Deputado Federal comenta sobre o poder da bancada evangélica no congresso, kit gay e outros assuntos polêmicos

Garotinho fala sobre poder dos evangélicos na política

Atualizado: Quinta-feira, 16 Fevereiro de 2012 as 12:15

 

O ex governador do Rio de Janeiro e atualmente deputado federal (PR-RJ),Anthony Garotinho, participou nesta quarta-feira do programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues.

Ao projeto, que é uma parceria do UOL e da Folha, Garotinho comentou sobre a iniciativa fracassada do governo federal de distribuir material sobre educação sexual em escolas públicas, falou sobre declarações do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) a respeito de pastores evangélicos e também criticou o governo de Dilma Rousseff.

Leia alguns trechos da entrevista:

Sobre Gilberto Carvalho

 O ministro Gilberto Carvalho não pode ter uma opinião quando está conversando com os evangélicos e uma outra opinião quando está no Fórum Social Mundial. O que foi que ele disse e que me causa tanto espanto? Ele disse: "Nós do governo, nós do PT, precisamos montar uma rede de comunicação capaz de vencer os evangélicos no embate ideológico que nós teremos com eles". Primeiro eu quero saber: qual é o embate ideológico que ele quer travar com os evangélicos? Porque os evangélicos não defendem ideologia, mas princípios. São coisas diferentes. Existem evangélicos de direita, de centro e de esquerda. Eu por exemplo, sou um político que sempre tive posições de esquerda. Mas eu conheço evangélicos de direita. Mas eu não abro mão dos meus princípios. Então não se trata de uma luta ideológica. Primeiro eu queria entender do que se trata a luta ideológica. Segundo: como ele vai montar esse sistema de comunicação? Que sistema é esse? Ele diz assim: "Esses telepastores ocuparam os meios de comunicação e fazem a cabeça dessa classe média emergente. E nós não podemos aprovar temas como aborto, que eles não deixam. Não avançamos mais na questão... naquele material pedagógico nas escolas...". [Esse material] que eles chamam de combate à homofobia, e que não é combate à homofobia, é um direcionamento para uma opção sexual. Isso não é papel de Estado. O Estado não tem que se meter na vida pessoal das pessoas. O Estado não tem que escolher se o cidadão deve ser homem, mulher ou optar por um outro sexo. Isso não é papel do Estado.

 A força dos evangélicos no Congresso


Nós temos 74 deputados [federais, de um total de 513] evangélicos, que estão juntos com uma parte da bancada católica. Existe uma parte católica mais ativa, na qual se inclui por exemplo o deputado Eros Biondini [do PTB de Minas Gerais] e o deputado Carimbão [Gilvaldo Carimbão, do PSB de Alagoas], que são católicos militantes. E no Senado são em torno de oito senadores [evangélicos, de um total de 81 senadores].

Atuação "orgânica"da bancada evangélica 


Votamos juntos somente naqueles pontos que tratam de princípios. Fora disso não. Por exemplo, no caso do Regime Diferenciado de Contratação [que flexibilizou as licitações para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016]. Boa parte dos evangélicos apoiou. Eu fui contra, porque eu acho que fere a Lei de Licitações, e é ruim para a democracia brasileira. No caso, por exemplo, da Lei Geral da Copa. Eu sou radicalmente contra fazer o tipo de concessão que o Brasil está fazendo [para as exigências da Fifa]. Já outros evangélicos votam de maneira contrária, ou seja, favorável à lei proposta pelo deputado Vicente Cândido [do PT de São Paulo]. Então nós não somos iguais. Eu por exemplo tenho uma postura radicalmente contra o presidente da CBF [Ricardo Teixeira]. Inclusive eu o estou investigando o sr. Ricardo Teixeira através de uma proposta de Fiscalização e Controle. Tem muitos evangélicos que são amigos do Ricardo Teixeira. Mantêm boas relações com ele. Vieram até me fazer pedidos para encontrar com ele. Alguns não tiveram nem coragem de assinar a CPI da CBF. Então eu quero dizer o seguinte: só nas questões em que tratamos de princípios nós votamos juntos.


Eleições Municipais


Confesso a você que, pelo menos no Rio de Janeiro, esse tema vai ter uma importância muito grande. Porque o posicionamento em relação a princípios do atual prefeito, Eduardo Paes [do PMDB], embora ultimamente ele tenha recebido apoio de alguns pastores, é muito complicado. O último filme da Prefeitura do Rio de Janeiro para divulgar a cidade do Rio de Janeiro no exterior, divulgado pela Riotur [Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro] foi obrigado a ser retirado do Youtube. Apareciam dois homens se beijando no filme durante um longo e afetuoso beijo e duas mulheres se beijando. Quando ele sentiu a repercussão desse filme, ele retirou. Então o Eduardo Paes é um notório defensor de políticas que vão contra princípios cristãos. Não são princípios evangélicos. Quem mais tem combatido de forma veemente a atitude tomada por alguns governos é o Papa [Bento XVI]. Recentemente o Papa Bento deu uma declaração importante a esse respeito, que a Igreja Católica tem o dever de guardar os princípios que ela defende.

 

Nova ministra de Dilma

Vamos aguardar que a política de governo não seja a política da ministra, mas seja a política da presidente. Isso é no que nós confiamos. Vamos estar atentos e esperar que ela cumpra com aquela carta que ela enviou aos católicos e aos evangélicos. Ela foi até Aparecida [cidade do interior de São Paulo], onde assumiu um compromisso com a Igreja Católica. Ela foi até encontros promovidos com evangélicos e discutiu abertamente esse assunto e disse: "Eu não vou me intrometer nas questões pessoais". E é isso que nós desejamos.


Kit Gay

 
Combater a homofobia. Era o discurso. "Vamos combater a homofobia". Eu também sou contra. Aliás, como governador eu fui o primeiro do país a criar o DDH. Disque Denúncia Homossexual. Qualquer violência contra o homossexual deve ser combatida. Só que aqueles vídeos e aquelas cartilhas eram promoção de uma opção sexual. Por exemplo, havia um vídeo chamado "Procurando Bianca". O que é procurando Bianca? Eu nasci Pedrinho. Em determinado momento da minha vida, descobri que eu posso ser... não ser Pedrinho. Eu posso ser Bianca. E meu pai não gostou dessa ideia. Meu pai achou que isso não era bom. Mas mesmo assim eu decidi ficar firme na minha opção. Aí eu descobri uma coisa melhor: que sendo Bianca ou Pedrinho não faz diferença, porque eu tenho 50% de possibilidade de ser feliz como Pedrinho, 50% de ser feliz como Bianca, então a probabilidade é maior se eu tiver duas opções sexuais. Peraí. Você vai ensinar isso para uma criança? Isso para mim e para você vira até um filmezinho bobinho. Mas para um garoto na escola que está se formando, está formando o seu pensamento, isso não é uma coisa correta.

 

Assista ao vídeo com a entrevista completa clicando aqui

 

 

Com informações da Folha

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