho elétrico durante o Shabat (período de descanso que acontece entre o final da tarde da sexta e o início da noite de sábado) cerca de vinte edifícios residenciais da cidade de São Paulo, a maioria em Higienópolis, ganharam os chamados “elevadores-shabat”.

"Assim que se entra no elevador, ele é acionado pelo peso, e fica programado para parar em todos os andares e ficar aberto por alguns segundos para dar tempo de as pessoas entrarem e seguirem até o piso desejado sem ter de mover um dedo", diz José Luís Mundim Soares, responsável por novas instalações da Atlas Schindler. É a diferenciação a favor da fé.  

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