Desse mundo, nenhuma justiça dá para esperar

Desse mundo, nenhuma justiça dá para esperar

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 8:50

Ela acaba de ser condenada há 4 anos em regime semi-aberto. Em 2008 ela foi uma das pichadoras no ataque à Bienal em São Paulo, quando um grupo invadiu de forma truculenta o pavilhão e pichou as paredes no dia da abertura ao público. Seu advogado contestou, queria que sua cliente fosse condenada apenas pelo crime de pichação. Mas formação de quadrilha e destruição de patrimônio público foi o entendimento do tribunal.

Penso que pichar o que não é seu merece a devida punição. É decepcionante para quem pintou sua casa ou comércio, ter a estética pretendida estragada por pichações. No entanto, esse tipo de punição causa nojo, devidamente acompanhado de náuseas. O crime foi em 2008, estamos em 2011 e a decisão condenatória saiu. Mais, saiu até na mídia. E eu insisto na pergunta: alguém aí conhece Caroline Pivetta? Minha próxima pergunta facilitará o entendimento sobre onde quero chegar.

Você conhece o Edmundo? Ex-jogador de futebol e atualmente comentarista, também conhecido como Animal? Pois é, após 13 anos de manobras jurídicas, teve seu processo extinto. Há 13 anos ele se envolveu num acidente automobilístico no qual morreram três pessoas. De lá para cá, praticamente todas as notícias que saíram na imprensa afirmavam que ele dirigia alcoolizado. Se a condenação num processo e a extinção de outro não são injustas, no mínimo, são estranhas.

Por treze anos os advogados do Edmundo conseguiram protelar qualquer justiça. Por treze anos, pelo menos três famílias, das vítimas fatais, ficaram esperando por uma justiça que trouxesse um pouco de consolação. Enquanto isso, a pichadora, em três anos, recebe sua condenação. Em outras palavras, quando os homens que julgam querem condenar, eles condenam. Existem leis, basta os juízes, quando querem, determinarem que sejam cumpridas.

Lamentável. A comparação foi com o Edmundo, mas poderia ser com a imensa lista de políticos famosos, artistas, filhos de ricos e tantos outros que diariamente inundam as redações dos jornais com seus escândalos e nada acontece. Se a Caroline Pivetta pegou 4 anos, quantos anos mereceria quem mata pessoas no trânsito por dirigir alcoolizado? É só uma discussão. Óbvio, cada lado terá sua versão e defesa, é um direito. Mas que os pobres, pequenos e anônimos sofrem muito mais com as penas da lei, não tenho a menor dúvida. Como disse, é no mínimo estranho.

Uma última pergunta: você conhece o Datena? Pois é, ele trabalha na mesma emissora onde trabalha atualmente o Edmundo. Nada foi dito em seu programa sobre o caso Edmundo, cujo conteúdo editorial prioriza casos policiais e pronunciamentos diários de indignação por causa de injustiças parecidas com esta, do caso Edmundo. Desse mundo, nenhuma justiça dá para esperar. Ainda bem que continuamos a ter um advogado, Jesus Cristo, o justo. Enquanto isso, ironicamente, resta-nos repetir o bordão do Datena: me ajuda aí.

Paz!

Por: Edmilson Mendes

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