Deputados evangélicos assinam petição contra a marcha da maconha

Deputados evangélicos assinam petição contra a marcha da maconha

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 8:43

A Marcha da Maconha do Recife (PE), marcada para o próximo domingo, na Torre Malakoff, Centro, às 15h, está ameaçada. O movimento, que defende a legalização do uso da substância pode ser impedido de ir para as ruas por causa de uma petição assinada por dois deputados pernambucanos (um estadual e um federal). O documento, entregue na semana passada, em mãos, ao procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, argumenta que a organização comete crime de apologia ao uso de drogas.

Quem assina a petição são os deputados da bancada evangélica Adalto Santos, estadual, e Francisco Eurico, federal. Os dois são do PSB e pastores da Assembleia de Deus. Mas garantem que o pedido para que a marcha não aconteça é uma tentativa de defesa dos direitos de todos os brasileiros.

"Como parlamentar e representante do povo, a gente tem que combater o que vai fazer mal à sociedade", afirma o deputado Adalto. E completa: "Não estamos numa ditadura. Deve haver o debate, mas é preciso cuidado. Porque a decisão do STF semana passada (sobre os direitos civis de casais homoafetivos) começou assim, com alguém falando que homossexual sofria preconceito".

Na opinião do parlamentar, marchar pela legalização da maconha é fazer apologia às drogas, o que é crime no Brasil. "Já liberaram direitos de homossexuais, também tem cartilha nas escolas dizendo a crianças de 12 anos que ser homossexual não tem nada de mais. Onde esse País vai parar? Vamos começar a ver pessoas drogadas dirigindo, pessoas drogadas em restaurantes e ninguém vai poder dizer nada", comparou o pastor.

Um dos organizadores da Marcha da Maconha em Pernambuco o jornalista Neco Tabosa contesta os argumentos dos deputados. Na opinião dele, não há justificativa para tentar impedir a realização da manifestação.

"Eu nunca entendi por que eles fazem isso. Depois que a marcha aconteceu pela primeira vez e ficou claro que não acontece nada de mais, que não agride a sociedade, não há necessidade para tentar impedir novamente", afirmou. Ano passado, o promotor José Correia ingressou com ação na justiça para suspender a marcha, mas o poder judiciário não acatou o pedido. Já o documento assinado pelos parlamentares pernambucanos foi encaminhado por Fenelon para distribuição e ainda não foi apreciado.

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