Cristão emigrante no país diz:"situação no Haiti ainda é desoladora"

Cristão emigrante no país diz:"situação no Haiti ainda é desoladora"

Atualizado: Terça-feira, 28 Junho de 2011 as 9:06

O terremoto que arrasou o Haiti em janeiro de 2010, considerada a catástrofe mais letal das Américas, ainda deixa rastros. Mais de um ano depois, o país ainda luta para restabelecer os serviços básicos e a população continua sofrendo.

Na busca por melhores condições de sobrevivência, vários haitianos migraram para países vizinhos em busca de trabalho. Alguns deles vieram para o Brasil e Itabira também recebeu emigrantes, como pintor Joana Pierre, de 32 anos.

Joana está em Itabira há dois meses trabalhando na construção civil e como professor de francês, na expectativa de conseguir dinheiro para buscar a mulher e o filho de quatro anos, que ainda estão no país de origem. Como membro da igreja evangélica Adventista, ele encontrou na cidade de Drummond “irmãos” que estão ajudando-o de diversas maneiras, sobretudo a conseguir alunos para que sua renda possa ser aumentada.

Em 60 dias, o haitiano já domina  o português e se sente bem entre os brasileiros. Mas é preciso mais. “O dinheiro que ganho hoje não é o suficiente para voltar ao Haiti e buscar minha família”, conta. Quem quiser ajudar Joana Pierre ou se interessar em aprender francês com ele pode entrar em contato pelo telefone: (31) 8615-0609. Confira a seguir a entrevista concedida a DeFatoOnline.

O senhor está há dois meses em Itabira. Como chegou aqui?

Cheguei à fronteira do Brasil com Bolívia, esperei os documentos, depois um brasileiro me trouxe para Itabira. Vim primeiro para o Equador, depois para a Bolívia de ônibus. Em Itabira já cheguei como empregado.

O que achou do Brasil?

O governo do Brasil quer ajudar os haitianos e outros países também. Eu queria chegar aqui no Brasil porque antes eu sempre assisti futebol brasileiro. quando vim para cá, encontrei também a igreja Adventista, que é a minha igreja lá no Haiti. O Brasil deve ter mais de 800 haitianos, que saíram do país por causa da tragédia. Aqui em Itabira são quatro que vieram.

Quando começou a dar aulas de francês?

Quando cheguei, o patrão me trouxe na escola, onde tive um treinamento; então passei para dar aulas de francês. Continuo trabalhando na construção civil como pintor, na Construarte. Duas vezes por semana dou aulas.Ainda não consigo mandar dinheiro para minha família. Mas não posso ir sem o dinheiro depois de um ano que eu estiver aqui. Por isso preciso ganhar mais dinheiro, porque eu ainda não tenho para me manter e conseguir pagar a passagem de volta.

Você consegue se comunicar com sua família no Haiti?

Sou casado, tenho um filho de quatro anos, que mora lá, perto de Cabo Haitiano. Comunicar é difícil, porque dois minutos custam R$ 12,00. Muito caro. Internet não tem. Outra coisa que é difícil: não consigo mandar dinheiro, por causa de bancos, correios e outras coisas que lá ainda não tem.

Nestes dois meses, algumas poucas vezes consegui falar com minha família. Tenho muita saudade.

O senhor pretende voltar ou buscar a família?

Buscar. O Brasil tem melhores condições de viver.

Qual mensagem o senhor deixa para os brasileiros?

Quero agradecer ao governo daqui, porque quando cheguei ao país me recebeu muito bem. Gostaria de pedir também ajuda para voltar, porque tenho saudade de minha família e quero trazer ela para cá. Obrigado!  

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