Desvendando os Mistérios da Vida - Coluna Prof. Adauto Lourenço

Desvendando os Mistérios da Vida - Coluna Prof. Adauto Lourenço

Atualizado: Terça-feira, 31 Março de 2009 as 12

Todos nós já nos deparamos com perguntas do tipo: De onde viemos e como chegamos até aqui? O que nos trouxe à existência? Como nos encaixamos com a realidade do todo?

A biologia, ao contemplarmos a complexidade e a variedade da vida, depara-se com perguntas, em essência similares, mas com implicações científicas profundas: Qual a origem da vida? Qual a origem da complexidade? E da variedade? Quais processos estariam envolvidos? Somente necessidade e acaso? Poderiam processos naturais ter reunido as estruturas complexas encontradas nas células vivas? Teria sido somente a química a responsável pela origem da vida na Terra? Qual teria sido a origem da informação genética codificada encontrada nos organismos vivos? Seria o design manifesto na complexidade e na variedade decorrente de uma causa inteligente? Seria este design intencional? Haveriam outras teorias que oferecessem respostas científicas contundentes a estas perguntas, além do naturalismo?

Em 1831, Darwin com 22 anos de idade embarcou no H.M.S. Beagle para uma viagem de pesquisa ao redor do mundo que duraria 5 anos. No arquipélago Galápagos, localizado a cerca de 1000 quilômetros da costa do Equador, Darwin encontrou pássaros, mamíferos e répteis nunca vistos antes. Ele fez anotações extensivas e coletou várias amostras. Cerca de 25 anos mais tarde ele publicaria as suas conclusões no livro: A Origem das Espécies Através da Seleção Natural.

A seleção natural foi apresentada por Darwin como uma idéia convincente para explicar as variações que seriam vantajosas e que seriam herdadas por sucessivas gerações. Através desse processo, com o passar de muito tempo, organismos fundamentalmente diferentes teriam surgido sem qualquer forma de direcionamento inteligente. Assim, toda a vida seria o produto de forças puramente naturais, sem qualquer objetivo: acaso + seleção natural + tempo.

Darwin não foi o primeiro a propor uma teoria evolucionista. Ele, porém, foi o primeiro a ofecerer um mecanismo naturalista plausível para as mudanças biológicas através de longos períodos de tempo.

Para Darwin, a seleção natural explicava o aparecimento do projeto sem o projetista, não havendo assim a necessidade de se encontrar uma causa inteligente para a complexidade da vida.

Antes de Darwin, a maioria dos cientistas e filósofos como Platão, Newton, Keppler, consideravam o mundo como o produto de um projeto: um plano racional, teria produzido um universo racional que poderia ser equacionado e compreendido racionalmente.

O pensamento de Darwin, embora dentro da biologia, produziu mudanças profundas na filosofia científica da sua época, as quais continuaram influenciando o pensamento até os tempos modernos em áreas muito além da sua proposta na biologia.

Questionando o Status Quo

Dr. Phillip E. Johnson, professor de direito da Universidade da California, Berkeley, reuniu em 1993, na California, um grupo de cientistas e filósofos da ciência para discutir questões relacionadas com o Darwinismo. Dentre os muitos participantes deste encontro estavam Dr. Michael Denton (Evolution: A Theory in Crisis), Dr. Michael Behe (Darwin’s Black Box), Dr. Dean H. Kenyon (Biochemical Predestination), Dr. Jonathan Wells (Icons of Evolution), Dr. Stephen C. Mayer (Science and Evidence of Design in the Universe) e Dr. William Dembsky (The Design Inference).

Todos estes, em suas áreas de pesquisa, já haviam de forma direta ou indireta questionado a validade das proposotas evolutivas apresentadas por Darwin e sustentadas até hoje por um grande número de cientistas. O impacto destes questionamentos não ficou resumido a meros comentários. Atingiu a comunidade científica global.

Hoje, para um grupo crescente de cientistas, as evidências científicas apontam para uma resposta cada vez mais distante da teoria naturalista proposta por Darwin.

