Débora Almeida testemunha o consolo de Deus após perder o filho

Débora Almeida testemunha o consolo de Deus após perder o filho

Atualizado: Quarta-feira, 11 Dezembro de 2013 as 11:27

Marcos Almeida, vocalista da banda Palavrantiga, e sua esposa Débora Almeida, estavam esperando o segundo filho, mas ela perdeu o bebê.
 
Em um blog, Débora descreveu a experiência e a tristeza de sofrer uma perda como essa.
 
Ela deixa claro que a tristeza não passou e nem vai sumir assim de repente, mas afirma que "Deus continua Deus, Deus continua bom".
 
Leia o artigo na íntegra:
 
 
choro - tristezaTá bom que eu prometi um estudo sobre Malaquias. Mas e o universo que não para de bulingar a gente?! Meu Deus do céu!!! Onde isso vai parar eu não sei.
 
Comecei minha segunda feira, ouvindo de uma médica muita da sem coração?—?“vai lá põe o roupão porque aqui em cima não tá dando pra ver nada mesmo não”. Lá fui eu desesperada pro banheiro, orando pra aquela doida estar enganada, equivocada, sei lá. Mas não teve como escapar. Não tinha mais #baby2 na minha barriga.
 
Segurei forte na mão do Marcos ouvi (ou fingi que ouvi) as recomendações, e fui lá pra fora pensar o que viria depois. O medo da curetagem ou aspiração me tomaram, e eu não sabia pra quem ligar primeiro.
 
Na noite de sábado para domingo, eu tive um pequeno sangramento. Fiquei desesperada porque todos da minha família estavam viajando, mandei mensagem pra minha gineco e ela pediu que eu tivesse calma. Como no domingo nada aconteceu eu realmente achei que fosse só um sangramento pequeno, só um susto.
 
Confesso que no sábado eu chorei, bastante. Perder um filho sempre esteve na minha lista de “coisas que não conseguiria superar”. E eu lembrei isso pra Deus a noite toda.
 
Domingo de manhã, meu pai me ligou, e do jeito dele foi me apertando até que eu contei. Logo mais, tive que contar pro Marcos, que pegou o primeiro avião e voltou pra ficar comigo e eu poder ter meu repouso como a médica mandou.
 
Voltando pra horror monday lá fui eu falar com minha médica e tentando administrar o choro e o desespero, estávamos com Joaquim ali naquela situação, enfim. Pedi ao Marcos que ligasse pra minha mãe e dali corremos pra dra Amanda, minha gineco.
 
No caminho, ou sei lá em que parte do dia, fui escrevendo uma mensagem para os amigos e familiares, contando o ocorrido. Pedi que ninguém me ligasse porque ter que falar tudo de novo ia me fazer chorar tudo outra vez. As mensagens cheias de carinho, suporte e força começaram a chegar e acalmar meu coração.
 
No consultório com a dra Amanda, depois de quase cair no tapa pra secretária me deixar entrar, tivemos toda atenção e orientação que precisávamos. Meu medo era chegar lá e ela falar que tinha me internar pra tirar.
 
Meus pais nem minha irmã tinham chegado de viagem. Eu precisava deles ali.
 
Maaas, graças a Deus, ela me explicou que 1/3 das grávidez acabam assim; que eu podia esperar sair numa menstruação, que era um óvulo ou um espermatozóide sem carga genética que não desenvolveu. Não fui nada que eu fiz, comi, deixei de fazer, blá blá blá… Me deu toda força que eu precisava, mandou Marcos me abraçar, e eu sentir minha dor.
 
Dali, fomos pra casa dos meus pais. Começar a cura comendo almoço da Del. Graças a Deus pela Del!! Ela segurou as pontas com Joaquim enquanto eu não tinha rumo, e continuava a receber as mensagens no celular.
 
Seria engraçado se não fosse trágico. Na manhã de segunda, eu acordei cantarolando um hino antigo. “A minha fé e o meu amor estão firmados no Senhor”
 
Não sei o nome do hino, eu sei que eu copiei uma partitura e pus no meu Instagram. Dei uma lida na letra, voltei lá nos tempos de nikity, vi minhas paredes cinzas favoritas e back to reality.
 
Quando Marcos foi dar a notícia pra minha mãe ela disse “Sabia que tava acontecendo algo… a Débora pôs aquela música de manhã.” Mal sabia ela que eu não sabia da dimensão que o dia ia tomar.
 
Saindo do consultório eu lembrei de um versículo que dizia algo tipo “não terá medo das notícias ruins”… E, depois de ter almoçado e vegetado fui procurar onde estava esse versículo. Achei! Salmo 112.7-8
 
“Não temerá más notícias; seu coração está firme, confiante no Senhor. O seu coração está seguro e nada temerá.”
E esse pedacinho de lembrança mais a lembrança de um provérbio que diz “não temerá pavor repentino..” algo nessas linhas, acho que está lá em Provérbios 4; foi o que me ajudou a não sucumbir naquele dia.
 
