Cristãos e hindus discriminados na distribuição de ajudas

Cristãos e hindus discriminados na distribuição de ajudas

Atualizado: Sexta-feira, 27 Agosto de 2010 as 10:51

Mais de 200 mil refugiados cristãos e 150 mil hindus no Sul da província paquistanesa do Punjab estão a ser excluídos das ajudas humanitárias e ainda aguardam uma assistência mínima para sobreviver.

O alarme é lançado pela Caritas e outras ONG’s presentes na área, que confirmam a discriminação na distribuição das ajudas, com prejuízo para os refugiados pertencentes a minorias religiosas.

600 mil refugiados cristãos e hindus na província meridional de Sindh estão a sofrer a o mesmo tipo de abandono e exclusão, referem fontes da Fides, agência do Vaticano para o mundo missionário.

As ajudas, que nesta fase de emergência são insuficientes e administrada por funcionários do Governo próximos do extremismo islâmico ou a organizações humanitárias muçulmanas que fazem discriminação sistemática na distribuição.

“Os deslocados cristãos são muitas vezes ignorados. A sua sobrevivência está em grande risco”, disse um voluntário local.

"Os cristãos deslocados são frequentemente ignorados: não são identificados e registados, propositadamente. De tal forma, são automaticamente excluídos de qualquer assistência médica ou alimentar, porque não existem", diz outra fonte da Fides.

Especialmente no sul do Punjab, estão activas diversas organizações extremistas islâmicas que estão a aproveitar a tragédia para atingir ainda mais as minorias religiosas.

Muitos destes grupos, ressalta a Fides, improvisaram "organizações caritativas" e registaram-se como ONG’s locais, mas o seu trabalho consiste em eliminar os cristãos.&S232;

Nazir S. Bhatti, presidente do “Pakistan Christian Congress”, disse num comunicado que "o ódio anticristão impede que a ajuda atinja muitas áreas", e pediu ao Governo “fundos específicos a serem destinados às minorias religiosas".

Nesse sentido, convidou todos os doadores "manterem como ponto de referência a Caritas do Paquistão”.

Desde o início de Agosto que o Paquistão foi afectado por chuvas torrenciais, uma catástrofe que já causou a morte a cerca de duas mil pessoas e fez perto de 20 milhões de desalojados.

“Ainda há um número enorme de pessoas a precisarem de ajuda e a Cáritas está a impulsionar as suas operações, para assegurar que conseguimos chegar a todos” declara Anila Gill, directora da Cáritas Paquistão.

Numa nota publicada no site da Confederação Internacional da Cáritas, a mesma responsável acrescenta ainda que “foram prometidos fundos para as operações que estão a decorrer, mas é preciso garantir que esse dinheiro seja doado e transformado em comida, tendas, água e medicamentos, o mais depressa possível, antes que a situação piore ainda mais”.

A distribuição de comida, por si só, já representa um desafio enorme. De acordo com a mesma nota, “há zonas ainda inacessíveis, onde os preços de comida e combustível dispararam, á medida que as águas foram destruindo todas as reservas”.

A Cáritas Portuguesa, em articulação com a Caritas Internationalis e a Cáritas do Paquistão, anunciou que vai apoiar com 30 mil Euros os esforços de emergência na ajuda às vítimas das cheias no país asiático, através de fundos próprios.  

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