Despedida às vítimas do deslizamento em Angra dos Reis é marcada com música de Regis Danese

Despedida às vítimas do deslizamento em Angra dos Reis é marcada com música de Regis Danese

Atualizado: Quinta-feira, 7 Janeiro de 2010 as 12

"Entra na minha casa/Entra na minha vida/Mexe com minha estrutura/Sara todas as feridas". Com este trecho da música "Como Zaqueu", de Regis Danese, sendo cantando por dezenas de pessoas no Cemitério Municipal de Arujá, no Centro, é que o caixão contendo o corpo de Keller Simão Neves, 35, vítima fatal do deslizamento de terra em Angra dos Reis, desceu para a sepultura, ontem, por volta das 10h30. O filho dele, Gustavo Sagaz Neves, de apenas 10 anos, foi enterrado logo em seguida. Parentes, amigos e populares lotaram o lugar para acompanhar o enterro, realizado sobre forte carga emocional. Uma cena de arrepiar mesmo que não tinha ligação com os falecidos. Antes, às 9 horas, tinham sido sepultados Adauto de Souza, 31, e a filha dele, Rafaela de Souza, 8.

Os corpos dos quatro foram velados no ginásio municipal Antônio Carlos Mendonça de domingo para ontem. Já a família Baccin (Márcio, 31 anos, Cecília Secco, 30, e Giovane Secco, 3, filho do casal), Ricardo Ferreira da Silva, 33, e Natália Costa Pacheco, 24 anos, tinham sido enterrados no domingo, no Cemitério da Paz, no Bairro do PL. O sepultamento do corpo da fisioterapeuta mogiana Joyce de Mello Yamato, 26, aconteceu ontem, em Mogi das Cruzes (leia matéria na página 1). Priscila de Oliveira Machado, 26 anos, namorada de Adauto, foi sepultada também ontem, em Ferraz de Vasconcelos.

Após o enterro do filho (Keller) e do neto (Gustavo), o dono de um cartório de Arujá Albino Barbosa Neves, 65 anos, falou, bastante emocionado, mas com equilíbrio nas declarações, sobre o falecimento dos entes. "Se a gente não acreditar em Jesus, ficamos isolados em plena multidão. Não andamos sozinhos, sem Ele. Por isso, não sei o que seríamos de nós agora sem Jesus. É Ele quem nos conforta", falou, reunindo forças para fazer as declarações. "Não temos que nos preocupar com a morte física e sim com a vida eterna. E é esta vida que está começando para eles agora", acrescentou.

Albino Neves, chamado carinhosamente pelos amigos de Nino, contou que ao ver as primeiras notícias da tragédia em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, perguntou à esposa o local para onde o filho teria viajado. E recebeu a resposta indesejada. Mais tarde, por volta das 13h30 da sexta, recebeu o telefonema de um dos sobreviventes relatando que a situação estava feia no local do desabamento. "Ele (sem citar o nome do sobrevivente) me disse que só um milagre de Deus salvaria quem estivesse debaixo dos escombros. Conversei com a mulher para nos prepararmos, então, para o pior", lembrou, lamentando também a morte de Joyce Yamato, noiva de Keller. "Ela era uma benção que apareceu nas nossas vidas. Já a tratávamos como nora", revelou.

A mãe de Keller, Noemia Neves, 55 anos, só teve forças para falar algumas poucas frases à imprensa: "Em entrevistas que os sobreviventes deram, disseram que ouviram um estrondo e observaram um clarão. Somente depois disso é que parte do morro desceu. Achei muito estranho isso. Gostaria que esta história fosse apurada". Os irmãos de Keller estavam bastante abalados, por isso pediram para não conversar com os jornalistas.

Uma amiga da família, Lucila de Almeida, 27 anos, confirmou que a fé nos princípios espirituais tem sido o principal suporte dos Neves neste momento. "Eles são pessoas de Deus. E isso os conforta", salientou, lembrando com saudades do amigo Keller. "Ele era um cara muito especial, alegre e festivo. A gente se conheceu há uns 10 anos", afirmou. Naquele mesmo dia, ela estava também em Angra, porém a 1h30 de distância de onde aconteceu o deslizamento que levou à morte do amigo de Arujá.

Postado por: Felipe Pinheiro

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