Elas escolheram a vida

Elas escolheram a vida

Atualizado: Terça-feira, 16 Junho de 2009 as 12

''Quando dói, grito ai, quando é bom, fico bruta, as sensibilidades sem governo. Mas tenho meus prantos, claridades atrás do meu estômago humilde e fortíssima voz pra cânticos de festa''. (Poema Grande Desejo, de Adélia Prado)

Escolher a vida é tarefa diária. Crescimento gera dor. Mas também traz prazer e sabedoria. Humaniza e capacita para a missão. As mulheres reunidas nos dias 5, 6 e 7, na Faculdade de Teologia da Universidade Metodista, em São Paulo (SP) fizeram a escolha pela vida. Vieram de muitas partes do país para participar de palestras que tiveram como tema a saúde integral, um terreno desconhecido (e até proibido!) para muita gente que ainda acha que o corpo é separado da alma.

A palestra de abertura, ministrada pela bispa e médica Marisa de Freitas, da Região Missionária do Nordeste rompeu barreiras, aplainando o caminho para as palestras que se seguiram. Marisa falou sobre o princípio da vida, fazendo uma linda analogia do funcionamento do corpo humano com os propósitos de Deus e o exercício da espiritualidade.

Explicando o processo de fertilização do óvulo pelo espermatozóide, ela disse que a nova vida se gera na união: é imagem de Deus que também une, em si mesmo, as características masculinas e femininas que concede à humanidade. ''Quando a vida começa em comunhão, ela se multiplica''.

Assim se multiplicam as células e cresce um bebê que, apesar de protegido e confortável, procurará, no momento certo, sair à luz. ''Todo o ser que nasce de Deus anseia pela vida e liberdade. Não dá pra ficar a vida inteira no ventre materno'', disse a bispa, lembrando que este princípio também é válido para a vida cristã.

É necessário liberdade e crescimento. Contudo, toda vida em liberdade exige dor e sacrifício. ''O bebê chora ao nascer levando tapinha ou não porque a entrada de ar nos alvéolos pulmonares provoca dor'', disse ela. ''Da mesma maneira, ninguém cresce sem passar por uma situação difícil''.

A teóloga e médica metodista foi enfática ao afirmar que o corpo humano não é “pecado”: “O diabo não tem corpo e é pecador.  O nosso corpo é sinal palpável do milagre de Deus. Por isso, precisamos conhecer nosso corpo. Quanto mais o conhecermos, mais poderemos cuidar dele, valorizando-o como habitação do Espírito”.

Segundo Marisa, o cristianismo é o caminho real de saúde integral. E saúde integral, lembrou ela, inclui corpo e mente. Muitos problemas de ordem física tem origem emocional que podem - e devem - ser tratados por especialistas. Deus levanta profissionais, como médicos, psicólogos e psiquiatras para nos orientar e tratar.

Em alguns casos, ao aconselhamento pastoral devem ser associados recursos médicos, como a terapia e até o uso de medicamentos.

É o caso, por exemplo, da depressão. A depressão é uma alteração psíquica e orgânica. Como está associada ao um desequilíbrio químico, seu tratamento associa terapia com remédios antidepressivos. Depressão não é, portanto, falta de fé, é uma doença que pode atingir qualquer pessoa – e, estatisticamente, duas vezes mais mulheres do que homens.

''Estamos optando pela vida física, emocional e espiritual na plenitude'', destacou Marisa, que terminou sua palestra com um apelo: ''Em nome de Jesus Cristo, não dê ouvidos ao inimigo e àqueles que ele levanta para destruir o projeto de Deus. Cuidem-se e tenham uma vida boa. Este é o projeto de Deus para a humanidade. Não existe espiritualidade sem corpo. Tudo o que temos foi criado pelo Senhor''.

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