Discussão em estacionamento de igreja termina com dois mortos

Discussão em estacionamento de igreja termina com dois mortos

Atualizado: Terça-feira, 18 Maio de 2010 as 3:19

Na última segunda-feira, 17, por volta das 20h15, dois homens foram baleados na esquina da Rua Vicente Timpônio, no Bairro Bom Retiro, onde suspostamente funciona um estacionamento alternativo da nova sede da Igreja Batista da Lagoinha em Betim. Segundo vizinhos e familiares das vítimas, o jardineiro, Jaime José Alves, de 25 anos e o caminhoneiro Clauciano Ferreira Araújo, 34, estavam voltando para casa quando tudo aconteceu. Segundo a sogra de Clauciano, a dona de casa Maria da Conceição de Paula, 54, o tulmulto seguido de tiros começou logo após uma suposta discussão entre os dois e alguns vigias do estacionamento da igreja. "Eles pararam os carros na porta da nossa casa e os meninos pediram para tirar para poderem passar com a moto. Eles não aceitaram e atiraram", contou.

Ainda de acordo com Conceição os rapazes tinham o temperamento um pouco agressivo, mas não usavam drogas ou tinham armas em casa que pudessem justificar o homicídio. "Eram trabalhadores. O Glauciano deixou uma filha de 8 anos e uma mulher grávida de nove meses. O Jaime namorou a minha filha e até morava comigo de favor", contou.

Na vizinhança os rapazes eram conhecidos como humildes e trabalhadores. "Estamos revoltados com essa situação. Uma igreja que veio para trazer a benção trouxe duas mortes. Antes não acontecia nada disso aqui", disse uma vizinha que não quis se identificar. Segundo os moradores da região desde a inauguração da igreja, há aproximados 10 dias, a rotina e a vida deles mudou. "Ficamos com medo o tempo todo, se pedimos para eles estacionarem de um jeito eles já nos apontam as armas que carregam", completou a vizinha.

Investigação

A delegacia de homicídios, responsável pela investigação do crime, revelou que, até o fechamento dessa edição, ainda não existiam linhas de investigação definidas e que uma delas apontava para uma possível briga entre flanelinhas que cuidavam dos carros estacionados no local.

Pastor nega

De acordo com Conceição as ameaças, por parte dos vigias do estacionamento, são constantes já que muitos são policiais e usam as armas para intimidar os moradores do bairro que se opõem a vontade da igreja. O estacionamento improvisado funciona em uma área pública que antes funcionava como um bota-fora do bairro. "As pessoas agora param os carros aqui de qualquer jeito para ir para o culto e atrapalham a nossa vida. Em dia de culto não conseguimos nem passar caminhando por aqui", lembrou a dona de casa.

Já o pastor Dinei, responsável pela igreja em Betim, nega as acusações e diz desconhecer a autoria dos disparos. "Nós não temos ninguém programado para tirar a vida de outras pessoas", disse. Ainda segundo o pastor a igreja nunca possuiu segurança armada e são os próprios irmãos que cuidam do patrimônio da igreja e dos carros de outros fiéis que ficam estacionados na região. "Temos irmãos que são policiais, olham os carros, mas que não ficam armados. São homens de Deus", garantiu. O pastor reforçou também que o que acontece fora da igreja não tem ligação com o que ocorre dentro dela. "Isso foi um ato isolado que foge do nosso controle. Eu estava orando quando ouvi os disparos, uma coisa independe da outra", finalizou.

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