Deus pode ser glorificado em diferentes tipos de arte, diz rapper americano

Deus pode ser glorificado em diferentes tipos de arte, diz rapper americano

Atualizado: Quarta-feira, 30 Junho de 2010 as 4:58

Som com batidas fortes e letras cheias de rimas. Esse era o cenário da Igreja Bola de Neve do Tatuapé (SP) na última sexta-feira, 25, que realizou um show de rap e hip-hop com Bryan Winchester, o "Braille", rapper americano que visitou o Brasil pela primeira vez.

A banda Parábola abriu a programação com músicas de encorajamento. Versos como "cada dia uma luta, meu truta, é só vitória"; "Tenha fé, guerreiro, não desista. Vale descansar, vale confiar. Existe a luz no fim do túnel, Deus te ama", compunham as canções que agitaram o início da festa.

O rap e o hip-hop são estilos diferentes dos que geralmente são vistos dentro das Igrejas. A batida é mais forte, o ritmo é mais rápido e as letras, mais ousadas. Por esses motivos, são músicas que atraem os jovens, mas por outro lado, não têm tanto espaço nas igrejas.

O pastor Mohamed Ali Kassab, da Bola de Neve do Tatuapé, falou, em entrevista ao GUIA-ME.com.br, sobre a possibilidade de adorar a Deus com todos os estilos. "O rap nasceu como uma forma de protesto e muitas pessoas que faziam rap acabaram conhecendo a Jesus e não deixaram de gostar e fazer aquele tipo de arte, e o protesto se tornou evangelismo. As letras, em sua maioria, são mesmo de protesto. Protesto contra o mal, contra o roubo, contra a violência".

"Não só no hip-hop e no rap, mas no rock and roll, no reggae, e todos os outros estilos, nós temos como adorar a Deus, nos divertir e usar tudo aquilo que nós gostávamos antes, só mudando a letra, fazendo o que já era bom, se tornar muito melhor. Temos pessoas em todos os estilos adorando a Deus. Nós temos uma banda de forró que também canta aqui, é o 'Chinela de Fogo'. Acho que todos os estilos podem ser usados para alcançar as pessoas. Eu gostava de reggae, e continuo gostando, se outra pessoa gostava de samba, também vai continuar gostando, só que para adorar a Deus", completou Mohamed.

A Banca D'K, liderada pelo irmão Léo, também cantou músicas como "Ele tá vendo", "Dinheiro, poder e respeito", e "Click" - canção conhecida também internacionalmente.

Banca D'K, de Curitiba, em apresentação de rap na Bola de Neve   "Eu não tenho vergonha de assumir que faço rap para Deus. Eu abracei essa cidade, amo São Paulo. Acredito que existem homens e mulheres de Deus nesse lugar, e é preciso que se você se levante com sede e fome da Sua Palavra", disse irmão Léo, que pediu para que todos levantassem as mãos e cantassem com ele a frase: "que venha e permaneça Teu reino inabalável".

Animado, o rapper que canta músicas que falam de suas experiências com Deus e de situações que todos enfrentam, como estudo, trabalho e falta de dinheiro, mostrou que não gosta de ver as pessoas paradas. Braille pulou, que dançou o tempo todo, incentivou as pessoas a também dançarem com ele.

Em um intervalo de sua apresentação, o rapper avisou que o show não havia acabado, e que ele ainda queria dividir o coração com todos "um pouquinho mais". "Tenho uma 'nenêzinha' de três anos e gosto de ficar em casa, mas preferi vir até aqui. É um privilégio estar aqui, amo vocês", declarou.

Ao reiniciar o show, Braille cantou "Shades of Grey", música que dá nome ao seu álbum mais recente. No fim da apresentação, o rapper chamou os integrantes do grupo Parábola e Banca D'K para cantarem juntos, em um momento de descontração.

Experiência de estar no Brasil

Em entrevista ao GUIA-ME.com.br, Bryan Braille abordou a forma peculir que tem ao retratar a palavra de Deus. "Eu acredito, primeiramente, que Deus é o criador de todas as coisas, e todas as coisas podem ser usadas para glorificá-lo quando andamos no caminho Dele. Vai chegar um tempo em que não haverá música secular e nós vamos ver o operar de Deus nas vidas de muitas pessoas, de diferentes formas em nossa cultura. Acho que isso é uma coisa muito bonita, Deus poder ser glorificado em diferentes culturas, diferentes estilos de arte. Ele usa essas coisas para trazer as pessoas até Ele".

Pela primeira vez no Brasil,  o rapper demonstrou gratidão. "Honestamente, eu nunca achei que iria ter uma oportunidade desta através da música. Eu sou muito grato e estou aprendendo muito com os serviços que tenho feito. Parece que tem um movimento de avivamento onde um grande número de pessoas, em todas as cidades que eu visitei, estão buscando a Deus e isso está sendo muito encorajador para mim, é algo que certamente está me abençoando. (...) Ver pessoas chegando animadas hoje e sabendo algumas músicas, simplesmente me deixou muito feliz e me mostrou como Deus usa algumas coisas como a internet para abrir portas para as pessoas que estão procurando músicas que glorificam Deus", falou.

Mesmo necessitando da ajuda de tradutores para conversar, o músico diz ter vivido experiências marcantes de testemunhos. "Sinto que eu tenho chances de falar com muitas pessoas que não falam a mesma língua que eu e sentir uma conexão; não é só falar de como a vida é fácil, mas falar das dificuldades e nos ajudar a continuar, independente das circunstâncias. Não é fácil, mas Deus usa essas horas difíceis de nossas vidas para nos fazer mais parecidos com Jesus. Passar pelo sofrimento, mas aprender a ser leal a Deus para chegar mais próximo a Ele. E quando as pessoas chegarem a esse nível vão dizer: 'Você sabe de uma coisas? Jesus é meu Senhor e ele vai me amparar, não importam as circunstâncias'. Ver as pessoas chegarem a esse relacionamento com Cristo é maravilhoso", exclamou Braille.

Sobre voltar ao Brasil futuramente, ele não deixa dúvidas. "Deus abriu esta porta e foi Ele que me trouxe aqui. Eu não vim aqui apenas como músico, mas Ele me trouxe para ministrar e ser ministrado também. E tem sido uma experiência maravilhosa. Se Ele abrir a porta para eu voltar para o Brasil, eu não vou negar [risos], eu realmente vou querer vir".

"O Brasil tem sido surpreendente", disse o rapper no microblog Twitter sobre sua estadia no país.

Braille, Banca DK e Parábola - Show na Bola de Neve do Tatuapé

Por Juliana Simioni

Fotos: Marcos Paulo Corrêa

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