Deus não tem pressa

Deus não tem pressa

Atualizado: Terça-feira, 22 Fevereiro de 2011 as 1:43

Há momentos na vida em que imaginamos Deus muito distante, sem pressa alguma em atender-nos, indiferente ao clamor da nossa voz, à dor que nos aperta o peito. A sensação da demora de Deus nos angustia a alma; então, nos limites da nossa humanidade, perguntamos: "até quando Senhor?". Este é o grito que muitas vezes está preso em nossa garganta: "Até quando vamos suportar? Até quando teremos de esperar?”.

Essa sensação de quase abandono, por conta da aparente demora de Deus, muitas vezes coloca nossa fé em xeque-mate. Parece até que toda a construção da nossa espiritualidade vai desmoronando, como um edifício em ruínas. A paciência vai sendo vencida pela agonia; a fé, ainda que contra a nossa vontade, entra em crise, abalada pela pressão dos ventos contrários, que jogam sobre nós a poeira da incredulidade.

Entre nossas necessidades mais urgentes e a sensação da demora de Deus, há algumas lições importantes que precisamos aprender. A primeira é a relação entre o tempo de Deus e o nosso. Deus não tem pressa. O agir dele, como Senhor do tempo e da história, é a exata medida de Sua precisão. Deus é perfeito em tudo que faz. A pressa é uma das características do agir humano, permeado pela ansiedade, pela insegurança e, sobretudo, pela sensação oculta de fragilidade que há dentro de nós. Deus é soberano.

Em segundo lugar, o tempo de Deus é, também, um tempo pedagógico. Enquanto esperamos, Ele nos está ensinando algo. Muitas vezes, trabalhando nossa interioridade, mudando nossas percepções e nossos valores, moldando as estruturas deformadas do nosso caráter, ou dando-nos visões novas sobre o emergente que nos circunda. Muitas vezes, nos intervalos entre a dor e o sorriso, a ansiedade e a paz, a doença e a saúde, tornamo-nos pessoas diferentes, interiormente curadas, humanamente melhores.

Geralmente, temos dificuldades em lidar com nossas limitações. Nossos esquemas racionais de tomadas de decisões nem sempre funcionam bem. Estamos sujeitos às surpresas que a própria vida nos reserva. O curso natural da vida não depende de nós, mas do Criador, Senhor da história. Quando tudo parece totalmente perdido, Ele entra em cena surpreendendo-nos. No silêncio, ouve-se a Sua voz. Do nada, Ele faz surgir o necessário. Deus sempre nos surpreende.

Por isso, saber viver é aprender a plantar sementes de fé e saber esperar pelo dia de amanhã, sabendo que: o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer (Salmo 30.5). O segredo é não se apavorar, entendendo que as aparentes derrotas de hoje estão construindo os caminhos para as vitórias que virão amanhã.

O importante é não apenas perguntarmos até quando teremos de esperar, mas o que podemos aprender com esta experiência, o que este momento pode ensinar-nos. Portanto, nunca nos esqueçamos: Deus jamais falha, nós é que nos angustiamos. Deus não tem pressa!  

Pr. Estevam Fernandes de Oliveira

Estevam Fernandes   ingressou no Seminário Teológico de Recife (PE) ainda jovem, em 1976, influenciado pelo seu irmão, Eli Fernandes (atualmente também pastor). Em1980, ainda seminarista assumiu o cargo de pastor auxiliar temporariamente na Igreja de Ilhéus (BA). Atualmente pastoreia a Primeira Igreja Batista de João Pessoa (PB).

veja também