Entrevista vencedor do Quem Chega Lá: "foi promessa de Deus"

Entrevista vencedor do Quem Chega Lá: "foi promessa de Deus"

Atualizado: Quarta-feira, 3 Março de 2010 as 12

Humorista e mímico, João Netto é peça conhecida do humor cearense. Netto já participou da "Escolinha do Professor Raimundo", programa "Chico Total" - do humorista Chico Anísio, "Show do Tom", entre outros, como Zé Modesto, personagem criado em 1992 pelo próprio João Netto.

Sua aparição mais recente na televisão brasileira foi em 2009 no quadro &Quem Chega Lá&, do Domingão do Faustão, uma competição na qual os humoristas disputam o riso da platéia, medido por um &risômetro&. Netto foi o vencedor do quadro com o personagem João Besouro, um típico cearense.

Mas João Netto não é só humor. Hoje, convertido, além de levar alegria e riso às pessoas, leva a paz e a salvação que vem de Jesus Cristo. Em entrevista exclusiva ao GUIAME.com.br , Netto fala de sua profissão, ministério e testemunho.

Guia-me: Quando descobriu que tinha talento para o humor e quando entrou para a carreira artística?

João Netto: Logo que comecei a fazer teatro em 1980. Já na primeira comédia percebi que Deus tinha me dado esse talento.

Guia-me: Como nasceram os seus dois principais personagens, Zé Modesto e João Besouro?

João Netto: Modesto é o nome do meu bisavô, por isso esse nome. João Besouro foi uma alusão ao João Grilo [do filme &O Auto da Compadecida&], por conta de eu ter criado a comédia &O Auto do Cumpade Cido&, uma comédia familiar cristã.

Quanto ao estilo e vestuário, eu não tive muito problema, visto que eu sou do interior e também sou um pouco de cada personagem, ou seja, "matuto".

Guia-me: Muitos comediantes nasceram no Ceará. Você acha que o humor é uma questão cultural desse estado?

João Netto: Em parte, pois o cearense por ser um povo extrovertido e moleque, já traz esse traço cultural de ser um povo engraçado. Mas, por outro lado, falando como profissão que hoje é, tem bons humoristas em São Paulo, fazendo stand up comedy.

Como em tudo na vida, aqui tem bons e &ruins& humoristas, e muitos que nem são, mas se fazem, copiando estilos e piadas dos outros.

Guia-me: O que o humor cearense tem de peculiar?

João Netto: Alguns têm o dom do improviso e isso valoriza o artista por saber sair de situações embaraçosas, que às vezes são criadas por alguém na plateia.

Guia-me: Como você construiu o seu personagem cristão?

João Netto: João Besouro é o protagonista da comédia &O Auto do Cumpade Cido&, uma referência ao &Auto da Compadecida&, de Ariano Suassuna. A nossa versão traz a mensagem "Leia a Bíblia", e nós tocamos no ponto que a salvação é só através de Jesus, coisa que o filme de Suassuna coloca com a intercessão de Maria. João Besouro seria o João Grilo [personagem interpretado pelo ator Matheus Nachtergaele].

Guia-me: Ao criar seu personagem [Zé Modesto-"secular"] você se preocupou em não trazer mensagens que se chocassem com a Palavra?

João Netto: Não. Quando criei Zé Modesto eu não era evangélico, mas hoje ele não fala palavrão em seus shows.

Guia-me: Como foi sua conversão?

João Netto: Foi pela dor. Não dá para responder essa pergunta em poucas palavras, porém foi Jesus quem me converteu e hoje sou feliz por isso.

Guia-me: Como você acha que um humor que não usa malícia ou palavras de baixo calão pôde agradar tantas pessoas, a ponto de você ser o ganhador do &Quem Chega Lá&, quadro do Domingão do Faustão?

João Netto: Primeiro que esse prêmio foi uma promessa de Deus. Ele veio exatamente para mostrar que é possível fazer um bom humor sem apelar para palavras de baixo calão ou duplo sentido.

Guia-me: Em sua opinião, esse humor ainda tem espaço na atual sociedade?

João Netto: Claro, cada vez mais. As pessoas gostam mais do humor saudável, pena que muitos artistas ainda não tenham compreendido isso.

Guia-me: Você costuma fazer trabalhos evangelísticos caracterizado como algum de seus personagens?

João Netto: Às vezes entro nas igrejas para dar testemunho vestido primeiramente de Zé Modesto e só depois me troco rapidamente e me transformo em João Netto.

Guia-me: Acredita que as pessoas atentem mais à Palavra de Deus por você fugir do padrão das igrejas?

João Netto: Deus me deu um ministério diferente e está me usando através do que eu já fazia. Zé Modesto atrai e João Netto pesca.

Guia-me: Considera o humor uma forma mais fácil de alcançar vidas para Jesus?

João Netto: Não é que seja mais fácil, mas é uma maneira que Deus está usando, quebrando paradigmas e padrões considerados tradicionais. Deus é multiforme, Ele usa a música, filmes, teatro, humor e até uma jumenta quando é preciso.

Guia-me: A alegação de muitas pessoas que não consideram o humor como uma forma autêntica de evangelização é que o Evangelho é "coisa séria" e que não há citação na Bíblia de que Jesus tenha sido um homem sorridente. Qual o embasamento bíblico para pregar usando o humor?

João Netto: Quem não ri com uma pregação? Os maiores pregadores que eu já ouvi são homens bem humorados que fazem as pessoas rirem nas pregações. Quem pensa assim deveria se converter e viver a alegria da salvação. Já pensou você atrair uma pessoa para o reino de Deus e passar a ideia que crente não pode rir, cantar, dançar, bater palmas? Já ganhei muitas almas para Jesus com humor, fazendo as pessoas rirem. Falo, por exemplo, que a minha situação estava tão difícil que fui contar para um carroceiro e o burro dele chorou. Jesus me alcançou e mudou a minha vida. Hoje sou alegre no Senhor.

Guia-me: Já recebeu críticas, tanto boas quanto ruins, pelo fato de pregar a palavra de Deus e trabalhar como humorista?

João Netto: Não ligo para o que as pessoas dizem. Só devo satisfação da minha vida a Jesus no céu e meu pastor na terra, fora isso, quem fala de mim é porque não é crente de verdade, não conhece o evangelho genuíno. Deus trabalha nas circunstâncias de diferentes formas, com jogadores de futebol, boxeadores, surfistas etc.

Já pensou se todo mundo que se convertesse parasse de trabalhar? Iriam morrer de fome. Claro que, se for trabalhar como prostituta, você para na hora, mas quem disse que fazer humor é pecado?

Por Juliana Simioni

Colaboração Adriana Amorim

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