Empresário que traz Michael W. Smith ao Brasil fala sobre o segmento gospel

Empresário que traz Michael W. Smith ao Brasil fala sobre o segmento gospel

Atualizado: Quinta-feira, 6 Maio de 2010 as 2:24

72% dos evangélicos gostam de shows. Essa é a informação do Ibope, segundo pesquisa encomendada pela Goldlight. A empresa, liderada por Valdo Romão Junior, está há um ano neste segmento, e buscou conhecê-lo antes de apresentar-se ao mercado.

Para 2010, a Goldlight traz ao Brasil o show do cantor Michael W. Smith, que acontece nos dias 2 e 3 de junho, em São Paulo (SP), e lança um cartão que dará benefícios em produtos de grandes marcas e a possibilidade de assistir a shows internacionais.

Evangélico, e há 15 anos trabalhando na área de consultoria de grandes empresas, Junior sempre se questionou porque eventos e atividades da igreja não recebiam, em geral, o apoio e patrocínio de marcas reconhecidas no mercado.

Em entrevista ao Guia-me, o empresário abordou a dificuldade de vincular o nome de grandes empresas às igrejas; os impecilhos para as denominações realizarem eventos de destaque contando apenas com os recursos de seus membros; falou sobre a escolha do nome de Michael W. Smith para o show em São Paulo; e contou como sua empresa pretende abrir caminho para que marcas reconhecidas apoiem eventos evangélicos e vejam no segmento um setor consumidor confiável.

Guia-me: Qual o propósito da Goldlight em atuar no segmento evangélico?

Junior: Conhecendo o mercado [evangélico] que a gente tem, com falta de profissionalismo, falta de gestão, organização, e eu tendo a ponte do lado de fora , quer dizer, conhecendo empresas que querem entrar aqui, mas muitas vezes não sabem como, ou entraram por porta errada, batendo cabeça, perdendo dinheiro, nasceu a Goldlight.

A Goldlight surgiu no ano passado, aí já entra uma carreira solo minha, saí da empresa do meu pai - apesar de ter participação com ele no escritório - e montei uma empresa de consultoria e gestão. Uma empresa que veio com a seguinte missão: ser um canal de entrada de empresas de fora do segmento, grandes, multinacionais, para o segmento evangélico, trazendo recursos. Então essa é a grande missão da Goldlight: oferecer às empresas de fora o acesso ao mercado evangélico.

Guia-me: Como vocês estão realizando esse trabalho?

Junior: A primeira coisa que a Goldlight fez foi pesquisa de mercado, fomos conhecer as necessidades do povo evangélico, descobrir o que esse público quer. Nós fizemos uma pesquisa com o IBOPE dentro do segmento evangélico, onde a gente descobriu todo e qualquer tipo de necessidade de consumo do nosso povo, qual é a maneira dele se vestir, o que ele gosta. Uma das coisas que essa pesquisa deu de retorno foi que 72% desse público gosta de shows.

Começamos a desenhar um produto nessa linha e ver como a gente poderia atingir esse público. Um dos nossos clientes, nossos parceiros, é a Mapfre [seguros], que está no nosso segmento muito em razão dessa parceria, inclusive quem trouxe a Mapfre para o segmento é um funcionário que trabalha comigo.

Desenhamos um produto que está para ser lançado, em pouco tempo vocês vão saber mais detalhes. O que eu posso te dizer é o seguinte: é um cartão de afinidade que terá vários benefícios, um deles é um show internacional.

Guia-me: Na sua opinião, grandes empresas investem pouco no mercado evangélico por não conhecerem o segmento?

Junior: Elas têm medo, olham o segmento já conhecendo alguém que tentou investir e perdeu recurso, e também por um pouco de preconceito, já que não conhecem. Pensam: "Ah, eu vou vincular minha marca à igreja? E quem não é da igreja, não vai comprar meu produto?”

O principal de tudo o que eu vejo é que isso é uma porta que vamos abrir que pode ajudar muito, inclusive a outros eventos. Acabar com esse estereótipo: estou na igreja e a empresa de fora não investe. Hoje a gente vai fazer um evento e as coisas são complicadas porque tudo é a igreja que sustenta, são os empresários da igreja. Olhamos para o mundo e vemos o carnaval, por exemplo, que tem pelo menos 10 empresas no negócio. Por que nós não podemos ter eventos bancados por essas mesmas empresas, se temos público para isso?

A gente está fazendo um trabalho de médio a longo prazo para que essas empresas venham e fiquem. O cartão é uma dessas ferramentas, porque essas empresas terão benefícios para os sócios do cartão. As mídias são ferramentas, os shows internacionais são ferramentas. Então, essas empresas vão estar com a exclusividade.

Então, o papel da Goldlight é esse: mostrar para essas empresas exemplos e casos práticos que cresceram, fizeram nome, e estão crescendo cada vez mais. E outro é fazer de maneira correta, porque o pessoal não tem o jeito de fazer isso no meio, falta profissionalismo. Acham que acertando com um pastor, estão fechando o negócio, já resolveram, e não é assim. Tem que ter pesquisa, saber como levar, ter canal de distribuição, vendas.

A Goldlight possui dentro desse projeto um canal próprio de distribuição, teremos mais de 300 pessoas vendendo nossos produtos, espalhadas na maioria das igrejas do estado.

A ideia é lançar este produto no show do Michael. Ele virá como um grande negócio, um "pul" de vários produtinhos que estão dentro do cartão. Existem empresas grandes, de fora [do mercado evangélico] que estão entrando nesse projeto. A gente está nos períodos finais de negociação, por isso eu não posso abrir muitos detalhes.

Esse primeiro show, do Michael, ainda é um produto pago, os próximos não. Quem for sócio do cartão é que vai ter acesso ao evento. Vamos trazer os melhores cantores gospel do mundo.

É claro que, dentro da visão profissional, não é o Junior da Goldlight que está organizando o show sozinho. Criamos um departamento de eventos com os melhores profissionais que tínhamos no nosso meio.

Tem gente na nossa equipe que organiza eventos de fora do gospel, como, por exemplo, o Rodeio de Jaguariúna e eventos desse porte.

Guia-me: E a ideia de trazer ao Brasil o show do Michael W. Smith também foi baseada em pesquisa?

Junior: O Michael foi baseado em pesquisa, mas ele por si só já tem história. A gente queria trazer alguém de peso, alguém de nome, e sabemos o que vende mais. O Michael a gente acha que tem tudo a ver porque não queríamos fazer um produto somente para jovens, mas para o pessoal formador de opinião. Ele é um produto [show do Michael W. Smith] que tem a ver com nosso perfil nessa fase. Claro que a gente vai atender a meninada, mas a gente quer um público formador de opinião logo de cara.

Guia-me: Vocês já têm mais alguém agendado?

Junior: A gente já tem, mas isso eu não posso falar ainda. Temos para os próximos dois anos. A ideia é a cada seis meses trazer uma atração forte, no mesmo "naipe" de Michael W. Smith.

Por Adriana Amorim

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