O Mecanismo da Seleção Natural e a Informação

Segundo Darwin, "a seleção natural atua somente ao tirar vantagem de variações minúsculas e sucessivas. Ela nunca poderia dar um grande salto, mas deve avançar através de passos lentos e curtos." 3

A seleção natural é um processo real, o qual explica certos tipos limitados de variações observadas, sendo mudanças em pequena escala um exemplo. O que ainda precisa ser compreendido é onde ela funciona e onde ela não funciona e por quê existe tal diferença. Uma explicação sobre as variações do bico dos tentilhões não pode ser entendida como sendo a explicação da origem dos próprios tentilhões.

A idéia aceita pelos cientistas do Século XIX de que a célula era uma simples "bolha" de protoplasma, a qual não era difícil de ser explicada, permanceceu até meados dos anos 50. A partir daí o conhecimento sobre a célula passou por uma mudança radical.

Hoje nós sabemos que a mais simples célula é constituida de pequenas máquinas moleculares em miniatura, com instruções pormenorizadas para o seu funcionamento, com uma complexidade tal que os cientistas da época de Darwin e após ele jamais poderiam ter imaginado.

Qual seria a origem das instruções que produzem e coordenam tais máquinas moleculares miniaturizadas nos organismos vivos? Muito mais do que as próprias máquinas, a informação relacionada a elas é a fonte real de pesquisa para a compreenção de tais sistemas

O Flagelo Bacteriano

Um flagelo bacteriano (da Salmonela, por exemplo), possui um motor completo sem a menor possibilidade de uma montagem aleatória. Nele são encontradas 40 partes protêicas que são necessárias para o seu funcionamento. Se apenas uma parte estiver faltando o flagelo não funciona.

Em termos evolutivos, seria necessário explicar como um sistema assim poderia ter sido montado gradualmente. A menos que o mecanismo do flagelo estivesse perfeitamente montado e funcionando, a seleção natural não poderia preservá-lo nem repassá-lo para uma geração posterior, pois o tal flagelo não teria nenhuma função. Uma bacteria com um flagelo sem um motor conectado ao mesmo, faria com que a seleção natural removesse o flagelo e não que esta criasse o motor. A seleção natural atuaria somente depois do flagelo ter se tornado perfeitamente funcional, e não antes.

Das 40 partes protêicas do motor, 10 são encontradas numa outra máquina molecular. As outras 30 partes são únicas. Assim sendo a teoria da co-opção não pode ser usada para explicar o aparecimento do motor.

Além do mais, existe uma seqüência exata da ordem de montagem num tempo certo.

Darwin disse que se pudesse ser demonstrado que tal órgão complexo existisse, o qual possivelmente não pudesse ter sido formado por pequenas modificações sucessivas, a sua teoria não subsistiria.4

A Impossibilidade da Auto-formação de Proteínas

Existem mais de 30 mil tipos de proteínas conhecidos, sendo que cada um deles é formado por uma combinação diferente de 20 aminoácidos específicos. Os aminoácidos não possuem a capacidade de se auto-organizarem em qualquer seqüência biologicamente significativa e as proteínas não se auto-montam sem as instruções contidas no DNA.

A macro-molécula do DNA possui uma propriedade que não pode ser explicada pelos processos naturais: uma grande quantidade de informação armazenada em forma de substâncias químicas. Este código químico tem sido chamado de a linguagem da vida, sendo ele o mais compacto e o mais elaboradamente detalhado conjunto de informações conhecido até o presente.

Como as proteínas poderiam ter surgido num oceano primitivo sem a presença do DNA? Como juntar num oceano primitivo todas as partes necessárias para que um ciclo de auto-duplicação se estabelecesse? Como explicar a origem das instruções genéticas de montagem?

Qualquer proposta naturalista, usando-se da seleção natural, não poderá responder.

A Origem da Informação Genética e a Seleção Natural

Qual seria então a origem da informação genética? Qual a fonte da informação biológica encontrada no DNA?

Pensava-se na seleção natural agindo nas próprias substâncias químicas, a fim de produzir a primeira vida primitiva. No entanto, por definição, a seleção natural não poderia ter atuado antes da existência da primeira célula viva. A seleção natural só pode atuar sobre organismos capazes de se reproduzirem.

