Escola Adventista de Embu retoma atividades

Escola Adventista de Embu retoma atividades

Atualizado: Quarta-feira, 6 Outubro de 2010 as 9:01

As atividades foram retomadas hoje na Escola Adventista de Embu, na Grande São Paulo, onde o garoto Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, foi baleado na semana passada. Apesar de a maioria dos pais estar do lado do colégio, alguns estudam a possibilidade de transferir os filhos para outras instituições. Em vez de aulas tradicionais, os alunos conversaram com psicólogos - o comparecimento chegou a 80%. Estudantes do quarto ano e colegas de Miguel tiveram aula em outro ambiente. A sala em que ocorreu o crime ainda está fechada para, segundo a escola, "preservar a privacidade das crianças nesse momento tão delicado".

Um pastor também foi chamado para conversar com os estudantes. Duas faixas pretas - uma delas esticada no portão de ferro principal e a outra colocada na janela principal - seguiram expostas, como símbolo de luto. Os pais que levaram os filhos para a instituição avaliaram de forma positiva a ação da escola nos últimos dias. É o caso do professor da rede pública Adil Pereira Tavares, de 45 anos. Ele classificou a morte do estudante como uma "fatalidade"

Para o autônomo Renato Vieira Gomes, de 42 anos, o disparo acidental "poderia ter ocorrido em qualquer lugar". "É difícil para a gente acreditar que a escola tenha agido de uma forma errada." A filha da recreadora Camila Maitê Sonim, de 28 anos, estudava na classe ao lado da de Miguel. Confiante na idoneidade do colégio, Camila diz que não acredita que fatos assim se repitam. "Hoje estamos em um mundo muito difícil. Eu trabalho com crianças e sei que algumas questões têm de ser tratadas de maneira bastante delicada."

Mas nem todos estão satisfeitos. "Ainda não decidimos o que fazer. A minha neta está no 8.º ano. Vamos esperar até o fim do ano para tomar alguma atitude", afirmou o aposentado José Luiz da Silva, de 59 anos, que tem uma neta no Adventista. O pai da menina participou da reunião de ontem entre diretores e responsáveis. "Ele não voltou para casa totalmente satisfeito. Mas minha neta diz que está tudo bem. Ela não teve contato com nada, porque estuda em outro prédio", afirmou.

Investigação

O Instituto de Criminalística ainda não concluiu o laudo do exame residuográfico na mochila e no uniforme do menino suspeito de ter atirado em Miguel - para apurar se neles havia pólvora. Mas a polícia diz que o material foi lavado.

Por Josmar Jozino / Luiz Guilherme Gerbelli - AE

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