Cristãos iranianos falam sobre a política

Cristãos iranianos falam sobre a política

Atualizado: Sexta-feira, 6 Maio de 2011 as 10:18

Quatro candidatos foram aprovados pelo Conselho dos Guardiões para concorrer à presidência. A eleição é decidida pela maioria dos votos. Se houver uma clara vitória no dia 12 de junho, os dois candidatos que receberem a maioria dos votos se enfrentarão no segundo turno, que será decidido no dia 19 de junho. Behrouz, de Teerã, compartilhou com a Portas Abertas que: “Há três instâncias de poder no país. Em primeiro lugar, temos o Líder Supremo, depois, o presidente e, em terceiro, o Parlamento”. Behrouz espera que o candidato Mousavi, apoiado pelo ex-presidente Khatami, vença as eleições, porque Mousavi parece ser um dos candidatos mais pró-reformista. Behrouz acrescenta que essa não é uma garantia de que as coisas melhorarão, “mas, no momento, todas as três instâncias do poder têm influência fundamentalista. Com grandes decisões, os três poderes terão de fazer algum tipo de compromisso. Então, com um presidente mais liberal, pelo menos um dos três pode contrabalancear e ser uma voz com tom mais liberal.” Os candidatos concorrendo à presidência são Mehdi Karroubi, candidato reformista; Mir Hussein Mousavi, candidato pró-reformista; Mahmoud Ahmadinejad, o atual presidente; e Mohsen Rezai; conservador. O cristão ainda diz: “Ouvi dizer que no outono desse ano, o presidente deu salário extra para muitos funcionários do governo. Ahmadinejad tenta comprar votos e assegurar sua reeleição apoiando pequenas vilas na zona rural”. Votar ou não votar? Por outro lado, Heydar, também cristão iraniano, não espera mudanças no que diz respeito à opressão que a Igreja sofre. “Alguns detalhes podem mudar, mas o quadro geral é que a pressão continue elevada.” Ele ainda disse que não irá votar dessa vez porque, para ele, a escolha já foi feita. Alguns irmãos estão até temerosos em ir e votar. Eles temem ter dificuldades caso votem na pessoa “errada”. Heydar acrescentou: “Quando sou chamado para comparecer perante a polícia secreta, eles me perguntam por que não votei e por que não tenho uma opinião sobre o programa nuclear do Irã. Respondo então que somos pessoas espirituais e que não queremos nos envolver em questões políticas”. “Não sei qual candidato seria melhor para a situação da Igreja”, afirma Heydar. Ele explica: “Alguns dizem que um presidente mais liberal iria dar mais oportunidade e liberdade à Igreja. Mas compare Rafsanjani, que foi presidente de 1989 a 1997, com o atual presidente. Ahmadinejad é considerado mais revolucionário e ideológico que Rafsanjani. Embora a Igreja passe por momentos difíceis sob o governo de Ahmadinejad, durante o mandato de Rafsanjani, diversos cristãos foram martirizados”. Outro cristão iraniano, Isadi, falou que vai votar. “Depois veremos se a situação vai mudar ou não. Se Ahmadinejad continuar como presidente, então as coisas vão continuar como estão, ou piorar. Por outro lado, podem mudar para melhor, se Deus quiser.”

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