Ensino evangélico em escolas de Portugal demonstram crescimento da religião no país

Ensino evangélico em escolas de Portugal demonstram crescimento da religião no país

Atualizado: Terça-feira, 26 Janeiro de 2010 as 12

Já existem 237 escolas públicas em Portugal com aulas de educação moral e religiosa evangélica. Mais 34 do que no ano passado, diz Isabel Pinheiro, presidente da Comissão para a Acção Educativa Evangélica (Comacep). No total são 256 turmas e perto de dois mil alunos que optaram por ter aulas dadas por um professor de denominação evangélica. Este é apenas um dos sinais da crescente presença dos evangélicos na sociedade portuguesa, o que preocupado a Igreja Católica.

"Temos mais turmas do que no ano passado e cerca de 20 escolas ainda por resolver, por causa de dificuldades na colocação de professor, já que ninguém aceita fazer isto por dinheiro", garante Isabel Pinheiro, explicando que um professor de religião evangélica recebe 30 euros por mês, por lecionar uma hora por semana.

Uma dificuldade que não tem impedido o crescimento. Há 20 anos, quando começaram nas escolas públicas, tinham apenas quatro turmas. O dinamismo é uma imagem de marca: usam cartazes atrativos para promover a disciplina e quando o número de alunos é inferior a dez (o mínimo para formar uma turma oficial) a Comacep não desiste: propõe a realização de atividades de enriquecimento curricular.

Para a responsável, as aulas não são um espaço de evangelização mas sim de debate dos valores cristãos. "Temos alunos ateus, agnósticos ou até alunos que eram católicos, embora não sejam a maioria", explica. A maioria são crianças cujos pais seguem uma das confissões que fazem parte da Aliança Evangélica. "Há pequenas diferenças entre estas denominações, sobretudo na forma, mas todas estão agregadas na Aliança e têm uma declaração de fé única", explica.

O aumento de turmas evangélicas exprime bem a dimensão que estas igrejas ganharam nas últimas décadas. As únicas estatística oficiais são as dos Censos, em que não aparece a designação evangélicos, levando os membros da Aliança a dividirem-se por "protestantes" e "outras religiões cristãs". Mas a Aliança estima que tenham 250 mil membros e outros tantos "aderentes", incluindo-se aqui simpatizantes e crianças, só batizadas na idade adulta. Estão em todo o território, possuem mais de 1500 locais de culto, 900 ministros, 12 escolas e uma rede social com mais de 60 instituições.

Há 20 anos, o número de fiéis andaria pela metade, estima António Barata, pastor e historiador das comunidades protestantes. "Começaram a crescer nos anos 50, mas nos anos 90 houve um grande aumento com a chegada dos imigrantes", disse ao DN, explicando que estas igrejas se disseminam por células que se vão autonomizando. "Crescem de forma biológica, ou seja, pelas famílias que educam os filhos na fé, mas também à custa da imigração e de crentes de outras confissões, como os católicos", acrescenta o historiados.

"A Igreja Evangélica Maranata, por exemplo, chegou a Portugal trazida por brasileiros e hoje os fiéis são em sua maioria portugueses", explica a socióloga da religião Helena Vilaça. O testemunho da conversão dos crentes, o espírito de solidariedade e de pertencimento, bem como o aumento da liberdade religiosa, ajudam a explicar esta expansão.

"O fato de as igrejas evangélicas não obedecerem a uma estrutura hierarquizada potencia esta disseminação", explica Samuel Pinheiro, presidente da Aliança Evangélica. "A dinamização e a iniciativa são mais produtivas, pois cada comunidade vai ao encontro das necessidades locais", acrescenta.

A Igreja Católica está preocupada com este fenômeno, reconhece Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal. "As paróquias deviam ser esta comunidade de relacionamento próximo e personalizado. Mas é natural que nas comunidades mais pequenas haja esta vantagem", disse.

Para repensar a pastoral da Igreja, ou seja, a forma de transmitir a mensagem à população, foi criado recentemente um grupo de reflexão que apontará caminhos e soluções.

Postado por: Felipe Pinheiro

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