Das coisas que preciso...

Das coisas que preciso...

Atualizado: Quarta-feira, 4 Julho de 2012 as 11:02

Preciso aprender algumas perdas; já sei demais o que é ganhar. Cheguei há pouco neste reino de absurdos, onde os últimos serão os primeiros, quem quiser algum destaque deve se esconder ao máximo e a vida dos súditos só é possível por causa da morte do Rei. Me ensine o descanso; eu sei muito bem o que é estar cansada o tempo todo, firmando a carcaça enquanto tudo por dentro ameaça desmoronar. Me ensine o desapego, porque me apego demais àquilo que pesa esta bagagem que não preciso carregar e, veja só, outro absurdo: o Rei, que já carregou as dores de quem o fez sofrer, insiste que troquemos de fardo – o dele é leve, ele disse.

Me ensine o desvalor das coisas. Valorizo demais o que não tem a menor importância e isso força muitos sorrisos que precisam dar lugar às lágrimas por quem precisa de choro sincero.

Sabe, é difícil me acostumar a esses inversos que querem me convencer de que há força na fraqueza, sabedoria na loucura, vida na morte. É um tiro no ego admitir que, quando não sou absolutamente nada, aí então sou alguma coisa. Quando não suporto me firmar sobre os pés, então há energia para andar, que quando me perco de mim, encontro o rumo, o sentido, a direção. Mas, de que serve o ego, se do que eu preciso mesmo é a morte?

Por isso, por favor, me ensine a morrer, porque viver eu já sei e as coisas que aprendi fora do seu ensino não me levaram a bons lugares. É que eu preciso conhecer a calma que é me aquietar, me abandonar e mergulhar na ignorância das coisas que não precisam fazer sentido. Eu preciso admitir que nem sempre vou saber, conhecer, explicar. E preciso, mais do que qualquer coisa, ter a paz de descansar enquanto você, no meu mais profundo sono, resolve todas as coisas por mim.

“Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês”. (1 Pedro 5:7)

 

por Indhiara Souza

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