Sem DNA não existe auto-duplicação e sem auto-duplicação não existe seleção natural. Portanto, a seleção natural não pode ser a causa do aparecimento do DNA.

Todas as experiências que tentaram construir vida em tubo de ensaio fracassaram, pois vida é mais que matéria: é informação. A molécula de DNA é o meio, não a mensagem. E o meio não escreve a mensagem.5

Tentar explicar a origem da vida misturando-se substâncias químicas em tubo de ensaio seria como soldar interruptores e fios no esforço de produzir o sistema operacional Windows. Não dará certo porque trata o problema usando o nível conceitual errado.6

A Teoria do Design Inteligente

O argumento para um design inteligente se baseia na observação de fatos. Reconhecemos um design inteligente todo o tempo. Por exemplo, ao observarmos a formação rochosa do Monte Rushmore nos Estados Unidos, onde encontramos a face de quatro presidentes americanos esculpidos na rocha, não concluimos que foi a erosão do vento e da chuva que teriam produzido tal escultura. Antes atribuimos a uma causa inteligente, a um escultor. É parte do nosso raciocínio reconhecer os efeitos de um design inteligente.

Mas como sabemos que algo é resultado de design e não de causas naturais?

William Dembsky estabeleceu critérios confiáveis e científicos para a identificação do design.7 Em termos probabilísticos, os critérios têm a seguinte forma:

objeto altamente improvável + padrão reconhecido = informação.

Portanto, informação é o parâmetro principal e confiável para a identificação de design. Inteligência, e não processos naturais, é a causa real da existência da informação.

É no novo campo da genética molecular onde encontramos as evidências mais convincentes de um design inteligente existente na vida encontrada na Terra.

Causas inteligentes são reais e deveriam fazer parte da caixa de ferramentas da ciência, pois a ciência do Século XXI baseia-se em três conceitos básicos: matéria, energia e informação.8

Bibliografia

1 Ver Paul H. Rubin, Darwinian Politics: The Evolutionary Origin of Freedom (New Brunswick, New Jersey: Rutgers University Press, 2002); Arthur E. Gandofi, Anna S. Gandolfi e David P. Barash, Economics as an Evolutionary Science: From Utility to Fitness (New Brunswick, New Jersey: Transaction, 2002); John H. Beckstrom, Evolutionary Jurisprudence: Propospects and Limitations on the Use of Modern Darwinism Throughout the Legal Process (Champaign, Illinois: University of Illinois Press, 1989); Suri Ratnapala e Jason Soon, Evolutionary Jurisprudence (Aldershot, Hampshire, United Kingdom, 2003).

2 Lista atualizada de cientistas que questionam a validade da teoria Darwiniana: www.dissentfromdarwin.org

3 Charles Darwin,  The Origin of Species, (Primeira edição, publicada por John Murray, London, 1859) p. 170.

4 Darwin,  idem, p. 166.

5 John Brockman, The Third Culture: Beyond the Scientific Revolution (New York: Simon & Schuster, 1995), p. 43.

6 Paul Davies, "How We Could Create Life: The Key to Existance Will Be Found Not in Primordial Sludge, but in the Nanotechnology of the Living Cell", The Guardian, December 11, 2002.

7 William A. Dembsky,  The Design Inference: Eliminating Chance through Small Probabilities, (Cambridge University Press, 2006).

8 Albert Einstein, "Remarks on Bertrand Russell’s Theory of Knowledge", The Philosophy of Bertrand Russell, P.A. Schilpp, editor (Tudor Publishing, New York, 1944), p. 290. Ver também J. W. Oller Jr., Language and Experience: Classic Pragmatism, (University Press of America, 1989), p. 25.

Adauto J.B.Lourenço Adauto é formado em Física pela Bob Jones University, USA. Mestrado em Física Nuclear pela Clemson University, USA. Pesquisador responsável em Sistemas de Imagem de Estruturas Atômicas (Oak Ridge National Laboratory), membro da American Physics Society (EUA) e pesquisador em Trocas de Energia em Nível Atômico (Max Planck Institut für Stromunsgsforchung, Alemanha). Trabalhou na Nasa e hoje faz palestras pelo Brasil e Estados Unidos, defendendo a teoria criacionista. É também formado em teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

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