"Diário do Diabo" chega ao Brasil para concorrer com a Bíblia

"Diário do Diabo" chega ao Brasil para concorrer com a Bíblia

Atualizado: Quarta-feira, 9 Dezembro de 2009 as 12

Publicado pela Geração Editorial, o livro "Diário do Diabo", chega ao Brasil.

O "diário confidencial" expõe de maneira sarcástica como o Bem e o Mal podem ser apenas questão de negócios, e procura comprovar que o Diabo não é tão feio "quanto o pintam". Com humor irreverente, entre os relatos do diário estão a história dos Dez Mandamentos, quando o Diabo cria então a lista dos Desmandamentos. Segundo o livro, o capeta investiu também em um "Departamento de Ciência" para inventar uma doença que poderia ser transmitida por ratos. Figuras famosas também são citadas, como governantes antigos e o atual presidente dos EUA, Barack Obama.

No site, a editora fala sobre o autor de "Diário do Diabo", Nicholas D. Satan: "Ele nasceu algum tempo antes do 'Big Bang'. Rapidamente subiu nos escalões e se tornou diretor presidente da Satancorp, que ele tem dirigido com muito sucesso por vários milênios. Entre suas muitas realizações, ele é célebre pela habilidade em negociações contratuais e como autor de 'Os setes hábitos mortais de pessoas altamente demoníacas' ou 'Como obter puxa-sacos e destruir a preciosa criação de Deus'. Quando não está trabalhando, Satanás gosta de traçar planos para o Armagedom, eliminar os Kennedys, e cair na gandaia com sua concubina, a Prostituta da Babilônia. Ele mora com a sua amada esposa Lilit e seus dois adoráveis filhos, Íncubo e Súcuba, na Cidade Infernal".

Da Crucificação de Cristo à Guerra do Iraque, do aquecimento global aos reality shows, o livro contou com diversos, digamos, indiscípulos, que alcançaram a glória prometida com a venda da alma. O livro cita os funcionários da Satancorp que tiveram mais destaque em seus empreendimentos, gente boa como Nero, Rasputin e um tal George W. Bush.

Segundo o tradutor do livro, Paulo Schmidt - que afirma ter feito um acordo com o demônio para pegar o serviço - fica claro, também, as ligações do capeta com a família Sarney, entre outros políticos brasileiros.

Geração Editorial

Foi fundada em 1992, pelo escritor e jornalista Luiz Fernando Emediato. Seus três primeiros livros - "A República na Lama", de José Nêumanne, "A Volta do Fradim", de Henfil, e "A Grande Ilusão", do próprio Emediato - foram lançados na Bienal Internacional do Livro de São Paulo naquele ano. Diferente das demais editoras - seu proprietário e editor é também escritor polêmico - a Geração está sempre provocando o mercado e a mídia, com seu slogan atrevido: "uma editora de verdade".

Desde então a editora não deixou de causar polêmica. O livro de Nêumanne tratava do impeachment do presidente Collor e foi um dos primeiros instant books produzidos no Brasil, ainda durante o calor dos fatos. Logo em seguida a Geração publicou o explosivo "Mil Dias de Solidão", do ex-porta-voz de Collor, Cláudio Humberto Rosa e Silva.

Considerada a mais barulhenta e a mais eclética das editoras ditas de "interesse geral", a Geração publicou livros de Frei Betto, petista, e de Luiz Antônio de Medeiros, arqui-adversário do PT; de Luiza Erundina e de Cleto Falcão, do grupo político ligado ao ex-presidente Collor; de Plínio Marcos, considerado um dos malditos da literatura brasileira, e de Ivan Angelo, já considerado um dos clássicos da moderna literatura; dos irlandeses Neil Jordan e Patrick McCabe, cujas vidas se mesclam com o cinema, a literatura e a militância política com simpatia pelo IRA; e do inglês Will Self, da nova literatura inglesa transgressiva.

Vários livros da Geração estiveram proibidos durante algum tempo, como "Mil Dias de Solidão", de Cláudio Humberto ou "Psicopata", de José Luiz Tavares. A editora lutou na Justiça, durante mais de um ano, para liberar a autobiografia "Nos Bastidores do Reino - A Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus", de Mário Justino, que ficou apenas 22 dias nas livrarias.

Postado por: Adriana Amorim

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