Criança acorrentada é encontrada por membros da Universal

Criança acorrentada é encontrada por membros da Universal

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 10:17

E.S.G tem apenas 10 anos. Apesar da pouca idade, a ficha policial apresenta um vasto histórico de fugas e pequenos furtos. “O mais recente foi praticado no comércio da cidade de Penedo, onde ele furtou uma bicicleta”, explica a Conselheira Tutelar Dulce Lisboa.

Na última sexta-feira (20), o menino iniciava mais uma fuga. Ao passar em frente à sede da Igreja Universal do Reino de Deus, em Penedo, a dificuldade com que caminhava chamou a atenção dos fiéis que saíam de uma reunião – a criança tinha os pés acorrentados.

Acionada, a polícia o recolheu e encaminhou os pais do garoto ao Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente, onde foram ouvidos pela Conselheira Tutelar. “Ele parece fugir de casa por prazer, pois mesmo tendo onde passar a noite com segurança, já foi encontrado dormindo na calçada de um supermercado localizado no centro histórico de Penedo, e outras três vezes sobre papelões no estacionamento de outro estabelecimento comercial da parte alta da cidade”, ressaltou Dulce.

O pai do menino, José Nivaldo Santos Guedes, 42 anos, explicou que acorrentou o filho como uma tentativa de mantê-lo em casa.  “Nós conversamos ontem com o promotor José Alves de Sá e informamos que adotamos isso como última medida, visando garantir a vida dele. O promotor expediu uma Medida Específica de Proteção e pediu que fossem tomadas imediatas providências com vistas a preservar a integridade física de meu filho que será acompanhado por uma equipe interdisciplinar do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS)”, declarou o pai da criança.

Uma nova história Assim como o pequeno E.S.G, Fernando Henrique Ferreira dos Santos, de 23 anos, também enveredava para o caminho do crime. Aos 21 anos, ele já era casado, pai de 3 filhos e tinha como prática o tráfico do de drogas. “Comecei a beber muito cedo e logo veio o crack. Ouvia vozes que me incentivavam a consumir drogas”, conta ele, ao lembrar os crimes praticados para alimentar o vício. “Quando não tinha como comprar a droga, o jeito era roubar, sequestrar, entre outras coisas. Eu passava dias na rua”, lembra.

Segundo Fernando, os pais chegaram a gastar mais de 8 mil reais em medicamentos e internações para livrá-lo do vício, um esforço em vão. “Eles já não tinham forças para lutar por mim. Mas minha esposa, que sempre foi uma mulher de oração, não desistiu. Foi por causa dela que cheguei à Igreja Universal”, conta ele.

Para Fernando, as reuniões da IURD de nada serviam. “Eu levava tudo aquilo na brincadeira. Ia somente para acompanhar a minha esposa. Até que um dia senti algo diferente e tomei nojo das drogas. Estava liberto. Deus me salvou através da Igreja Universal”, conta ele, com um largo sorriso no rosto.

Hoje, Fernando tem dois empregos - trabalha como porteiro e como recepcionista em meios de hospedagem. Vive bem com a esposa, e a única preocupação é com a educação dos filhos. “Hoje é de casa para o trabalho, igreja e casa de novo. Isso, sim , é felicidade”, finaliza.  

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