Deputado evangélico cobra abertura de CPI na Alesp

Deputado evangélico cobra abertura de CPI na Alesp

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 5:06

O presidente da grife Zara no Brasil, Enrique Huertas Gonzales, dará explicações sobre casos de trabalho escravo envolvendo a empresa na sessão de hoje, às 14h30, da Comissão de Direitos Humanos, na quarta-feira (21), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O pedido de esclarecimentos partiu do deputado estadual evangélico Carlos Bezerra Jr. (PSDB), vice-presidente da comissão, que protocolou ainda pedido de abertura de CPI para investigar crimes do tipo em SP.

“Como cristãos temos o compromisso de lutar contra toda forma de injustiça. Além de ser uma afronta ao nosso próximo, o trabalho escravo é uma afronta ao Criador. Essa luta tem de ser prioridade dos cristãos na vida pública”, afirmou Carlos Bezerra Jr. citando Willian Wilberforce (1759 –1833), político britânico cristão que dedicou sua vida à erradicação da escravidão na Inglaterra (em muitas igrejas, ele é conhecido por ter composto o hino “Graça Sublime”).

Também participarão da reunião Luis Alexandre de Faria, auditor fiscal responsável pela diligência que revelou novas oficinas têxteis que exploravam trabalhadores no Bom Retiro, região central da capital paulista; Luis Antonio Machado, da Organização Internacional do Trabalho (OIT); e o padre Mário Geremia, do Centro Pastoral do Migrante. A sessão será realizada no plenário D. Pedro I, no 1º andar da Alesp.

Novas imagens de oficinas de trabalho escravo serão disponibilizadas pelo representante da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo e a OIT apresentará novos dados sobre exploração de trabalhadores no Brasil. Espera-se ainda o relato de trabalhador que estava em condições de escravidão.   

CPI do Trabalho Escravo

Está em condições de votação na pauta da Casa projeto de autoria do deputado Carlos Bezerra Jr. para mudar o Regimento Interno da Alesp permitindo a instauração imediata de uma 6ª CPI, nesse caso, para investigar trabalho escravo nas áreas urbana e rural de SP. Hoje, o parlamento estadual aceita o funcionamento de 5 CPIs. Pelas normas, à medida que são concluídas, outras podem ser abertas, respeitando a ordem cronológica de protocolo. A nova proposta foi assinada por 10 dos 15 líderes de bancada e só precisa de maioria simples para ser aprovada.

O pedido de criação da CPI, feito pelo deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB) a partir das denúncias envolvendo a grife espanhola Zara, obteve 42 parlamentares signatários, superando as 32 assinaturas exigidas pelas normas do legislativo. Oficializado em 23 de agosto, aguarda apenas a liberação regimental para ser aprovado, dando início às investigações. “Cristianismo relevante é, sim, aquele que liberta espiritualmente, mas é também o que liberta de toda forma de escravidão social”, completou o deputado estadual.  

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