Foram dando umas 6 da tarde, meus pais chegaram, minha irmã e a gente foi se vendo e contando as histórias da estrada, da perda, da alegria, da dor, da vida que segue.
 
Vim embora, Joaquim não dormia nunca, fomos dormir bem tarde. As 6 da manhã, fui dar uma mamadeira pra ele, e nunca mais dormi. Só chorei.
 
Resolvi tomar meu café da manhã e ver um pouco de TV pra espairecer. Com a cara inchada comecei o dia. Devagar fui tomando forças pra organizar o almoço, colocar a Ilza ciente das coisas, fazer algo aqui e ali.
 
A tarde precisei dormir, e, quando acordei, mais vontade de chorar. Segurei firme. Minha mãe fez bolo quentinho. Aí fui no banheiro e vi. O sangue começou a descer.
 
Primeiro sintoma? Ufa! Vou escapar de curetagem se for assim. Ao mesmo tempo que é um “adeus” definitivo pra agora, pros planos que já estavam montados e essa coisa toda.
 
Depois da segunda, terceira ida ao banheiro, a tristeza e o desespero de ver que meu neném estava ali, naquele sangue. Não dava pra ver feto nem nada né, mas estava ali, em algum lugar. Que loucura.
 
Eu já tinha nomes, cores, cabelos encaracolados, já sabia até a profissão do #baby2. Como? Loucura de mãe. Já estava pensando até no aniversário e por aí vai.
 
E agora? O que vai acontecer?! Vou tentar outro logo??—?Posso imaginar essas e outras perguntas que vão vir por aí e que eu posso não ter guts nem saco pra responder.
 
Agora, agora, eu não sei. Não sei MESMO. Não consigo dimensionar. Só sei que eu tenho Joaquim, Marcos, minha casa e minha família pra cuidar. Algumas coisas continuam, as outras param. Só sei que uma hora, algum dia, as coisas vão fazer sentido. E, mesmo se nunca fizerem, a gente vai convivendo com a dor misturada com a alegria.
 
“When anxiety was great within me, your consolation brought me joy.” Salmo 94:19
 
Hoje, enquanto vinha embora pra casa, com coração apertado, lembrei desse texto?—?Seu consolo me trouxe alegria. Lembrei que quem só quer vitória perde a glória de chorar, salve Camelo. Lembrei que só quem chora, quem sofre, quem perde, quem vive essa vida real e doida que bulinga a gente, tem o privilégio de ser CONSOLADO por Deus.
 
Olha esse Salmo na The Message?—?“Se o Eterno não estivesse lá para me ajudar, eu não teria conseguido. Quando digo: “Estou escorregando, estou caindo!”, teu amor, ó Eterno, toma o comando e me segura firma. Quando estou deprimido e muito preocupado, tu me acalmas e me animas.” (Sl 94:16-19, Mensagem)
 
Nessas poucas horas que cheguei em casa, já chorei, já comi doce, já tentei desvendar mistérios sobre a alma. Daí resolvi sentar e pensar sobre isso. E eu penso melhor escrevendo. Então vim compartilhar.
 
E enquanto eu parei pra refletir, ponderar; meu coração aquietou e eu lembrei de tanta coisa ao mesmo tempo. Não, minha tristeza não sumiu ainda. Nem vai sumir. Nada nunca vai suprir a falta desse filho. Como nunca vai tampar o buraco de outras perdas. Mas a gente vai levando, vai caminhando, vai vendo que uma hora, de verdade, Ele enxugará dos olhos todas as lágrimas.
 
Eu queria ter poderes tech para colocar 2 músicas nesse post pra encerrar, i mean, o áudio delas. Uma é a “Tooooda dooor é por enquanto-o”, do Marcos; e, a “Meus olhos estão em Ti”, da Pri. Uma ótima pedida pra passar pelo “vale da sombra da morte”. Aquelas músicas que te jogam pra frente, tipo personal trainner, mandando fazer mais um push up.
 
Mas como os deuses do google não trabalham ao meu favor, vai uma música que me marcou por vários motivos. Mas foi a música que estava tocando quando eu recebi uma notícia ruim, dessas de matar, há uns anos atrás.
 
Se alguém um dia me perguntar o que fazer quando sofre, eu sempre vou falar?—?seja gente, chore, esperneie. E, dois, pare, pense, relembre, reescreva e durma.
 
E é o que vou fazer agora, dormir. Esperar o dia amanhecer de novo, viver e sofrer de novo, e saber que Deus continua Deus, Deus continua bom.
 
 
- Débora Almeida

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