Envolvimento com seita satânica é fantasioso, diz defesa de procuradora acusada de torturar criança

Envolvimento com seita satânica é fantasioso, diz defesa de procuradora acusada de torturar criança

Atualizado: Terça-feira, 11 Maio de 2010 as 10:43

O advogado da procuradora aposentada suspeita de torturar uma criança de dois anos, Jair Leite Pereira, afirmou que a informação de que Vera Lúcia Sant’Anna Gomes faria parte de uma seita satânica e que pretendia sacrificar a criança é fantasiosa. Segundo relatou na reportagem do Domingo Espetacular deste domingo (9), Vera Lucia segue a religião espírita e não tem envolvimento com seitas.

- Essa história de ritual satânico é coisa de cinema. Isso não existe. Ela gosta do espiritismo, gosta de imagens de pessoas espíritas, mas não de rituais satânicos.

A suspeita de Vera Lúcia participar da seita parte do depoimento não identificado de uma voluntária do Conselho Tutelar que acompanhou alguns dos relatos de ex-empregados da promotora aposentada. O Ministério Público classifica o relato da voluntária como “assustador” e transcreve o seguinte trecho:

"(...) o que desejo expor aqui é a minha visão, observação do ocorrido e pude ter a convicção da Sra. Vera Lucia pertencer a religião satânica, onde creio ser este o motivo da adoção: o sacrifício da criança. Sei que isso parece um absurdo, mas (…) a Sra. Vera Lucia possuía muitos vudus e bonecos com rostos desfigurados. A presença de duas pessoas na casa era constante, entre elas a de cabeça raspada me alertou por ser mulher e este ato é praticado aos que fazem parte deste ritual (...) Na mesa haviam cartas e um punhal, que neste ritual significa: sacrifício, morte. Creio que T. foi escolhida para ser oferecida em sacrifício a esta seita. A intenção da Sra. Vera era de matar a criança, rituais eram feitos na casa, como banhos de canjica, e a criança não podia ter contato com a água."

Como relata Pereira, Vera Lúcia trabalhou durante 25 anos no Ministério Público e nunca teve nenhuma denúncia contra ela. Mas o advogado admite que a procuradora aposentada tem um temperamento difícil:

- Ela é uma pessoa de bem, mas tem o temperamento dos promotores, ríspido e agressivo.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deve analisar na segunda-feira (10) o recurso (habeas corpus) impetrado pela defesa da  Vera Lúcia para evitar sua prisão. Acusada de agredir a filha adotiva de dois anos, ela teve a prisão preventiva decretada na última quarta-feira (5) e está foragida. Ela foi denunciada por tortura.

Postado por: Felipe Pinheiro

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