Era uma vez um natal

Era uma vez um natal

Atualizado: Quarta-feira, 18 Dezembro de 2013 as 11:04

NatalA palavra “natal” é de origem latina e significa “nascimento”. Quando se pergunta a alguém sobre sua “cidade natal”, por exemplo, se quer saber sobre o lugar onde aconteceu o seu nascimento. Em nosso país, quando ouvimos alguém falar esta pa-lavra, automaticamente nos vem à mente a celebração que ocorre no mês de dezembro de todo ano, mais especificamente no dia 25, que comemora o maior de todos os nascimentos: o de Cristo, como homem. Mas os cristãos devem celebrar o nascimento de Cristo? E se devem, esta celebração pode ocorrer no dia 25 de dezembro?
 
A nossa resposta a primeira pergunta é sim, os cristãos devem celebrar a Deus pelo nascimento de Cristo. A doutrina da encarnação de Jesus é uma das mais importantes doutrinas cristãs e um dos acontecimentos mais fascinantes do evangelho. O próprio Deus se fez gente, se humilhou, tornou-se semelhante aos homens (Fp 2:7). O Verbo se fez carne, e habitou entre nós… (Jo 1:14a). Aquele que criou o mundo, que existia antes do mundo, veio participar da história do mundo como um ser humano.
 
Como isso foi possível? Tudo começou com sua concepção sobrenatural (cf. Mt 1:18), e depois com seu nascimento. Deus entrou no mundo como um bebê, para se cumprir o que disse o profeta Isaías: a virgem ficará grávida e dará à luz a um filho, e o chamará Emanuel (Is 7:14; Mt 1:23). Quando chegou o tempo de nascer o bebê, Maria e José estavam em Belém da Judeia. Lá nasce o Emanuel (Lc 2:6-7). Seu nascimento foi celebrado por um exército celestial, que apareceu louvando a Deus: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede seu favor (Lc 2:14). Foi também celebrado pelos pastores que estavam nos campos, próximos ao local onde nasceu o bebê Jesus: Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer (…). Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus (Lc 2:18-20). Além deles, alguns homens sábios, de reinos importantes, também procuraram o bebê para adorá-lo (Mt 2:1-2).
 
E porque tanta festa pelo nascimento deste bebê? Porque ele era o descendente da mulher há milênios esperado, que esmagaria a cabeça do descendente da serpente (Gn 3:15). Porque ele era o descendente de Abraão, por meio do qual todas as famí-lias da terra seriam abençoadas (Gn 12:1-3). Porque ele era o descendente de Davi, que reinaria para sempre, e cujo reinado não teria fim (Lc 2:33). Este bebê foi muito esperado! E veio para que pudéssemos ser salvos (Jo 1:12; 1 Tm 1:15). Jesus veio morar conosco para que, um dia, nós possamos ir morar com Ele! Por isso sua vinda deve, sim, ser celebrada. Devemos louvar a Deus pela decisão de enviar o Filho (Jo 3:16) e louvar o Filho por ter decidido vir e entregar sua vida voluntariamente (Jo 10:17). Jesus veio para morrer por nós, e antes deste momento chegar, ele precisou nascer. Deus poderia tê-lo feito aparecer, com 30 anos, na Palestina, só para morrer por nós. Mas, preferiu o caminho normal de todo ser humano. Por isso, devemos celebrar a Jesus por cada etapa de sua obra!
 
Quanto à segunda pergunta, isto é, se devemos celebrar o seu nascimento especifi-camente no dia 25 de dezembro, a resposta, num primeiro momento, é não. Jesus não nasceu neste dia. Shedd constatou em seus estudos que o nascimento se deu em outubro, considerando os turnos de sacerdócio de Zacarias, pai de João Batista, primo de Jesus: “Ele nasceu na época da Festa dos Tabernáculos, em outubro. Seu nascimento pode ser calculado assim: Zacarias exercia seu turno em julho (Lc 1:5,8) por ser do turno de Abias, o oitavo turno do ano eclesiástico que começava em março (1 Cr 24:10). O oitavo turno caía no mês de julho, o mês da concepção de João Batista (Lc 1:23-24), que nasceu, pois, em abril do ano seguinte. Jesus nasceu seis meses mais tarde (Lc 1:26), portanto, em plena Festa dos Tabernáculos, no outono, no mês de outubro.” A Festa dos Tabernáculos, na época de Jesus, relembrava o tempo que Israel viveu em tendas. Curiosamente, neste período, Jesus veio “habitar (lit. armar sua tenda) entre nós” (Jo 1:14)! Pois bem, mesmo assim, tendo uma ideia da época, não podemos ser taxativos no que diz respeito ao dia do nascimento de Jesus. Nenhum de nós sabe!
 
É possível que nem os cristãos primitivos sabiam o dia em que Jesus nasceu. Eles não se preocuparam tanto com isso, pois o mais importante não era o dia, mas o fato de ele ter nascido. A razão porque a igreja começou a celebrar este “fato” no dia 25 de dezembro, não foi por crer que Jesus nasceu neste dia, mas numa tentativa de cristianizar uma data em que acontecia uma festa ao Sol Invictus. Os pagãos que estavam se tornando cristãos celebravam uma festa neste dia ao seu “deus”. A igreja quis aproveitar esta data de uma festa pagã celebrada em todos os lugares, e colocar no lugar dela, a celebração a Cristo. Continua a festa, mas muda quem é celebrado. Daí convencionou-se a data. Ao longo do tempo, elementos como bolinhas, guirlandas, bengalinhas de açúcar, Papai Noel, presentes, foram sendo incor-porados à festa, mas nada tinham a ver com a celebração original, e não tem nada a ver com o nascimento de Cristo. Hoje a festa se secularizou. O que se vê em torno desta data é um comércio efervescente, bebedeiras, etc. A maioria das pessoas nem se lembra do “nascimento” que, em teoria, deveria ser comemorado no natal.
 
Por fim, então, Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Ninguém sabe exatamente o dia em que ele nasceu. Mesmo assim, todos os dias, podemos e devemos celebrar e louvar a Deus pelo nascimento de Jesus, inclusive no dia 25 de dezembro. Não concordo com o argumento do silêncio da Bíblia, usado para dizer que não podemos comemorar o nascimento de Jesus. A Bíblia silencia quanto a muita coisa que é praticada por nós (só para exemplificar: comemorar aniversário da existência da igreja, por exemplo. Não há nenhum problema em fazer isso. Contudo, não encontramos exemplos bíblicos e nem ordens a este respeito). Concordo com Augustus Nicodemus, que a “celebração dos anjos e pastores na noite do nascimento de Jesus, bem como a atitude dos magos posteriormente, não são argumentos suficientes para estabelecermos cultos natalinos, mas pelo menos mostra que não é errado nos alegrarmos com o nascimento do Salvador”.
 
Era uma vez um natal (nascimento)… O maior de todos… Um bebê que nasceu para libertar o homem… Celebremos sempre a Deus por este nascimento!
 
 
- Pr. Eleilton Willian de Souza Freitas
 

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